“Assimila o que puderes, das verdades destas páginas — e cria em tua alma uma atmosfera propícia para compreenderes mais, com o correr dos anos e tua progressiva evolução espiritual, que consiste essencialmente na abolição do egoísmo em todos os seus aspectos, e na proclamação de um amor sincero e universal para com todas as criaturas de Deus”. — Huberto Rohden

Osho fala sobre a morte de Krishnamurti

Jiddu Krishnamurti morreu segunda-feira passada, em Ojai, na califórnia. No passado você falou dele como um ser iluminado. Você poderia, por favor, comentar sobre a sua morte?

“a morte de um ser iluminado como j. Krishnamurti não é algo para se estar triste é algo a ser comemorado com músicas e danças. É um momento de regozijo.

Sua morte não é uma morte. Ele conhece a sua imortalidade. A sua morte é apenas a morte do corpo como organismo. Mas Jiddu Krishnamurti vai continuar a viver na consciência universal, para sempre e sempre.

Apenas três dias antes de Jiddu Krishnamurti ter morrido, um dos meus amigos estava com ele e me informou que as suas palavras para ele foram muito estranhas. Jiddu Krishnamurti estava muito triste e ele simplesmente disse uma coisa: "eu perdi a minha vida. As pessoas estavam me ouvindo como se eu fosse um entretenimento".

O místico é uma revolução, ele não é um entretenimento.

Se você o ouvir, se você o deixar, se você abrir as portas para ele, ele é puro fogo. Ele vai queimar tudo que é lixo em você, tudo que é velho em você, ele vai transformá-lo, purificá-lo em um novo ser humano. É arriscado permitir o fogo queimar seu ser, ao invés de abrir as portas, você imediatamente fecha todas as portas.

Mas entretenimento é outra coisa. Ele não transforma você. Ele não o torna mais consciente, ao contrário, ele ajuda você a ficar mais inconsciente por duas, três horas, para que você possa esquecer todos os seus medos, preocupações, ansiedades, de modo que você pode se perder no entretenimento. Você pode notar isso: como o ser humano vem passando através dos séculos, ele conseguiu criar mais e mais entretenimento, porque ele precisa cada vez mais estar inconsciente.

Ele tem medo de ser consciente, porque estar consciente significa passar por uma metamorfose, uma transmutação, uma transformação.

Eu fiquei mais chocado com a notícia do que com a morte. Um homem como Jiddu Krishnamurti morre e os jornais não têm espaço para se dedicar a esse homem que durante 90 anos continuamente veio ajudar a humanidade a ser mais inteligente, a ser mais madura. Ninguém trabalhou tão duro e por tanto tempo. Foi publicada apenas uma notícia pequena, imperceptível e se um político espirra ele faz manchetes."

Osho

Todos nascem livres, porém morrem em cativeiro

No início de tua vida és totalmente desprendido e natural mas, depois, entra a sociedade, surgem as regras e os regulamentos, a moralidade, a disciplina e muitos tipos de treinamento. Assim, o desprendimento e a naturalidade, bem como o ser espontâneo, estão perdidos.

Cada qual começa a reunir em torno de si uma espécie de armadura.

Cada qual começa a tornar-se mais rígido. A suavidade interior já não mais é visível. Na fronteira do ser cada qual cria um fenômeno parecido a uma fortaleza para se defender, para não ser vulnerável, para reagir, para ter segurança: a liberdade de ser está perdida.

Cada qual começa a olhar nos olhos do outro: sua aprovação, suas negações, suas condenações, suas apreciações vão se tornando cada vez mais valiosas.

“Os outros” torna-se o critério e todos passam a imitar e a seguir os outros, porque todos temos de viver uns com os outros.

A criança é muito maleável, pode ser modelada de qualquer maneira e a sociedade começa a modelá-la: os pais, os professores, a escola.

Aos poucos, ela se torna um caráter, e não um ser. Aprende todas as regras, ou se torna um conformista, o que também é cativeiro, ou se faz rebelde, o que é uma outra espécie de cativeiro.Se transformar-se num conformista, ortodoxo, quadrado, estará presa a uma qualidade de cativeiro, pode reagir, tornar-se um hippie, ir ao outro extremo, mas ainda permanecerá preso a outro um tipo de cativeiro - porque a reação depende da mesma coisa contra a qual reage.

Podes ir ao mais longínquo ponto do mundo, mas, bem no fundo da mente, tu te estarás rebelando contra as mesmas regras. Outros as seguem, tu reages, mas o foco permanece centrado nelas. Reacionários ou revolucionários, todos viajam no mesmo barco. Podem estar uns contra os outros, costas contra costas, mas o barco é o mesmo.

( Osho )

Bem-aventurada seja nossa essência Outsider

Qual o preço que você paga pela sua liberdade?

A liberdade para comandar a vida à sua própria maneira

À medida que desenvolve mais inteligência e percepções mais sutis, ele deixa de ser mero fantoche convencional e se transforma, finalmente, numa pessoa real.

Se o que busca não encontra ninguém em suas relações, contatos ou sociedade próximo o bastante de seu nível de interesses espirituais, deve aceitar sua solidão, pois escolheu afastar-se da preocupação comum. Porque, para ser um filósofo atuante, o homem deve seguir seu próprio caminho. Essa exigência de individualidade requer coragem e sabedoria. Se lhe faltar conhecimento superior, percepção intuitiva e intelecto — cuja combinação é sabedoria — deverá então procurar desenvolvê-los, e isso exige trabalho. No meio tempo, pode obter ajuda de guias pessoais e livros superiores. Sem sabedoria, ou, ao menos, sem um esforço genuíno em direção a ela, sua trajetória será mal estabelecida, e ele pode chegar ao desastre.

Afastar-se da vida comunitária sectária e caminhar sozinho requer qualidades que só uns poucos possuem. Há, nessa vida, segurança, conforto, apoio moral e material. Para ser capaz de abandonar essas coisas o homem deve ter um forte anseio anterior, assim como uma percepção clara e permanente do significado da filosofia.

O fraco não pode trilhar esse caminho. O homem precisa de força para seguir o que sua intuição profunda lhe diz para seguir, principalmente quando isso se afasta do supostamente racional e do socialmente convencional. Se sua atitude ou ação defronta-se com a crítica ou com a oposição, o que isso significa para ele? Não lhe cabe responder pelo que as outras pessoas pensam a seu respeito. Isso é de responsabilidade delas. Cabe-lhe responder apenas por aquilo que ele mesmo pensa ou faz.

Apenas o homem que tem a paixão de chegar à certeza da verdade, que tem a coragem de sustentar pontos de vista não-ortodoxos e de chegar a conclusões independentes, que vive num clima de pensamento original, e para quem a acusação de heresia não é acusação alguma, está apto a encontrar o caminho da verdade.

