“Não se pode falar do oceano para um sapo do brejo — criatura de uma esfera mais acanhada. Não se pode falar de um estado isento de pensamento para um pedagogo; sua visão é demasiado restrita”. — Chuang Tzu

Sobre os estados de consciência no homem

Nenhum de vocês notou a coisa mais importante para a qual tenho chamado a sua atenção, ou seja, nenhum de vocês notou  que vocês não se lembram de si mesmos. Vocês não sentem a si mesmos; não estão conscientes de si mesmos. De acordo com vocês, 'algo observa', assim como 'algo fala', 'algo pensa', 'algo ri'. Vocês não sentem: eu observo, eu noto, eu vejo. Tudo ainda 'é notado', 'é visto'. (...) A fim de realmente observar, o indivíduo deve, antes de mais nada, lembrar de si mesmo." (...) 

Nem as funções psíquicas nem as funções físicas do homem podem ser compreendidas, a menos que se tenha aceito o fato de que ambas podem atuar em estados diferentes de consciência. Ao todo há quatro estados de consciência no homem. Mas o homem comum, isto é, o homem número um, número dois e número três, só vive nos dois estados mais inferiores de consciência. Os dois estados mais elevados de consciência lhe são inacessíveis, embora possa ter vislumbres desses estados, é incapaz de compreendê-los e julga-os a partir do ponto de vista daqueles estados em que, habitualmente, permanece.

Os dois estados de consciência comuns, isto é, os mais inferiores, são, primeiro, o sono, ou seja, o estado passivo no qual o homem passa a terça parte e, muitas vezes, a metade de sua vida. E, segundo, o estado no qual os homens os homens passam a outra parte de suas vidas, no qual caminham pelas ruas, escrevem livros, discutem assuntos elevados, participam da política, matam-se uns aos outros; um estado que eles consideram ativo e chamam de 'consciência límpida' ou 'estado desperto de consciência' parece ter sido dada por brincadeira, especialmente quando se percebe o que deveria ser, na realidade, uma consciência límpida e qual é realmente o estado no qual o homem vive e age. 

O terceiro estado de consciência é a lembrança de si mesmo, a autoconsciência ou consciência do próprio ser. É comum considerar que temos esse estado de consciência ou que, se o desejarmos, poderemos tê-lo. Nossa ciência e nossa filosofia não se deram conta do fato de que não temos esse estado de consciência e de que não podemos criá-lo em nós mesmos simplesmente por um desejo ou decisão nossa. 

O quarto estado de consciência chama-se o estado objetivo de consciência. Nesse estado, o homem pode ver as coisas como elas realmente são. Vislumbres desse estado de consciência também ocorrem no homem. Nas religiões de todas as nações há indicações da possibilidade de um estado de consciência desse tipo, que é chamado de 'iluminação' e de vários outros nomes, mas que não pode ser descrito em palavras. No entanto, o único caminho real para a consciência objetiva é através do desenvolvimento da autoconsciência. Se um homem comum for artificialmente conduzido a um estado de consciência objetiva e, mais tarde, for trazido de volta ao seu estado habitual, ele não se lembrará de nada e pensará que, por um momento, perdera a consciência. No estado de autoconsciência, porém, o homem pode ter vislumbres da consciência objetiva e relembrá-los. 

No homem, o quarto estado de consciência significa um estado de ser completamente diferente; é o resultado de um crescimento interior e de um longo e difícil trabalho consigo mesmo. 

O terceiro estado de consciência, contudo, constitui o direito natural do homem tal como ele é e, se o homem não o possuí, isso se deve apenas às condições impróprias de sua vida. Pode-se afirmar, sem nenhum exagero, que, na época atual, o terceiro estado de consciência só se manifesta no homem sob a forma de vislumbramento muito raros e que só pode se tornar mais ou menos permanente nele mediante um treinamento especial. 

Para a grande maioria das pessoas, mesmo cultas e intelectuais, o principal obstáculo no caminho da aquisição da autoconsciência está no fato de pensarem que elas o possuem, isto é, que possuem a autoconsciência e tudo que se relaciona com ela; a individualidade no sentido de um eu permanente e imutável, a vontade, a capacidade de fazer e assim por diante. É evidente que um homem não ficará interessado se você lhe disser que ele poderá adquirir, através de um longo e difícil trabalho, uma coisa que, na opinião dele, ele já possui. Pelo contrário, pensará que você ou ficou louco ou quer enganá-lo com vista a algum lucro pessoal. 

Os dois estados de consciência mais elevados, — a 'autoconsciência' e a 'consciência objetiva' — estão relacionados com o funcionamento dos centros superiores no homem. 

Além desses centros que falamos até agora, há dois outros centros no homem, o 'emocional superior' e o do 'pensamento superior'. Esses centros estão em nós; eles se encontram completamente desenvolvidos e atuam o tempo todo, mas sua atividade não consegue alcançar a consciência comum. A causa disso reside nas propriedades especiais de nossa suposta 'consciência límpida'. (...)

Gurdjieff em, In Search of the Miraculous, de P.D. Ouspensky
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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)