“Não se pode falar do oceano para um sapo do brejo — criatura de uma esfera mais acanhada. Não se pode falar de um estado isento de pensamento para um pedagogo; sua visão é demasiado restrita”. — Chuang Tzu

Liberdade e felicidade, agora!

Durante minhas palestras todas as tardes desejo salientar o modo de despertar em vós a necessária força a fim de que sejais capazes de por vós próprios descobrir a vossa fonte de grandeza, a vossa fonte de nobreza, a origem da vossa aspiração e do desejo, de alcançar a Libertação e a Felicidade. A fim de fazer isto e dar-vos uma explicação do que entendo por Libertação e Felicidade, necessito pedir-vos que deixeis de lado, continuamente, vossas pessoais concepções e entreis em meus pensamentos e sentimentos, afim de vos tornardes capazes de entender, do meu ponto de vista, o que se tem por Libertação e Felicidade. A fim de facilitar o vosso pensamento, para que possais mergulhar fundo dentro de vós próprios, vou narrar-vos uma história.
Houve uma vez uma chama de imensa magnitude, de grande altura, que atingia o Zênite dos céus; para fora desta chama, saltaram muitas centelhas, e dentre essas muitas, foi criada, de uma delas, um ser humano e, a este ser humano, chamaremos, de momento, Krishnamurti. Valho-me deste história, porque conheço bem a Krishnamurti e, como vou examiná-lo impessoalmente, peço a vós outros que façais outro tanto. Antes de começar a minha história, desejo destacar-vos das vossas individualidades, a fim de que sejais capazes de vos examinardes como, eu vou examinar a Krishnamurti.
Esta centelha, durante eons de tempo, através infindáveis épocas, tornou-se ser humano. A princípio este ser humano tinha a forma de selvagem. Como todos os selvagens e bárbaros, só possuía um desejo, e este era o da satisfação do físico; deu largas aos desejos do corpo, aos prazeres corporais; para ele a existência, o propósito da vida, o fim da vida, consistia na mera satisfação desses desejos e anseios que pertencem ao corpo. Durante muitas vidas ele estudou, sofreu, aprendeu a adquirir, aprendeu a possuir, aprendeu a recolher tudo para si. Não se sentia feliz enquanto não tivesse muitos bens, muitas aquisições - todas as coisas que perecem. Estava no inverno da ignorância; enquanto jovem em evolução, só tinha um propósito e este era o da mera satisfação do corpo, dos prazeres do corpo. Porém, com o decorrer do tempo, por meio da tristeza, aprendeu ele as leis da comunidade, as leis que existem para benefício de todos, e no observar dessas Leis, começou a distinguir o que é verdadeiro, o que é duradouro, do que é falso e passageiro. Começou, pela violação dessas leis, a sofrer; e durante muitas vidas foi adquirindo experiência até crescer, chegando no estado de civilizado. Por muitos eons, com o decorrer do tempo, por meio de anos de sofrimento e anseios para escapar dessas coisas que o mundo considera essências para o bem estar e a felicidade dos seres humanos, ele buscou conhecimento. Porque, disse a si mesmo, para onde quer que eu vá, onde quer que eu viva e exista, há miséria, há o turbilhão em redor, e dentro de mim e para escapar a este turbilhão, para escapar a esta limitação, a esta infelicidade, devo sair, procurar, vaguear, descobrir o que é duradouro, o que é permanente. Começou a depender dos outros para sua felicidade, começou a depender dos outros para seus afetos, para seu amor, para seu culto; nesta busca pela verdade perdurável, começou a abandonar-se aos templos, a entregar-se ás cerimônias aos altares, a todas aquelas coisas que limitam e ligam, porém não estava satisfeito e encontrava-se em constante revolta. Desejou desembaraçar-se desses santuários que existem à beira da estrada que leva ao cimo da montanha. Seu desejo era intenso, de descobrir o que existia por de traz do quadro que ele adorava, o que havia por de traz dos olhos e da mente dessa imagem que diante dele era colocada e que ele cultuava de vida em vida. Para descobrir o que se achava por de traz dos olhos e do coração desse quadro, passou por imensas tristezas, grandes desenganos e intensos anseios. Pouco a pouco, por meio de austeridades, por meio de torturas, pelo jejum, em muitas vidas, foi capaz de dominar o corpo; e ao passo que o dominava, adestrava, ao mesmo tempo, as emoções e a mente; porque quando estas não cooperam, quando não são coordenadas, quando não são sintéticas, manifesta-se a discórdia e não existe mais bem-estar.