Seu dever é agir como pioneiros; mas, para serem pioneiros bem-sucedidos, precisam de coragem para esquecer ideias gastas e libertar-se de tradições moribundas, para ficar à altura das novas condições que estão surgindo. Nesse sentido, a sugestão de que seria também um dever cooperar com movimentos espirituais existentes seria aceitável se fosse praticável; mas a experiência mostrará que a maioria desses movimentos é incapaz de penetrar aquela profunda unidade de corações, a única que pode garantir o êxito de qualquer união externa. Tal plano terminaria em fracasso, e é melhor que elas sigam o seu caminho independente, do que desperdicem tempo e energia tentando o que não pode ser conseguido e não é realmente necessário.

A liberdade para comandar a vida à sua própria maneira é conquistada apenas quando ele consegue o destemor de desconsiderar a crítica e ignorar as expectativas de outras pessoas.

O que queremos dizer é que o homem moderno tem que se tornar mais auto-confiante, tem que jogar fora os restos da consciência tribal que ainda o regem, tem que aprender a pensar por si mesmo.
Seu desejo de expressar personalidade, caráter e pontos de vista individuais deve ser respeitado desde que não os tente impor aos demais de maneira agressiva ou tirânica.

Não é necessário ser grosseiro ou irritável para ser um individualista. Pode-se ser afável, bem-humorado, educado e gentil — e até mesmo radiante de boa vontade. É toda uma questão de equilíbrio interior.

Ele deve recusar-se a violar sua integridade intelectual ou a sacrificar sua independência espiritual.

Se ele é incapaz de continuar nesse busca sem a associação, o encorajamento ou a simpatia de outros que também a seguem, então é melhor não a iniciar, pois é óbvio que ainda não está preparado para ela e não sabe apreciar suficientemente seus valores.

Ele deve tentar manter sua vida em suas mãos se quer mantê-la livre das influências que afastariam os ideais que ele se propôs, especialmente, a seguir. Se ele dá valor à liberdade, deve recusar-se a se colocar numa posição em que seja obrigado a fazer eco aos pontos de vista daqueles que não compartilham de suas ideias. Pode ter que escolher entre as provações de uma independência resoluta e as tentações de uma segurança debilitante.

É preciso força mental ou poder mental para recusar o apoio gregário da massa — seja ela uma igreja sectária, um grupo místico ou alguma outra combinação. É preciso fé em si mesmo e coragem para resistir à influência dos outros e ser um indivíduo.

Ele não pode adequar-se mentalmente a nenhuma das categorias aceitas, que a sociedade local e de seu tempo fornece, e então um caminho independente e solitário o atrai. Fisicamente, pode fazer um acordo incômodo com a sociedade, de forma que ambos se beneficiem de serviços mútuos. Assim, sem cometer violência contra seus princípios mais importantes, ele pode descobrir uma maneira de viver entre os que não veem nenhuma utilidade neles.


Paul Brunton

Por que o paradigma holotrópico trabalha com vários mestres?

Dê às boas vindas à verdade em qualquer horizonte em que ele apareça, procure-a nas quatro direções, sem deixar de ir a nenhuma. Em suma, não se torne fanático e de mente estreita. 

Em qualquer lugar onde você encontrar a verdade, seja qual for o nome com que seja rotulada, aceite-a. 

Em seus esforços por uma vida melhor, aceite de boa vontade a ajuda que lhe vem de qualquer forma correta. 

Seja sempre receptivo às ideias e práticas que possam enriquecer as que já conhece. 

Nenhum caminho único leva, por si só, à verdade total. 

Não existe um grupo que tenha o monopólio da verdade, pois seu reconhecimento é uma experiência universal. Recusemo-nos a ouvir os que insistem em viajar por um único caminho, e apenas por ele. 

A verdade não está confinada a nenhuma seita, mas seus fragmentos podem ser encontrados espalhados por aqui e ali. 

Podemos aprender de tudo e de todos, de todos os acontecimentos e ocorrências, algo novo ou uma confirmação do que é velho, algo afirmativo ou algo negativo. 

Quando o instrutor de um ensinamento, um livro ou um exercício é usado como expressão indireta do movimento do próprio Eu Superior para libertar a graça, então é uma completa cegueira condená-lo como falso. 

Por que limitar a ajuda que você está querendo receber a uma única direção? Todos os homens são seus instrutores. A verdade, sendo infinita, possui um infinito número de aspectos. Cada guia espiritual tem a tendência de enfatizar apenas alguns e a negligenciar os outros. 

A inspiração manifestou-se em muitas terras e em diferentes formas, através de séculos distantes e de vários tipos de canais. Por que limitar a cultura a uma contribuição, uma terra, uma forma, um século ou a um só canal? Isso se aplica não só à cultura intelectual e artística, mas também ao seu aspecto religioso. Podemos ir ainda mais adiante nessa questão, e aplicar a mesma ideia aos gurus. Devemos ficar sempre atracados a um único guru? Não podemos, também, respeitar, apreciar, honrar, venerar outros gurus, e deles receber luz? 

"Estude tudo, mas não se vincule a nada", é o melhor conselho. Mas que pena! Os entusiastas ingênuos raramente o ouvem. 

Guarde com teimosia seu território e empunhe a bandeira da independência na busca da verdade, do não-compromisso no relacionamento com os instrutores da verdade. Humilde e alegremente, aceite todo o bem que possa encontrar em seus ensinamentos, mas não faça isso sob um contrato ou voto que o obrigue a tornar-se discípulo. Nesse assunto seja cético, pegando o melhor de cada fonte disponível e não excluindo nenhuma que tenha algo de útil a oferecer.

Aprenda algumas das verdades básicas que cada sistema contém sem se identificar com o próprio sistema. Mantenha a mente aberta e livre para adquirir ideias e práticas valiosas de outras culturas, e evite a atitude fechada, sectária. 

Libertar-se da estreiteza autoritária, convencional e sectária é olhar cada livro inspirado como uma bíblia. 

Essa posição isolada, fora de grupos e rótulos, oferece esta vantagem: o indivíduo é capaz de aproveitar de tudo, aceitar e reconciliar fragmentos de ensinamentos radicalmente diferentes e aparentemente contraditórios. 

Aceite, de todos os ensinamentos, tudo o que tenha valor para você pessoalmente, em seu atual estado mental, e descarte o resto. Esse é o caminho eclético, melhor que o caminho mais comum, que é entrar numa prisão doutrinária única e permanecer nela. Hesite muito antes de se comprometer e ingressar nesta ou naquela organização. Lembre-se de que existem vários aspectos da verdade, e de que pode valer a pena manter-se livre para aprender alguma coisa desses outros aspectos. 

Recomendo sempre àqueles que se sentem fortes o bastante para isso, que evitem entrar em alguma organização, que mantenha sua liberdade, enquanto ao mesmo tempo estudem as doutrinas de quaisquer que sejam as organizações que lhes interessem, de quaisquer que sejam as religiões que lhes chamem a atenção. Essa liberdade torna-os capazes de ter vista para todos os lugares, de estudar de tudo, de questionar corajosamente, de manter a amplitude de visão, a profundeza de pensamento. 

Só essa independência pode alcançar o novo sem perder o que tem valor no velho; todos os outros caminhos são comprometidos, limitados, cativos. 

