“Não se pode falar do oceano para um sapo do brejo — criatura de uma esfera mais acanhada. Não se pode falar de um estado isento de pensamento para um pedagogo; sua visão é demasiado restrita”. — Chuang Tzu

Nada pode ser mais ortodoxo do que a mente

A mente é sempre velha. Nunca é nova.

Não pode ser por sua própria natureza, porque a mente significa memória. Como pode a memória ser nova? mente significa o conhecido. Como pode o conhecido ser novo? Olhe para a sua mente; tudo o que ela carrega é velho,  morto. Quando você chega a conhecer um momento, ele já passou. Quando você reconhece que sabe algo, esse algo já se foi. Não está mais aqui e agora. Moveu-se para o mundo da morte.

Portanto, a mente por sua própria natureza, tal como é, já é velha. É por isso que não cria algo original. A mente não consegue ser original, só consegue repetir. Ela pode repetir de mil maneiras, pode repetir cada vez com novas palavras, mas o ponto permanece o mesmo. A mente não tem capacidade para conhecer, para encontrar o frescor, a juventude, o novo. Para encontrar o novo, sua mente tem de ser colocada de lado, pois só assim seus olhos não estarão tapados pelo passado, pelas cinzas do passado; só assim seu espelho poderá refletir o que está aqui e agora.

Tudo o que é novo nasce da consciência, não da mente. A consciência é a sua mais profunda fonte. A mente é a poeira acumulada em cada uma das suas jornadas. É como se você tivesse viajado muitas e muitas vezes, apanhando lama e acumulando pó, sem nunca tomar um banho. E isto é o que lhe tem acontecido. Sua mente nunca tomou um banho. Mas você se apega a ela, a toda essa sujeira. Todos os métodos de meditação nada mais fazem do que lavar a mente, dar um banho, um banho interior, para que a poeira escorra e a consciência que está oculta venha à tona e encontre a realidade.

A realidade está aqui, você está aqui, mas o encontro não acontece porque a mente se interpõe entre você e a realidade. Tudo o que você vê, vê através da mente. Tudo o que você ouve, ouve através da mente. Por isso, está quase surdo, quase cego. Jesus dizia sempre a seus discípulos: “Quem tiver ouvidos, que ouça! Quem tiver olhos, que veja!” Todos eles tinham olhos como os seus. Todos eles tinham ouvidos como os seus. Mas Jesus sabe, como eu sei, o quanto você está surdo, o quando está cego…

Quando uma pessoa ouve pela mente, na verdade, não estão ouvindo porque a mente interpreta, colore, muda, confunde a si mesma, e quando algo chega até você já está velho. A mente já fez o seu truque. A mente já deu o seu próprio sentido, sua própria interpretação. A mente já fez a crítica.

É por isso que, a menos que você se torne um verdadeiro ouvinte, não compreenderá. Ouvir corretamente significa ouvir sem a mente. Olhar verdadeiramente significa olhar sem a mente, sem interpretar, sem julgar, sem condenar, sem avaliar, sem dizer sim ou não. Quando eu converso com você , vejo a sua mente balançando afirmativa ou negativamente. Mesmo que o balançar seja invisível, eu o vejo. Pode ser que você não esteja consciente disso, mas, algumas vezes, ao dizer “sim”, sua mente já interpretou; já avaliou. E você perdeu.

Ouça simplesmente, sem julgar, e de repente, perceberá que a mente tem confundido tudo.

Lembre-se disto: A mente é velha, não pode nunca ser nova. Portanto, não pense nunca que a sua mente é original. Nenhuma mente pode ser original. Todas as mentes são velhas, repetitivas. É por isso que ela gosta tanto das repetições e está sempre contra o novo. Por terem sido criados pela mente, o estado, a civilização, a moral estão sempre contra o novo. Nada pode ser mais ortodoxo do que a mente. 

Com a mente, nenhuma revolução é possível. Se você é um revolucionário através da mente, pare de enganar a si mesmo. Um comunista não pode ser revolucionário porque nunca meditou. Seu comunismo é mental. Apenas trocou de Bíblia: não acredita mais em Jesus, acredita em Marx ou em Mao, a última edição de Marx. O comunista é tão ortodoxo quanto qualquer católico, hindu ou maometano. Seu ortodoxismo é o mesmo porque a ortodoxia não depende do que é acreditado. A ortodoxia depende de se acreditar através da mente. E a mente é o elemento mais ortodoxo, mais conformista do mundo.

Qualquer coisa que a mente crie, nunca será nova, será sempre anti-revolucionária. É por isso que a única revolução possível no mundo é a religiosa, não pode haver outra. Apenas a religião pode ser revolucionária porque só ela chega à própria fonte. Só ela abandona a mente, o velho. Assim, de repente, tudo é novo, porque era a mente que estava tornando tudo velho através de suas interpretações.

