“Assimila o que puderes, das verdades destas páginas — e cria em tua alma uma atmosfera propícia para compreenderes mais, com o correr dos anos e tua progressiva evolução espiritual, que consiste essencialmente na abolição do egoísmo em todos os seus aspectos, e na proclamação de um amor sincero e universal para com todas as criaturas de Deus”. — Huberto Rohden

O que motiva a não aceitação do mundo espiritual?


[...] Deve haver um determinado clima, uma imponderável atmosfera em certas pessoas; e neste ambiente germina com facilidade a semente da certeza espiritual, sem nenhuma argumentação violenta. Em outras pessoas, a mesma semente não brota. 

Será que A é de natureza crédula, emocional, ao passo que B é naturalmente incrédulo, cético? 

Entretanto, a mais profunda razão dessa diferença é outra. 

Um vive habitualmente num clima propício à aceitação do mundo espiritual, e por isso enxerga facilmente os fatos que têm afinidade com a sua atitude positiva; toda a moralidade do seu ser interno, mesmo inconsciente, é favorável à aceitação do fato. O que na verdade, determina o assentimento do homem não é este ou aquele argumento analítico — que não passa de um catalisador, de uma espoleta de ignição, que lança a faísca na massa explosiva preexistente. O interno Eu do homem espiritual é como a lenha seca que pega fogo com a aproximação de uma pequenina chama de fósforo — ao passo que em outra alma essa lenha está muito úmida, e não reage facilmente à ignição da chama. 

Em nossos cursos de filosofia cósmica tenho feito, através de muitos anos, a observação que "compreender" não quer dizer ter ouvido ou lido; "compreender" não é um ato isolado, desconexo, mas supõe uma longa série de atos, até que esses atos formem uma atitude, uma longa cadeia de elos concatenados. Finalmente, quando todo o ambiente está saturado de atitude propícia, surge essa coisa misteriosa e indescritível que se chama "compreensão". 

Essa compreensão não vem de provas, demonstrações, argumentos analíticos — que podem servir de lenha, mas a lenha, por mais seca, não ateia fogo em si mesma. Todos esses preliminares conscientes são necessáriosmas nenhum deles é suficiente para a ignição ou compreensão final. Algo do extraconsciente deve acontecer para que o consciente pegue fogo.

É, pois, de suma importância essa creação de ambiente, porque "quando o discípulo está pronto, o Mestre aparece"...
(Clique no nome do autor para adquirir original do livro deste texto)      

O chute psíquico e o mistério da compreensão


Compreender — que é isto?

Não é apenas inteligir, entender, pensar, analisar. 

É "com-preender" — prender totalmente. 

Compreender é uma tremenda experiência — mortal e vital ao mesmo tempo. 

É um misterioso morrer e nascer. 

É um sofrimento redentor — porque morrer e nascer são sofrimento. 

Sofrimento rumo a uma vida maior...

Ninguém compreende algo de grande sem passar por um grande sofrimento — por um morrer e por um nascer.

Quem não é crucificado, morto e sepultado não pode ressuscitar para uma páscoa de compreensão. 

Quantas vezes defrontamos com esse tenebroso enigma: queremos fazer alguém compreender uma grande verdade, e não o conseguimos; essa verdade o poderia preservar de uma tragédia existencial — mas ele não nos compreende...

Por que não?

Porque ainda não sofreu devidamente as dores de parto — e por isto não pode dar à luz a prole da Verdade redentora. Falta-lhe ainda um fator preliminar — quiçá um grande terremoto, uma tempestade, um incêndio de Pentecostes. E ninguém lhe pode dar esse abalo redentor; terá de vir de dentro dele mesmo...

Para que o homem possa ver as estrelas do céu, tem de descer primeiro às profundezas do inferno, de um inferno de sofrimento, aceito e compreendido... 

Só pelo terrível contraste das trevas é que o homem enxergará a luz. 

Tudo quanto o egoísmo creou de terrífico sobre a face da terra — guerras, devastação, tragédia, miséria, angústias, morte — por tudo isto tem de o homem passar antes que o filho pródigo amadureça para a grande eclosão do reino de Deus. 

Na verdade, o homem só aceita aquilo que ele mesmo sofre e experimenta nas mais profundas profundezas do seu ser; ninguém se converte com bons conselhos de amigos; só o trágico dilema de ser ou não-ser o fará mudar de rumo.

É a crise redentora...

O homem só compreende realmente aquilo que ele mesmo sofreu em angústias mortíferas e salutíferas...

Quando me encontro com um homem assim, redimido pelo sofrimento aceito e compreendido, sinto que estou diante de um novo mundo, de inaudita grandeza e formosura. E não tenho a menor vontade de falar, de analisar, de pensar — só tenho vontade de calar, admirar, gozar, adorar... Vontade de ser deliciosamente...

Um homem assim é um redentor. O seu silencioso ser é muito mais poderoso que todo ruidoso dizer ou fazer de outros. Ninguém se converte por causa de belas palavras, ou elevados pensamentos — só se converte aquele que entrou no campo imantado de um homem divinizado por uma compreensão da Verdade libertadora. 

Ao Tabor — só através do Getsêmane e do Gólgota...