Permanecendo abertos às verdades de diferentes fontes e juntando-as como mosaicos, chegamos, ao final, a algum tipo de padrão.

Paul Brunton em, A Busca

O "normal", não deve ser tomado como o verdadeiro padrão

A necessidade individual de escapar do formalismo rígido para a liberdade intelectual vem somente a uma minoria. Mas é dessa minoria que emergem os que realmente procuram a Verdade.

Não assumindo uma posição teórica, não se comprometendo com nenhuma crença, não usando nenhum rótulo, não se colocando em nenhuma categoria, o estudante de filosofia inicia sua procura pela Verdade em liberdade intelectual e termina-a em liberdade pessoal interior. Ele é, então, o que é

Ele se recusou a submeter-se ao próprio ego apenas para submeter-se ao da sociedade? Deve conformar-se ao mundo e aos caminhos do mundo por medo da opinião do mundo a seu respeito? Terá coragem suficiente para rejeitar as ideias religiosas de seu vizinho, mas não para resistir aos hábitos tolos de seu vizinho? 

Se um homem não consegue encontrar na sociedade os padrões adequados a seu caráter, deve, então encontrar os seus próprios padrões. É isso que o transforma em alguém que busca. 

Um homem deve permanecer em sua própria órbita e tirar suas diretrizes de seu interior. Se, por medo da solidão, por intimidação ou por sugestão, juntar-se aos grandes grupos de seu tempo, não chegará ao melhor de si mesmo.

Enquanto tantos homens vivem em erro e comprometidos com o que é incorreto, meramente porque isso foi estabelecido pela tradição ou pelo costume, alguns poucos devem fazer aquilo que é maior e mais nobre, seguindo um audacioso não-conformismo. 

Sem fazer alarde e evitando atritos desnecessários, ele pode seguir seu caminho independente e escolher suas próprias metas.

O comum, o "normal", não deve ser tomado como o verdadeiro padrão. 

Ele deve andar em seu próprio passo, e não no trote apressado da sociedade. Ele deve escolher sua própria estrada, e não a mais percorrida. O modo de vida de seus vizinhos não lhe serve e, então, deve agir diferente. Ele sente o desejo de se transformar criativamente em algo melhor do que é agora, algo mais nobre, mais sábio e mais perceptivo. Mas seus vizinhos não tem esse desejo, estão satisfeitos com uma existência estática. 

Ele deve estar disposto, e até mesmo determinado, a pensar diferentemente daqueles que estão à sua volta. E como pode ser de outra forma, se sua meta também é diferente? 

Enquanto uma conversação é razoável e útil, ele a respeita, mas quando ela se transforma numa formalidade vazia ou numa pomposidade inflada, não mais.

Ele deve aceitar o fato de que não é, e não quer ser, como a maioria das pessoas.

A pessoa superior tem sempre uma escolha diante de si: deve viver da maneira que os outros vivem para agradá-los ou deve viver da maneira que seus próprios padrões exigem? Se deixa que eles a derrubem, perde o que levou muitos, muitos anos para desenvolver. Em algum lugar, em algum ponto, deve tomar sua posição, deve fincar os pés e recusar-se a mover-se dali.

Quando um homem se afasta dos falsos padrões estabelecidos pelo materialismo, entra em conflito com as convenções mutilantes de sua época.

Quase todos os homens vivem prisioneiros de ideias que nem mesmo são suas, mas que lhes foram sugeridas por outros. O pensamento independente é raro.

Onde está o homem que tem seu próprio eu, e não um eu criado pelos outros? A hereditariedade e o ambiente, a sociedade e a sugestão, a convenção e a educação contribuem poderosamente para formar um "eu" que não é o seu próprio "eu", para fabricar um pseudo-indivíduo que não é ele mesmo, mas que passa por ele. 

Onde está a pessoa capaz de cultivar sua própria inteligência sem ser condicionado pelas ideias e exemplos introduzidos nela por seu ambiente ou suas leituras, por sua religião ou sua família, por sua tradição social ou pelos medos e desejos pessoais relacionados aos outros? São os outros, do passado morto ou do presente vivo, que a aprisionam, parcial ou totalmente, em seus pensamentos e imaginações, seus conflitos.

À medida que penetra mais e mais em si mesmo, suas ações particulares tornam-se mais e mais independentes das sugestões de outras pessoas, e resistentes à sua influência.

Uma vida interior não inteiramente dirigida por outra pessoa ou não inteiramente dependente de outra pessoa é uma vida adulta. Ninguém é adulto enquanto busca aprovação dos outros para suas ações ou se encolhe diante de sua desaprovação.

Não temos que aceitar todos os encargos que os outros tentam colocar sobre nossos ombros. Somos livres para escolher e ter certeza de que não estamos meramente subjugando nosso próprio ego ao de outra pessoa. 

Ele não deve permitir-se ficar preso pelos outros em contatos passados que já cumpriram seu objetivo e que, agora, só vão limitá-lo. 

Essa liberdade de procurar e encontrar a verdade, bem como selecionar seu próprio caminho de aproximação a ela, é uma prerrogativa preciosa.

Deixe que os outros sigam qualquer caminho que os atraia, mas não deixe que lhe imponha esse caminho se você não sente nenhuma afinidade por ele.

Ele não está mais disposto a ceder às exigências do mundo por lealdade, por conformismo, por submissão. Está recuperando sua identidade individual e está determinado a mantê-la.

É ao Eu Superior que ele deve consagrar sua fidelidade última.

Paul Brunton

Áudios do Prof. Huberto Rohden

Educação para Gaia


A educação Gaia foi tema desse Papo Supren, que teve como entrevistados o Psicólogo Marco Aurélio Bilibio e o reitor da UniPaz, Roberto Crema.

Dissolvendo as bolhas da normose


Palestra de Lama Padma Samten e Roberto Crema

Não acreditamos na força do silêncio e do reverberar


Por que você não consegue ser um não-fazedor?

A mente é uma fazedora. Observe sua própria mente e você compreenderá. O que estou dizendo não é uma declaração filosófica, é simplesmente um fato. Não estou propondo nenhuma teoria para você acreditar ou desacreditar, mas alguma coisa que você pode observar em seu próprio ser. E você verá isto, sempre que estiver só, você imediatamente começa a procurar: alguma coisa tem que ser feita, você tem que ir a algum lugar, você tem que ver alguém. Você não consegue estar só. Você não consegue ser um não-fazedor.

Fazer é o processo pelo qual a mente é criada; ela é um fazer condensado. Conseqüentemente, meditação significa um estado de não-fazer. Se você puder sentar silenciosamente, nada fazendo, de repente você estará de volta para casa. De repente você verá a sua face original, a fonte. E esta fonte é satchitanand: verdade, consciência e felicidade, chame isto Deus, ou nirvana, ou o que você quiser.

