“Assimila o que puderes, das verdades destas páginas — e cria em tua alma uma atmosfera propícia para compreenderes mais, com o correr dos anos e tua progressiva evolução espiritual, que consiste essencialmente na abolição do egoísmo em todos os seus aspectos, e na proclamação de um amor sincero e universal para com todas as criaturas de Deus”. — Huberto Rohden

Por que dizemos que algo deve existir além desta vida?

Sabendo inevitável a morte, a maioria de nós tem fé na reencarnação, na ressurreição, ou noutra forma de continuidade após a morte, porque o que desejamos é só a continuidade; assim sendo, a crença, a fórmula, a esperança, o dogma têm, por sua vez, enorme influência em nossa vida. Não estamos interessados no fato que é a morte, porém só nos interessa saber se há vida após a morte. Dizemos: "Que adianta lutar, cultivar a virtude, tentar tornar-nos divinos (sabeis com quantas ninharias nos ocupamos) para acabar morrendo?" Por esta razão, dizemos que algo deve existir além desta vida. 

Ora, que é este "algo" que desejamos continue a existir? Compreendeis? Com palavras diferentes, em diferentes esferas, esperanças de variada natureza, etc., as religiões de todo o mundo prometem uma certa espécie de continuidade após a morte. Mas, abstraindo de tudo isso, que é que desejamos continue a existir? Nossa vida de cada dia, não? A vida que conhecemos. E que é essa vida que conhecemos? É a vida de companhia, a vida de torturas, incertezas, esperanças, de cada dia; a agonia do isolamento, as disputas, a assiduidade ao escritório, dia após dia, durante trinta ou quarenta anos; a pequenina mente que possuímos, a vida condicionada, o prazer de viajar e ver coisas novas; a doença, a dor, o vazio, o tédio de nossa existência — eis tudo o que conhecemos.

Ora, que é isso a que estamos tão desesperadamente apegados? É, evidentemente, a memória das coisas passadas. Mas, não é horrível percebermos que estamos apegados a algo já passado, ido, acabado, morto? É só isso o que conhecemos e por isso lhe estamos apegados. Estamos apegados ao conhecido. Nosso caráter, nossos livros, os quadros que pintamos, as experiências, os prazeres e ansiedades que tivemos, nossos velhos sentimentos de culpa — tudo isso pertence ao passado, a que estamos aferrados. É só o que conhecemos e queremos que subsista após a morte. Se perdi minha mulher, desejo reencontrá-la no além, etc. O que tememos, pois, é perder o conhecido, ou seja, o passado — o passado, que atravessando o presente, cria o futuro; a isso é que estamos apegados. 

(...) Ora, quando nos apegamos a uma coisa passada, já estão mortos a nossa mente, o nosso coração, o nosso ser inteiro. Ainda que se trate de um profundo deleite, um intenso prazer, se a isso nos apegamos, nossa mente se torna uma coisa pequenina e feia, incapaz de viver realmente. Assim é nossa vida. Porque tememos o findar desta nossa chamada "vida", inventamos ou esperamos uma continuidade após a morte. Mas, quando uma pessoa está consciente de tudo isso e de não mais fugir; quando está olhando, observando, escutando, percebendo, sem escolha, tudo o que se passa em seu interior — vê-se, então, frente-a-frente com a questão da morte, que, em verdade, é o desconhecido. Não conheceis a morte; a seu respeito só tendes meras ideias. Tendes ideias, temores, ansiedades, e o terrível sentimento de solidão, de isolamento. E a pessoa que bem percebe isso pergunta a si própria: "Posso morrer para tudo o que é conhecido, morrer para o passado, não pouco a pouco, não conservando o que é agradável e rejeitando o desagradável, porém, morrer tanto para o prazer como para a dor, quer dizer, por fim ao passado sem discussão?"

Ao chegar a morte, não há discutir, não há dizer-lhe: "Deixe-me alguns dias mais". Em chegando a morte, vós partis. Da mesma maneira devemos esvaziar nossa mente de todo o pretérito. No esvaziar da mente, de bom grado, com naturalidade e sem esforço, estamos, então, talvez, libertados do conhecido, havendo, assim, a compreensão do desconhecido. 

A maioria de nós não sabe o que é o amor. Conhecemos a dor e o prazer de amar, mas não vemos o fato que é o amor como vemos o fato que é uma montanha; desse modo, o amor é, para nós, algo desconhecido, tal como a morte. Mas, com a mente livre do conhecido apresenta-se-nos aquilo que não se pode conhecer mediante palavras, experiências, visões, qualquer forma de expressão. Se não conhecemos o amor, se não conhecemos a extraordinária plenitude e riqueza da morte, jamais saberemos o que é viver sem tortura, sem ansiedade, sem as aflições de cada dia. 

Jiddu Krishnamurti — O descobrimento do amor   

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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)


O IMPOPULAR DRAMA OUTSIDER — O encontro direto com a Verdade absoluta parece, então, impossível para uma consciência humana comum, não mística. Não podemos conhecer a realidade ou mesmo provar a existência do mais simples objeto, embora isto seja uma limitação que poucas pessoas compreendem realmente e que muitas até negariam. Mas há entre os seres humanos um tipo de personalidade que, esta sim, compreende essa limitação e que não consegue se contentar com as falsas realidades que nutrem o universo das pessoas comuns. Parece que essas pessoas sentem a necessidade de forjar por si mesmas uma imagem de "alguma coisa" ou do "nada" que se encontra no outro lado de suas linhas telegráficas: uma certa "concepção do ser" e uma certa teoria do "conhecimento". Elas são ATORMENTADAS pelo Incognoscível, queimam de desejo de conhecer o princípio primeiro, almejam agarrar aquilo que se esconde atrás do sombrio espetáculo das coisas. Quando alguém possui esse temperamento, é ávido de conhecer a realidade e deve satisfazer essa fome da melhor forma possível, enganando-a, sem contudo jamais poder saciá-la. — Evelyn Underhill