De repente, você volta a ser criança. Seus olhos são jovens, inocentes. Você olha sem informações, sem ensinamentos. De repente, as árvores têm um novo frescor, o verde mudou — já não é mais opaco; é vivo, brilhante. De repente, o canto dos pássaros é totalmente diferente.

(…) Só a meditação pode matar a mente — nada mais. A meditação é o suicídio da mente, é a mente cometendo suicídio. Sem qualquer química, sem qualquer meio físico, você põe sua mente de lado. Torna-se o mestre. E quando você é o mestre, tudo é novo. Desde a própria origem até o derradeiro final, tudo é novo, jovem, inocente. A morte não existe, nunca ocorreu neste mundo. A vida é eterna.

(…) O que você tem alcançado pelos pensamentos? Nada mais do que ansiedade, tensão. Entretanto, continua apegado na esperança de que, um dia ou outro, em algum lugar do futuro, a verdade seja alcançada através deles. Até agora, nada assim aconteceu e nunca acontecerá. A verdade nada tem a ver com os pensamentos. Ela está aqui! Basta olhá-la! Não há necessidade de se pensar a respeito. Pensar seria necessário se ela não estivesse aqui, se você estivesse tateando no escuro. Mas, na existência, não existe nenhuma escuridão. A existência é a luz absoluta. Não é preciso tatear. Você está com os olhos fechados, por isso tateia desnecessariamente e pensa: “Se eu parar de tatear, estarei perdido.” Pensar é tatear.

Meditar é abrir os olhos. Meditar é olhar. Os hindus chamam a meditação de darshan, porque darshan significa olhar — olhar diretamente, sem pensar a respeito. O próprio olhar transforma. Mas você carrega os pensamentos nesse velho pote e vai remendando-o, tomando conta dele: se ele se quebrar, o que acontecerá a seus valiosos pensamentos? E, no entanto, eles não são absolutamente valiosos.

Algum dia, faça esta pequena experiência: feche a porta de seu quarto, sente-se e comece a escrever seus próprios pensamentos — tudo o que vier à sua mente. Não os modifique porque você não precisará mostrar esse pedaço de papel a ninguém. Por dez minutos, simplesmente escreva. Depois, olhe. Olhe o que os seus pensamentos são. Se você olhar, pensará que algum maluco os escreveu. Se mostrar esse papel ao seu amigo mais íntimo, ele olhará para você e pensará: “Você ficou louco?” E a situação dele é idêntica à sua.  Mas nós continuamos escondendo a loucura. Temos máscaras atrás das quais escondemos a nossa loucura.

Por que você valoriza tanto esses pensamentos? Eles são drogas, são química. Observe bem: pensar é algo químico, é uma droga. Quando você começa a pensar, entra num tipo de sono hipnótico. É por isso que se torna viciado — é exatamente como o ópio. Com o pensar, você pode esquecer o mundo, os problemas, as responsabilidades. Sonhando, pensando, pode criar um mundo totalmente diferente dentro de si.

(…) Os cientistas dizem que se você for privado de sonhar e de dormir por alguns dias ficará louco, porque a catarse não acontecerá e a loucura começará a entrar em erupção. Explodirá. Durante a noite, você sonha — isso é uma catarse. Durante o dia, você pensa — isso também é uma catarse que contribui para a sua sonolência. É uma droga. Com os pensamentos, não é preciso preocupar-se com o que está acontecendo. Basta fechar-se dentro deles. Os pensamentos são sempre bem-vindos; com eles você se sente confortável: eles são o seu próprio lar, mesmo que estejam sujos e velhos. Depois de viver tanto tempo com eles, você já se acostumou. Já se acostumou com a sua prisão. Isso acontece com os prisioneiros que ficam muito tempo encarcerados: ao sair, sentem medo, sentem medo da liberdade. Sentem medo porque sabem que ela lhes trará novas responsabilidades. E não existe nada como sair da mente — é a liberdade total.

Os hindus dão a esse estado o nome de moksha — liberdade total. Não existe nada que se possa comparar a ele: é o estilhaçamento de todas as prisões. Depois, simplesmente você, sob o céu infinito. O medo o agarra: você quer voltar atrás, para sua casa, para o seu canto aconchegante, murado, protegido. No seu canto, você não tem medo. Nele, o infinito não está presente.

O infinito assemelha-se á morte. Você acostumou-se com o finito, com os limites preciosos, com as distinções delineadas. É por isso que não pode jogar fora os pensamentos, não pode jogar fora o velho pote. Ao invés disso, continua aumentando-o cada vez mais. E ele é exatamente como a sua barriga: quanto mais pensamentos você coloca, mais ele se expande. A única diferença é que a barriga pode arrebentar se você comer demais, mas a mente não.

Uma mente comum pode conter todas as livrarias do mundo. Em sua pequena cabeça, existem setenta milhões de células e cada uma pode conter, pelo menos, um milhão de informações. Nenhum computador foi desenvolvido ainda que possa ser comparado com a sua mente. Em sua pequena cabeça, você carrega o mundo inteiro. E ela continua se expandindo.

OSHO 

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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)