Do ser ao fazer, e do fazer ao ter, é como a consciência de Adão chega ao mundo. Mover-se de volta, do ter ao fazer, e do fazer ao ser, é o que significa consciência de Cristo. Mas os Sufis têm uma mensagem tremendamente significante para o mundo. Eles dizem que o homem perfeito é aquele que é capaz de se mover do ser ao fazer, ao ter, ao fazer e ao ser, e assim por diante. Quando o círculo está perfeito, então o homem é perfeito.

A pessoa deve ser capaz de fazer. Não estou dizendo que você deve tornar-se incapaz de fazer; isso não tem valor algum, isso simplesmente é impotência. Você deve ser capaz de fazer, mas não deve ficar absorvido nisto. Você não deve ficar envolvido no fazer, não deve ficar possuído por isto; você deve permanecer o senhor da situação.

E não estou dizendo que tudo o que você tem terá que ser abandonado, não estou lhe dizendo para renunciar a tudo o que você possui. Use, mas não seja usado pelo que possui, isso é tudo. Assim nasce o homem perfeito."

( Osho )

O momento crucial no Paradigma Holotrópico

Quando a mente pessoal é despojada de suas memórias e expectativas, quando todas as impressões dos sentidos e pensamentos se desprendem dela inteiramente, ela entra então na esfera do Nada, vazio e inominável.(...)

Um fato extraordinário e útil é que, fazendo da Mente o objeto de nossa atenção, não só a serenidade, que é a sua natureza, começa a surgir por si mesma, como também o seu próprio caráter imutável e firme ajuda espontaneamente a repelir todos os pensamentos perturbadores. 

Tudo o que o aspirante sabe e experimenta são coisas deste mundo dos cinco sentidos. O Eu Superior não está dentro da sua esfera de operação e, portanto, não está destinado a ser conhecido e vivenciado da mesma forma. Eis porque ingressar nele pela primeira vez tem de ser, necessariamente, o mesmo que ingressar no nada. O fenômeno e os enlevos místicos só acontecem na jornada para esse vazio. 

Quando o aspirante atinge o estado de vazio, todos os pensamentos cessam, porque então o PENSAMENTO PURO se pensa sozinho. 

O que aqui chamamos de Vazio, segundo a tradição mongólico-tibetana, não é diferente do que o espanhol São João da Cruz chamou de "completo desapego e vacuidade de espírito". Trata-se de banir da mente todas as impressões, de eliminar toda experiência lembrada ou imaginada, de rejeitar toda ideia que, mesmo psiquicamente, se refira aos cinco sentidos e ao ego; finalmente, trata-se de uma perda de identidade pessoal.

Podemos perceber agora uma razão adicional para explicar por que todos os grandes instrutores prescreveram a negação de si mesmo, pois nesse ponto crucial de concentração aperfeiçoada, quando os sentidos estão quietos e o mundo exterior parece remoto, o místico deve renunciar aos seus pensamentos em favor do PENSAMENTO PURO. Ele pode fazer isso somente através de um ato de rendição, que permite que todo o seu senso de personalidade — tudo o que constitui o que ele acreditava ser o "eu" — saia da sua mente como o último de seus pensamentos, para desvanecer num Vazio. Ele deve dar um salto abrupto, penetrando na identificação de si mesmo com o Pensamento sem pensamento, impessoal, puro, e amplo. Ele tem de desistir do último de todos os pensamentos — que é o pensamento do "eu" — e aceitar em troca o que quer que possa vir a ele do grande Desconhecido. O medo de que, com esse salto, ele possa ameaçar de tal modo sua própria vida que venha a mergulhar em completa aniquilação surge e domina-o por um tempo. Isso naturalmente faz com que ele se agarre ainda mais ao seu sentido de personalidade. Por que então admirar-nos de que todo estudante se retraia dessa ordem?

Os estudantes recuam amedrontados ante o conceito de um grande vazio, que não lhes deixa nada, humano ou divino, a que possam agarrar-se. Quanto mais irão recuar, não diante de um mero conceito, mas de uma experiência verdadeira pela qual têm de passar pessoalmente! No entanto, isso é um acontecimento que, embora não seja o último caminho supremo, ultramístico, os estudantes não podem evitar nem dele escapar. Essa é uma prova que deve ser suportada, ainda que para o estudante que se tenha resignado à aceitação da verdade, qualquer que seja a face que ela apresente — e que, consequentemente, já compreendeu o vazio intelectual tanto da Matéria quanto da Personalidade — essa experiência não assumirá a forma de uma prova, mas sim de uma aventura. Depois dessa rara compreensão, ELE EMERGIRÁ COMO UM HOMEM DIFERENTE. Daí em diante saberá que nada que tenha um formato, ninguém que possua uma forma, nenhuma voz, exceto aquela que não tenha som, jamais poderá ajudá-lo de novo. Ele saberá que toda a sua confiança, toda a sua esperança e todo o seu coração estão agora e para todo o sempre destinados a se renderem incondicionalmente a esse VAZIO que, misteriosamente, não será mais um VAZIO para ele, PORQUE ESSE VAZIO É DEUS.

Paul Brunton

Aviso aos navegantes

Se o ego puder enganar o aspirante a ponto de desviá-lo da questão central de sua própria destruição para alguma questão lateral menos importante, certamente o fará. O número de êxitos nesse esforço é muito maior que os fracassos. Poucos escapam de serem enganados. O ego usa os meios mais sutis para se inserir no pensamento e na vida do aspirante. Trapaceia, engana, exalta e avilta-o alternadamente; basta que ele o permita. Anatole France escreveu que é na habilidade de enganar a si mesmo que se revela o maior talento. É um hábito constante e uma reação instintiva defender o ego contra a evidência dos resultados infelizes de sua própria atividade. O aspirante precisará resguardar-se disso repetidamente, pois os próprios poderes do ego são pateticamente inadequados, e sua própria capacidade de prever está visivelmente ausente.(...)

A força adversa presente no seu ego tentará continuamente afastá-lo da concentração positiva no PURO SER, levando-o, pela curiosidade, à consideração negativa de TÓPICOS INFERIORES. Cada vez você deve tornar-se alerta para o que está acontecendo, para a mudança de tendências, e deve RESISTIR IMEDIATAMENTE. Desse conflito exaustivo, nascerá finalmente uma nova força interior, se for bem sucedido, mas apenas mais fraqueza mental, se falhar, porque a meditação é poderosamente criativa. (...)

Se o aspirante deseja entrar no estágio da contemplação, deve deixar ir embora cada pensamento à medida que surge, não importa quão elevado ou sagrado pareça, porque é certo que trará na sua esteira uma sucessão de pensamentos. Por mais interessantes ou atraentes que esses caminhos secundários possam ser em outros momentos, agora eles são apenas isto: CAMINHOS SECUNDÁRIOS. O aspirante deve buscar estritamente o Vazio.