Como o pescador que sai para o oceano, para o mar alto, a fim de apanhar peixe, assim ele entrava pela vida a colher experiências e ao passo que as ia colhendo, era apanhado na sua própria rede e tinha que desembaraçar-se dessa rede de experiência, para ficar livre, para penetrar nessa Chama que é a essência de toda a experiência. Pouco a pouco essa pessoa que conheceis como Krishnamurti, que principiou como centelha separada, como ser separado da chama, habilitou-se, por meio de grandes experiências, a se unir com a chama.
Eu vos narrei esta história, porque, ordinariamente, quando um indivíduo, principia a evoluir como ser separado, leva eons, séculos para adquirir as lições, todos os ensinamentos que a vida pôde proporcionar antes que haja a possibilidade de perceber, de contemplar essa visão da Libertação e da Felicidade. Porém, para cada um de vós que aqui vos encontrais, é possível, agora, perceber essa visão da Libertação e Felicidade, porque estais agora na presença do Bem Amado e quando o Bem Amado estiver convosco, o tempo, como tal cessa de existir. Não necessitais passar por todas as experiências de tristeza, de aflição, de angustia, de alegria intensa para perceberdes essa meta que é o fim para todos. Assim como, o rio, no começo de um curso, conhece o seu fim e busca apressadamente entrar para o oceano, assim deveis saber, mesmo desde o começo de vossos dias o fim que à todos espera.
Eu vos estou dizendo isto, não para vos impor autoridade, não para vos tornar crédulos, para vos fazer prestar devoção à personalidade de um ser. Eu vos narro, tudo isto, porque, quando vos houverdes unido ao Bem Amado, quando imergirdes na Chama, podereis, então, sair e proporcionar esta Felicidade e esta Libertação aos outros. Podeis dar aos famintos a Felicidade que é duradoura, podeis proporcionar aos que estão na prisão da tristeza e da angustia, a visão da Libertação. Não podeis proporcioná-la, somente podeis mostrar-lhes o rumo, porém é o indivíduo que deve lutar para atingi-la. Pois a autoridade pode ser decepada como a arvore; e se não tiver raízes profundas dentro de vós, bem firmadas ao chão, vossa arvore morrera e terá que ser replantada. Se, porém, tiver as raízes bem e firmemente estabelecidas, então, ela brotará e dará tenras folhas e botões e dará mais uma vez sombra. E fazendo-vos a narrativa desta conquista, da Libertação e Felicidade, eu vos acentuarei, a cada um, que não deveis pensar no indivíduo que está falando, porém sim penetrar no interior e examinar a vós próprios. Pelo fato de haver eu encontrado minha Felicidade, por haver encontrado minha tranqüilidade e minha paz, por me haver unido, com o Bem Amado, desejaria que fizésseis o mesmo. E, para fazê-lo, para sentirdes esta união com o Bem Amado, é preciso que haja dentro de vós um coração puro e forte, uma mente desanuviada e tranquila. Como o sol brilha sobre tudo, sobre o lírio e sobre a arvore da floresta, e auxilia tanto a um como a outra a crescer, assim, quando o Bem Amado estiver convosco, crescereis até à vossa mais plena medida, não importando em que estágio de evolução vos encontrais.
Pois tal é o propósito da vida: partir, como centelha de uma Chama, para colher experiência, e, a seu tempo, voltar a juntar-se a essa Chama, afim de que o eu individual seja destruído. Feliz aquele que tiver sido capaz de unir-se com o Bem Amado. Feliz porque será capaz de auxiliar os outros, será capaz de dar de beber águas vivas da vida àqueles que estão, sequiosos, àqueles que necessitam.
Assim, amigo, quero, que verifiqueis exatamente de começo, que a Felicidade não depende de qualquer outro indivíduo, senão de vós próprios. Tem sido meu intenso anseio unir-me com o meu Bem Amado e este anseio foi cumprido porque foi meu propósito desde os dias primitivos. Agora, enquanto, o Bem Amado está convosco, desde que existe a possibilidade de contemplardes essa visão, de manterdes essa visão e bem estabelecê-la dentro de vosso coração, e da vossa mente, quero que deixeis de lado, que destruais todas as coisas que vos separam e assim vos torneis unos com o Bem Amado. Há uma grande oportunidade, existe uma grande possibilidade de conquista para vós, se sentirdes com bastante força e intensidade.
É meu propósito mostra-vos que dentro de vós reside a força, o poder para atingir e estabelecer dentro de vós a Felicidade e a Libertação, de modo que, quando sairdes para o mundo, possais falar com vossa própria autoridade nascida de vossa própria experiência.
Krishnamurti - A Fonte da Sabedoria Palestras realizadas no Acampamento de Ommen, Holanda, de 1926 à 1928








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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)