“Não se pode falar do oceano para um sapo do brejo — criatura de uma esfera mais acanhada. Não se pode falar de um estado isento de pensamento para um pedagogo; sua visão é demasiado restrita”. — Chuang Tzu

Sobre a cultura de superfície aparente

Talvez, como nunca antes na história da assim chamada "raça humana" — dela, grande parte, de modo totalmente inconsciente, num triste e deplorável estado de ser que beira as raízes do sonambulismo profundo, o qual os mantém num modo acelerado e cabisbaixo —, vê-se o esforço desumano para se adaptar a apenas "subexistir" numa cultura de superfície aparente. Aparentemente, superficialmente, parecemos saudáveis; parecemos felizes; parecemos alegres; parecemos livres; parecemos fraternos; parecemos espiritualmente conscientes; parecemos saber reciclar; parecemos amar; parecemos fortes; parecemos seguros; parecemos belos, parecemos inteligentes, parecemos estar vivos; parecemos saber o que é beleza; parecemos realizados e — o que me parece ser o mais sério nessa tragi-bufa comédia humana —, parecemos acreditar saber o que é a verdade.

Existe um preceito de que, uma mentira repetida muitas vezes, torna-se uma verdade e, no tocante a essa instalada cultura de superfície aparente, isso tornou-se um fato: grandes mentiras são tidas como verdades; grandes ilusões são tidas como realidade; imaturas crenças são tidas como realidade empírica ; desnecessidades são tidas como necessidades; desvalores são tidos como valores; imoralidade é tida como moral; mesmerização de massa é tida por educação; alienação e mediocrização é tido por diversão; desinteressadamente agir em prol do coletivo é ingenuidade, enquanto que buscar por privilégios umbigóides é esperteza.

A hipnose criada por essa cultura de superfície aparente, faz com que entreguemos nossos corpos nas mãos de academias, instituições farmaco-médica-laboratoriais, clínicas de estética, os quais ditam a moda do que é saudável e do que é beleza, moda esta disponível apenas para aqueles que acreditam estar financeiramente estabilizados (ainda que para conseguirem isso, se desestabilizem mental, emocional e fisicamente). Ao nos entregarmos a essa máfia da estética, nos permitimos fazer parte de um lucrativo processo de "mesmerização", de "modelagem", de "colonização corporal", processo esse que nos torna aparentemente iguais no que é estabelecido como ideal e que, ao assim consentirmos, pactuamos de bom grado com o processo de adulteração de nossa natureza real, de nossa originalidade, a qual tem sua beleza própria, única, pessoal e intransferível. A irrefletida aceitação das exigências desse enorme e desfantástico Festival Woodstock das aparências, traz consigo, o roubo da nossa capacidade de percepção da beleza natural, que por sua vez, nos coloca em conflito numa solitária cela formada pelas grossas grades da identificação com a nossa ocasional e momentânea realidade física. Desse modo, encerrados nessa cela em constante estado de ansiedade e conflito, permanecemos totalmente inconscientes para a chave que nos liberta desse triste confinamento: a percepção da poética beleza noética de nossa realidade atemporal, imaterial, incorpórea.

Outsider

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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)