Paul Brunton

Sobre o natural estado de isolamento

O filósofo aceita seu isolamento predestinado não apenas porque essa deve ser a sua posição, mas também porque sua presença física desperta sentimentos negativos no coração das pessoas comuns, da mesma forma que desperta sentimentos positivos no coração de certos aspirantes. Os sentimentos negativos podem cobrir toda uma gama, desde confusão, desnorteamento e suspeita, até medo, oposição e inimizade direta. Os positivos podem ir desde a atração instintiva até a disposição de sacrificar a vida à sua defesa ou serviço. Todos esses sentimentos surgem de modo espontâneo, irracional e instintivo. E nada têm a ver com o fato de o filósofo ter ou não ter revelado sua verdadeira identidade pessoal. Isso ocorre porque esses sentimentos são a consequência do fato de sua aura impingir-se psiquicamente à dos outros. O contato é invisível e não se manifesta no mundo físico, mas é muito real no mundo mental-emocional. Trata-se realmente de uma experiência psíquica para ambos: clara, precisa e corretamente compreendida pelo filósofo; vaga, perturbadora e totalmente incompreendida pelas pessoas comuns e pelos pseudobuscadores. É uma experiência tanto psíquica quanto mística para os que genuinamente buscam, e com os quais o filósofo tenha alguma afinidade interior, o alegre reconhecimento de um Irmão Mais Velho muito venerado e há muito perdido. Infelizmente, a despeito da generosa compaixão e da enorme boa vontade que ele reserva dentro do coração por todos igualmente, são os contatos desagradáveis que somam o maior número, sempre que o filósofo desce ao mundo. Que não o culpem se ele prefere a solidão à sociedade, pois nada pode fazer a respeito disso. As pessoas são o que são. Na maioria das vezes, quando tenta ser-lhes agradável, como se ambos pertencessem ao mesmo nível espiritual, ele fracassa. Aprende, um tanto exaustivamente, a aceitar como inevitáveis o seu próprio isolamento e a limitação das pessoas, e, no atual estágio da evolução humana, inalteráveis. Aprende, também, que é fútil desejar que essas pessoas sejam diferentes. 

A paz da qual o filósofo se tornou herdeiro não é um descanso das outras atividades que abandonou, descanso no qual só pensa em si mesmo, mas um divino estado de alerta que subsiste sob as novas atividades que aceita.

Paul Brunton em, Ideias em perspectiva

A mente opressora mantém a consciência oprimida


O vegetarianismo é um sub-produto da meditação

Amado Osho, por que todos seus discípulos são vegetarianos?

Meus discípulos são vegetarianos não como um culto, não como uma crença, mas porque suas meditações os tornam mais humanos, mais do coração, e eles podem perceber toda a estupidez que é matar seres sensíveis para comer. É a sensibilidade deles, a consciência estética que os tornam vegetarianos.

Não ensino o vegetarianismo, pois ele é um sub-produto da meditação. Sempre que a meditação aconteceu, as pessoas se tornaram vegetarianas, sempre, por milhares de anos.

Os jainistas são vegetarianos há milhares de anos. Você precisa saber que todos seus 24 mestres vieram da casta de guerreiros. Todos eles comiam carne; eles eram guerreiros profissionais. O que aconteceu com essas pessoas? A meditação transformou toda a visão delas. Não apenas suas espadas caíram de suas mãos juntamente com seu espírito guerreiro, mas um novo fenômeno começou a acontecer: um tremendo sentimento de amor para com a existência. Elas se tornaram absolutamente unas com o todo, e o vegetarianismo é apenas uma pequena parte dessa grande revolução. O mesmo aconteceu com o budismo.

O cristianismo, o islamismo e o judaísmo não são vegetarianos pela simples razão de que essas religiões nunca se depararam com a revolução que a meditação traz. Elas nunca se deram conta da meditação.

O vegetarianismo não é minha filosofia, mas simplesmente um sub-produto. Não insisto nele, mas insisto na meditação. Seja mais alerta, mais silencioso, mais alegre, mas extasiado e encontre seu centro mais profundo. Com isso, muitas coisas seguirão por si mesmas e, vindo por si mesmas, não há repressão, não há luta, não há esforço, não há tortura.

Para mim, a meditação é a única religião essencial, e tudo o que segue é virtude, pois vem espontaneamente. Não tenho nada com o vegetarianismo, mas sei que, se você meditar, crescerá em você nova perceptividade e sensibilidade e você não poderá contribuir com a morte de animais.

Há milhões de pessoas que nunca pensaram no vegetarianismo. Desde a infância elas contribuem com o assassinato de animais. Isso não é diferente do canibalismo. E, desde Charles Darwin, é um fato absolutamente científico que o ser humano evoluiu dos animais; então, você está matando seus próprios antepassados, e os devorando com alegria. Não faça algo tão maldoso!

A meditação lentamente lhe traz de volta sua sensibilidade, e essa sensibilidade torna meu povo vegetariano. Isso é um ganho, e não uma perda.

A humanidade perdeu seu coração, e precisamos trazê-lo de volta a todos que o desejam. Esse é o significado do meu sannyas.

From Death to Deathlessness, capítulo 32, questão 3

Sobre o nosso medo da liberdade

Os oprimidos, acomodados e adaptados, "imersos" na própria engrenagem da estrutura dominadora, TEMEM A LIBERDADE, enquanto não se sentem capazes de correr o risco de assumi-la. E a temem, também, na medida em que, lutar por ela, significa uma ameaça, não só aos que a usam para oprimir, como seus "proprietários" exclusivos, mas aos companheiros oprimidos, que se assustam com maiores repressões.

Quando descobrem em si o anseio por libertar-se, percebem que este anseio somente se faz concretude na concretude de outros anseios.

Enquanto tocados pelo medo da liberdade, se negam a apelar a outros e a escutar o apelo que se lhes faça ou que se tenham feito a si mesmos, preferindo a gregarização à convivência autêntica. Preferindo a adaptação EM que sua não liberdade os mantém à comunhão criadora, a que a liberdade leva, até mesmo quando ainda somente buscada. 

Sofrem uma dualidade que se instala na "interioridade" do seu ser. Descobrem que, não sendo livres, não chegam a ser autenticamente. Querem ser, mas temem ser. São eles e a ao mesmo tempo SÃO O OUTRO INTROJETADO NELES, como consciência opressora. Sua luta se trava entre serem eles mesmos ou serem DUPLOS. Entre expulsarem ou não ao opressor de "DENTRO" de si. Entre se desalienarem ou se manterem alienados. Entre seguirem prescrições ou terem opções. Entre serem expectadores ou atores. Entre atuarem ou terem a ilusão de que atuam, na atuação dos opressores. Entre dizerem a palavra ou não terem a voz, castrados no seu poder de criar e recriar, no seu poder de transformar o mundo. 

Este é o trágico dilema dos oprimidos, que a sua pedagogia tem de enfrentar. 

A libertação, por isto, é um parto. E um parto doloroso.  O homem que nasce desse parto é um homem novo que só é viável na e pela, superação da contradição opressores-oprimidos, que é a libertação de todos. 

A superação da contradição é o parto que traz ao mundo este homem novo não mais opressor; não mais oprimido, mas homem libertando-se. 