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Da impotência do ego à onipotência do Ser


Toda verdadeira YOGA, meditação, contemplação, ou que outro nome tenha, visa essencialmente a isto: remover de dentro do homem todos os impedimentos e entraves creados pelo seu ego e que lhe vedam realizar a experiência do seu Eu central. O homem que não realiza essa experiência de profundidade, mas se limita ao círculo vicioso das suas periferias, está radicalmente desviado da sua órbita, do seu verdadeiro destino, entregue à tirania do mundo objetivo e às potências do caos, por mais próspera que talvez seja a sua vida terrestre. Abriu falência no plano central da sua verdadeira razão-de-ser. Vitorioso talvez nos secundários, é derrotado no primário.

Somente pela experiência vital do seu centro entra o homem na sua órbita cósmica, que lhe garante harmonia existencial e imortalidade.

De dentro dessa experiência vital do seu Eu central pode o homem crear, também aqui na terra e em todos os setores da vida, um destino feliz e harmonioso; deixa de ser joguete da tirania da causalidade mecânica que rege o mundo inferior, e tornar-se autor e ator da causalidade dinâmica, da auto-determinação do seu livre-arbítrio; passa da velha escravidão da heteronomia para a nova liberdade da autonomia. Verifica que tudo é possível àquele que tem fides, fidelidade a seu verdadeiro Ser, e nada lhe é impossível. Quem liga os seus canais com a Fonte da Onipotência torna-se onipotente por participação.

Nesta nova dimensão da sua vida, experimenta o homem, pela primeira vez, a sua total alteridade em face de todas as coisas do mundo circunjacente; verifica, talvez com jubilosa surpresa, que ele não é uma peça na máquina do mundo objetivo e impessoal que o rodeia; mas que, pelo poder do seu livre-arbítrio, ele está desligado do automatismo escravizante dos objetos externos; nasceu, finalmente, para a onipotência do seu Eu central e morreu para todas as impotências ou semi-potências do seu ego periférico. Verifica que essa onipotência estava sempre dentro dele, mas ele a ignorava — e uma onipotência ignorada funciona como impotência. O que redime o homem de todas as suas misérias tradicionais não é o fato da sua onipotência central, mas é somente a consciência desse fato; não é o fato dormente, mas é o fato plenamente acordado, que é a consciência do fato. A Verdade é universal e onipotente — mas somente o conhecimento consciente da verdade é que liberta o homem de todas as suas escravidões.

E esse conhecimento consciente não é apenas uma análise mental, mas sim uma realização vital. É necessário que o Verbo mental se faça carne vital, cheio de graça e de verdade.

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Ninguém escolhe ter um espírito Outsider

A importância do silêncio e da solidão

[...] A alma desta terapia (cosmoteparia) só pode ser conscientizada em período de profundo silêncio e solidão. Enquanto o homem não tomar a sério o sentido desse silêncio e dessa solidão não haverá cosmoterapia. Todos os grandes iluminados e iniciados, de todos os tempos e países, viveram dias, semanas, meses, e alguns até anos, em profundo e dinâmico silêncio, permitindo que a plenitude cristo-cósmica fluísse para dentro da sua ego-vacuidade. 

Enquanto o nosso pequeno ego pensa, fala e ouve falar, consegue ele sobreviver – mas, quando deixa de pensar, de falar e de ouvir falar, começa a agonizar e, se persistir no silêncio, acabará por se afogar nesse Oceano Pacífico do silêncio redentor. E então, após esse egocídio, pode nascer o Eu crístico, e esse homem pode dizer:

“Eu morri, e é por isto que eu vivo, mas já não sou eu (ego) que vivo, o Cristo (Eu) é que vive em mim”. Eu não sou mais ego-vivente – eu sou Cristo-vivido”...

O ego vive no barulho e do barulho – e morre no silêncio. 

O Eu, sendo Deus no homem, vive no silêncio como a Divindade. Mas esse silêncio é mil vezes mais fecundo que todos os ruídos. Não é um silêncio-vacuidade, é um silêncio-plenitude. Não é um silêncio de ausência, é um silêncio de presença – é a mais poderosa presença, a onipresença cósmica da Infinita Realidade.  

Somente esta poderosa presença da Realidade é que pode realizar o homem. Nunca nenhum homem se realizou a não ser nas profundezas do Silêncio-Realidade. 

Huberto Rohden em, Cosmoterapia

Não faz sentido investir no que chamam de normalidade

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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)


O IMPOPULAR DRAMA OUTSIDER — O encontro direto com a Verdade absoluta parece, então, impossível para uma consciência humana comum, não mística. Não podemos conhecer a realidade ou mesmo provar a existência do mais simples objeto, embora isto seja uma limitação que poucas pessoas compreendem realmente e que muitas até negariam. Mas há entre os seres humanos um tipo de personalidade que, esta sim, compreende essa limitação e que não consegue se contentar com as falsas realidades que nutrem o universo das pessoas comuns. Parece que essas pessoas sentem a necessidade de forjar por si mesmas uma imagem de "alguma coisa" ou do "nada" que se encontra no outro lado de suas linhas telegráficas: uma certa "concepção do ser" e uma certa teoria do "conhecimento". Elas são ATORMENTADAS pelo Incognoscível, queimam de desejo de conhecer o princípio primeiro, almejam agarrar aquilo que se esconde atrás do sombrio espetáculo das coisas. Quando alguém possui esse temperamento, é ávido de conhecer a realidade e deve satisfazer essa fome da melhor forma possível, enganando-a, sem contudo jamais poder saciá-la. — Evelyn Underhill