Paulo Freire

A minha derrota é a minha vitória



















A importância da completa rendição no destronamento do ego

Tudo o que fazemos ou dizemos, tudo o que sentimos ou pensamos, no fundo está relacionado com o ego. Vivemos acorrentados ao seu pilar e movemo-nos num círculo. A busca espiritual é realmente uma tentativa de sairmos desse círculo. De outro ponto de vista, é um longo processo de descoberta do que está profundamente escondido pelo nosso ego, com seus desejos, emoções, paixões, argumentos e atividades. Tomando ainda um outro ponto de vista, é um processo que nos dissocia dessas coisas. Mas é improvável que se possa persuadir o ego a, de boa vontade, deixar de exercer o seu domínio. Seus caminhos ilusórios e seus hábitos enganadores podem levar um aspirante à crença de que esteja alcançando um estágio elevado, quando está simplesmente andando num círculo. A forma de sair desse círculo é, ou procurar a fonte do ego, ou, caso isso seja difícil demais, associar-se bem de perto a um verdadeiro mestre e prestar-lhe completa obediência. O ego, sendo finito, não pode produzir um resultado infinito através de seus próprios esforços. Ele engendra seus pensamentos e emite seus desejos, dia após dia. Ambos podem ser comparados com teias de aranha que são renovadas ou ampliadas e que nunca desaparecem por muito tempo dos cantos escuros de um aposento, não importa com que frequência possam ser eliminadas. Enquanto se permitir que a aranha viva ali, elas reaparecerão. Ir ao encalço do ego em seu covil é exatamente como caçar a aranha e removê-la completamente do aposento. Não há meio mais eficiente ou mais rápido de atingir o objetivo do que trazer à luz a sua verdadeira fonte, oferecer o ego a essa Fonte, e finalmente, através da senda de afirmações e recolhimento, unir-se a ela. 

A prática do ponto de vista impessoal sob a orientação do mentalismo conduz, no devido tempo, à descoberta de que o ego é uma imagem formada na mente, uma construção mental, uma imagem com a qual estamos inextricavelmente entrelaçados. Mas essa prática começa a nos desatar e a nos libertar.

Toda a sua reflexão sobre o ego é necessariamente incompleta, pois não inclui o próprio pensamento-do-ego. Tente fazer isso e ele escapa do seu controle. Somente algo que transcende o ego pode compreendê-lo.

Se é para o ego se perpetuar, ele precisa entrar em todas as atividades da mente, e não simplesmente nas mais básicas. Isso é exatamente o que acontece. As aspirações espirituais, os ideais morais, e até as experiências místicas são, elas mesmas, projeções invertidas do ego. Através delas, o "eu" é capaz de expandir-se em um "eu" maior, mais grandioso, mais feliz e mais forte do que antes. Se elas não são as próprias criações do ego, proporcionando-lhe abrigo ou disfarce, então elas são logo infiltradas e traídas, minadas ou permeadas, até que alimentem e nutram o mesmo eu do qual se esperava que se desviassem. 

Se o aspirante está disposto a procurá-las, encontrará as atividades secretas do ego nos recantos mais insuspeitados, até mesmo no meio das suas mais grandiosas aspirações espirituais. O ego não quer morrer, e até dará as boas-vindas a essa grande redução de seu campo de ação, se esse for o único meio de escapar da morte. Visto que o ego é necessariamente o agente ativo nessas tentativas de auto-aperfeiçoamento, ele estará na melhor posição de garantir que elas terminem como uma aparente vitória sobre si mesmo, mas não uma vitória real. Esta última só pode ser alcançada confrontando-o diretamente e, sob a aspiração da Graça, matando-o diretamente; isso é completamente diferente de confrontar e matar qualquer das suas bem variadas expressões de fraquezas e faltas. Elas não são, de modo algum, a mesma coisa. São os ramos, mas o ego é a raiz. Por isso, quando o aspirante se cansa dessa interminável batalha do Caminho Longo, batalha essa com sua natureza inferior, que mal é subjugada numa manifestação e já reaparece em outra, quando se enfastia de enganar-se naquilo que imagina serem realizações, muito mais agradáveis, do Caminho Breve, ele está pronto para tentar o último e único recurso. Aqui, depois de longo tempo, o aspirante chega ao próprio ego pela completa rendição deste e não pela preocupação com seus numerosos disfarces — que podem ser feios, como a inveja, ou atraentes, como a virtude. 

Nada que a própria vontade do aspirante possa fazer traz como consequência esse destronamento do ego. A vontade divina precisa fazer isso por ele. 

A sua desvantagem é o ego forte, o "eu" que intercepta o caminho, e que deve ser subjugado pelo sacrifício emocional no sangue do coração. Mas, uma vez afastado esse "eu", você sentirá tremendo alívio e ganhará paz. 

O que ou quem está procurando a iluminação? Não pode ser o eu mais elevado, pois ele é a natureza da Luz. Resta, então, somente o ego! Esse ego, objeto de tantas acusações e desabonos, é o ser que, transformado, conquistará a verdade e achará a Realidade, mesmo que o preço a ser pago seja, no final, a completa rendição. 

O egoísmo, que é a limitação da consciência à vida individual vista como separada da vida infinita, é a última barreira para a obtenção da unidade com a vida infinita.

Paul Bruton em, Ideias em Perspectiva

Qual é o futuro do homem, o futuro da humanidade?

JK: Qual o futuro da humanidade? A julgar pelo que se observa, ela está a caminho da destruição.

DB: Sim, parece ser esse o seu caminho. 

JK: Bastante sombrio, assustador e perigoso. Se alguém tiver filhos, qual será o futuro deles? Adaptar-se a tudo isso? E passar por toda essa miséria? Desse modo, a educação torna-se extremamente importante. Mas hoje, a educação é um mero acúmulo de conhecimentos.

DB: Cada instrumento que o homem inventou, descobriu ou desenvolveu esteve voltado para a destruição. 

JK: Totalmente. Os homens estão destruindo a natureza; há pouquíssimos tigres hoje em dia. 

DB: Estão destruindo as florestas e os solos agrícolas. 

JK: Ninguém parece se importar. 

DB: Bem, a maioria das pessoas estão apenas mergulhadas em seus planos de sobrevivência, mas há quem tenha planos de salvar a humanidade. Acho que há também uma tendência ao desespero, implícita no que está acontecendo agora, no fato de as pessoas não acreditarem que alguma coisa possa ser feita. 

JK: Sim. E, se pensam que alguma coisa possa ser feita, formam pequenos grupos com suas pequenas teorias. 

DB: Há aqueles que estão muito confiantes do que estão fazendo...

JK: Quase todos os primeiros-ministros estão bastante confiantes. Eles não sabem o que estão fazendo de fato!

DB: Sim, contudo há pessoas que têm muita confiança no que elas próprias estão fazendo. 

JK: Eu sei. E se alguém tem uma enorme confiança, eu acredito nessa confiança e o sigo. Qual é o futuro do homem, o futuro da humanidade? Será que alguém está preocupado com isso? Ou será que cada pessoa, cada grupo, está apenas preocupado com a própria sobrevivência? 

DB: Acho que a primeira preocupação quase sempre tem sido com a sobrevivência quer do indivíduo, quer do grupo. Essa tem sido a história da humanidade. 

JK: E essa é a razão das contínuas guerras, da constante insegurança. 

DB: Sim, mas isso, como o senhor disse, é o resultado do pensamento que, por ser incompleto, comete o equívoco de identificar o eu com o grupo, e assim por diante. 

JK: Acontece que o senhor ouve tudo isso, concorda com tudo isso, percebe a verdade de tudo isso. Mas os que detêm o poder jamais lhe darão ouvidos. 

DB: É verdade. 

JK: Eles estão criando cada vez mais miséria, o mundo está se tornando cada vez mais perigoso. Qual a utilidade de demonstrarmos que algo é verdadeiro, e que efeito tem isso? 

DB: Parece-me que, se pensarmos em termos dos efeitos, estaremos mexendo exatamente com aquilo que está por trás da preocupação — o tempo! A resposta então seria interferir rapidamente e fazer alguma coisa para alterar o curso dos acontecimentos.

JK: E, por conseguinte, formar uma sociedade, uma fundação, uma organização e tudo o mais. 

DB: Mas veja, nosso erro é sentir  que precisamos de alguma coisa, ainda que esse pensamento seja incompleto. Não sabemos realmente o que está acontecendo, e as pessoas elaboram teorias a esse respeito, mas não sabem. 

JK: Se essa é a pergunta errada, então, enquanto ser humano, enquanto integrante da humanidade, qual a minha responsabilidade, independentemente do efeito e tudo o mais? 

DB: Sim, não podemos considerar os efeitos. Mas a mesma coisa acontece em relação a "A" e "B"; "A" vê e "B", não vê. 

JK: Sim.

DB: Pois bem, suponhamos que "A" vê alguma coisa que a maior parte da humanidade não vê. Portanto, ao que parece, poder-se-ia dizer que a humanidade está, de certo modo, adormecida

JK: Ela está presa na ilusão. 

DB: Ilusão. E a questão é essa: se alguém vê alguma coisa, sua responsabilidade é ajudar os outros a despertar, libertando-os das malhas da ilusão. 

JK: Exatamente. Esse tem sido o problema. É por isso que os budistas projetaram a ideia do Bodhisatva, que é a essência de toda compaixão e espera salvar a humanidade. Isso é maravilhoso. É uma felicidade saber que alguém está fazendo isso. Mas na realidade, não faremos nada que não seja cômodo, agradável, seguro, quer psicológica, quer fisicamente. 

DB: Essa é, basicamente, a origem da ilusão. 

JK: Como fazer com que os outros vejam isso tudo? Eles não têm tempo, não têm a energia, não têm sequer a disposição. Eles querem se divertir. Como fazer com que "X" veja isso tudo tão nitidamente a ponto de dizer: "Está certo, eu entendi, vou trabalhar. E percebo que sou responsável", e tudo o mais. Acho que essa é a tragédia dos que veem e dos que não veem. 

Krishnamurti e David Bohm em, O Futuro da Humanidade

Eu sou o guarda do meu irmão

JK: (...) Pode a humanidade viver sem conflito?... Podemos ter paz nesta terra? As atividades do pensamento nunca resultam em paz.

DB: Do que foi dito, parece claro que a atividade do pensamento não pode produzir a paz: gerar o conflito é algo que lhe é inerente. 

JK: Sim, se nós realmente percebêssemos isso, toda a nossa atividade seria totalmente diferente. 

DB: Mas o senhor está dizendo então que há uma atividade que não é pensamento? Que está além do pensamento?

JK: Sim. 

DB: E que não só está além do pensamento mas que também não requer a cooperação do pensamento? Que é possível que essa atividade continue quando o pensamento está ausente?

JK: Este é o ponto fundamental. Já discutimos isso muitas vezes: se há alguma coisa além do pensamento. Não alguma coisa santa, sagrada — não estamos falando disso. Estamos querendo saber é, existe uma atividade que não seja influenciada pelo pensamento. E dizemos que ela existe. E que essa atividade é a forma suprema da inteligência. 

DB: Sim; introduzimos agora a inteligência. 

JK: Eu sei, eu a introduzi de propósito! A inteligência não é a atividade do pensamento astuto. Existe a inteligência para se construir uma corda...

DB: Bem, a inteligência pode usar o pensamento, como o senhor já disse muitas vezes. Ou seja, o pensamento pode ser a ação da inteligência —  poderíamos nos expressar assim?

JK: Sem dúvida. 

DB: Ou poderia ser a ação da memória? 

JK: Aí é que está. Também pode ser a ação nascida da memória, e como a memória é limitada, o pensamento é limitado e tem sua própria atividade, a qual produz então o conflito...(...) Essa inteligência não tem nada a ver com a memória, com o conhecimento.

DB: Ela pode atuar na memória e no conhecimento mas não tem nada a ver com isso...

JK: Isso mesmo. Eu quero dizer: como o senhor descobre se essa inteligência tem alguma realidade e não é apenas imaginação ou ficção romântica? Para se chegar a isso, é necessário examinar toda a questão do sofrimento, se há um fim para o sofrimento. E enquanto o sofrimento, o medo e a busca de prazer existirem, não pode haver amor

DB: Temos aqui muitas questões. Sofrimento, prazer, medo, raiva, violência e ganância —  tudo isso são respostas da memória. 

JK: Sem dúvida. 

DB: Não tem nada a ver com a inteligência. 

JK: Todos são parte do pensamento e da memória. 

DB: E enquanto isso continuar, parece que a inteligência não pode operar no pensamento, ou através do pensamento. 

JK: Isso mesmo. Precisamos, portanto, nos libertar do sofrimento. 

DB: Bem, esse é o ponto fundamental. 

JK: Essa é uma questão realmente muito séria e profunda: se é possível acabar com o sofrimento, que é o fim do eu.

DB: Sim, pode parecer redundante, mas a sensação é a de que eu estou aqui, e que posso sofrer ou não. Ou desfruto as coisas ou sofro. Contudo, acho que o senhor está dizendo que o sofrimento provém do pensamento; que ele é o pensamento.

JK: Identificação. Apego. 

DB: Então, quem é que sofre? A memória pode produzir prazer e, desse modo, quando ela não é eficaz, produz o oposto do sentimento de prazer — dor e sofrimento. 

JK: E não só isso. O sofrimento é muito mais complexo, não? 

DB: Sim.

JK: O que é o sofrimento? O significado da palavra é ter dor, aflição, sentir-se completamente perdido, só. 

DB: Parece-me que não é apenas dor, mas uma espécie de dor muito penetrante, total... (...) Algumas pessoas acham qe através do sofrimento elas se tornam...

JK: ...Inteligentes?

DB:... Purificadas, como se tivessem passado por um crisol. 

JK: Eu sei. Que através do sofrimento você aprende. Que através do sofrimento o seu ego desaparece, se dissolve.

DB: Sim, se dissolve, aprimora-se. 

JK: Não é verdade. As pessoas sofreram muito, quantas guerras, quantas lágrimas, sem falar na natureza destruidora dos governos. E o desemprego e a ignorância...

DB:... Ignorância da doença, da dor, de tudo. Mas o que é realmente o sofrimento? Por que ele destrói a inteligência, ou a impede? O que acontece?

JK: O sofrimento é um choque; eu sofro, tenho uma dor — eis a essência do "eu". 

DB: A dificuldade em relação ao sofrimento é que o eu é que está ali, que está sofrendo. 

JK: Sim. 

DB: E, de algum modo, esse eu está sentindo realmente pena de si mesmo

JK: O meu sofrimento é diferente do seu. 

DB: Sim, ele se isola. Cria um tipo de ilusão. 

JK: Não percebemos que o sofrimento é compartilhado por toda a humanidade. 

DB: Sim, mas se chegássemos a perceber que ele é compartilhado por toda a humanidade?

JK: Então começo a questionar o que é o sofrimento. Ele não é o meu sofrimento. 

DB: Isso é importante. Para compreender a natureza do sofrimento, preciso me desfazer dessa ideia de que ele é meu sofrimento porque, enquanto acreditar que ele é meu, terei uma noção ilusória do problema como um todo. 

JK: E nunca poderei acabar com ele. 

DB: Se você está lidando com uma ilusão, nada pode ser feito a respeito dela. (...)

JK: O sofrimento é comum a toda a humanidade.

DB: Mas o fato de ser comum não é suficiente para torná-lo o mesmo para todos. 

JK: Ele é real. 

DB: O senhor está dizendo que o sofrimento é único, inseparável?

JK: Sim, é o que eu venho dizendo. 

DB: Assim como a consciência humana?

JK: Sim, isso mesmo. 

DB: De modo que quando alguém sofre, toda a humanidade está sofrendo?

JK: A questão é a seguinte: temos sofrido desde o princípio e nunca encontramos uma solução para isso. Não acabamos com o sofrimento. 

DB: Mas eu acho que o senhor disse que a razão pela qual não encontramos uma solução é porque o consideramos como algo pessoal, ou pertencente a um pequeno grupo... e isso é uma ilusão.

JK: Sim.

DB: E qualquer tentativa de se lidar com uma ilusão não pode resolver coisa alguma. 

JK: O pensamento não pode resolver nada psicologicamente. 

DB: Porque o senhor pode dizer que o próprio pensamento divide. O pensamento é limitado e incapaz de perceber que esse sofrimento é único. Desse modo, ele o divide em meu e seu. 

JK: Isso mesmo. 

DB: E isso cria a ilusão, que só pode multiplicar o sofrimento. Parece-me então que a firmação de que o sofrimento é único, não pode ser separado da afirmação de que a consciência humana é única. 

JK: O mundo sou eu: eu sou o mundo.(...) O mundo da sociedade, principalmente o mundo psicológico. 

DB: Dizemos então que o mundo da sociedade, dos seres humanos, é um só, e o que significa quando digo que eu sou o mundo?

JK: Que o mundo não é diferente de mim.

DB: O mundo e eu somos um. Somos inseparáveis. 

JK: Sim. E essa é a verdadeira meditação; você precisa sentir isso, não apenas como uma afirmação verbal; trata-se de uma realidade. Eu sou o guarda do meu irmão. (...) Assim sendo, essa inteligência é real? Você compreende a minha pergunta? Ou trata-se de alguma espécie de projeção fantasiosa, na esperança de que ela resolverá nossos problemas? Eu não penso assim. Ela é uma realidade. Por que o fim do sofrimento significa amor.

Krishnamurti e David Bohm em, O Futuro da Humanidade

A morte é a maior ilusão que existe

O homem nasce para atingir a vida, mas tudo depende dele. Ele pode perdê-la. Ele pode seguir respirando, ele pode seguir comendo, ele pode seguir envelhecendo, ele pode seguir se movendo em direção ao túmulo - mas isso não é vida. Isso é morte gradual, do berço ao túmulo, uma morte gradual com a duração de setenta anos. E porque milhões de pessoas ao redor de você estão morrendo essa morte lenta e gradual, você também começa a imitá-los. As crianças aprendem tudo daqueles que estão em volta delas e nós estamos rodeados pelos mortos. Então temos que entender primeiro o que eu entendo por 'vida'. Ela não deve ser simplesmente envelhecer. Ela deve ser desenvolver-se. E isso são duas coisas diferentes. Envelhecer, qualquer animal é capaz. Desenvolver-se é prerrogativa dos seres humanos. Somente uns poucos reivindicam esse direito.

Desenvolver-se significa mover-se a cada momento mais profundamente no princípio da vida; significa afastar-se da morte - não ir na direção da morte.

Quanto mais profundo você vai para dentro da vida, mais entende a imortalidade dentro de você. Você está se afastando da morte: chega a um momento em que você pode ver que a morte não é nada, apenas um trocar de roupas ou trocar de casas, trocar de formas - nada morre, nada pode morrer. A morte é a maior ilusão que existe.

Como desenvolver-se? Simplesmente observe uma árvore. Enquanto a árvore cresce, suas raízes crescem para baixo, tornam-se mais profundas. Existe um equilíbrio; quanto mais alto a árvore vai, mais fundo as raízes vão. Na vida, desenvolver-se significa crescer profundamente para dentro de si mesmo - que é onde suas raízes estão. "

( Osho )

Vir a ser é a doença da alma

As pessoas conhecem os seus seres - mas elas têm um objetivo de vir a ser. Vir a ser é a doença da alma. O ser é você e descobrir o seu ser é o começo da vida.

Então cada momento é uma nova descoberta, cada momento traz uma alegria. Um novo mistério abre as suas portas, um novo amor começa a crescer em você, uma nova compaixão que você nunca sentiu antes, uma nova sensibilidade a respeito da beleza, a respeito da bondade.

Você se torna tão sensível que até a menor folha de grama passa a ter uma importância imensa para você. Sua sensibilidade torna claro para você que essa pequena folha de grama é tão importante para a existência quanto a maior estrela; sem esse folha de grama, a existência seria menos do que é.

E essa pequena folha de grama é única, ela é insubstituível, ela tem a sua própria individualidade.

E essa sensibilidade criará novas amizades para você - amizades com árvores, com pássaros, com animais, com montanhas, com rios, com oceanos, com as estrelas. A vida se torna mais rica enquanto o amor cresce, enquanto a amizade cresce...

Quando você se torna mais sensível, a vida se torna maior. Ela não é um pequeno poço, ela se torna oceânica.

Ela não está confinada a você, sua esposa e seus filhos - ela não é confinada de jeito algum. Toda essa existência se torna a sua família e a não ser que toda essa existência seja a sua família, você não conheceu o que é a vida. - porque homem algum é uma ilha, nós estamos todos conectados. Nós somos um vasto continente, unidos de mil maneiras. E se o nosso coração não está cheio de amor pelo todo, na mesma proporção a nossa vida é diminuída.

A meditação lhe traz sensibilidade, uma grande sensação de pertencer ao mundo. Este é o nosso mundo - as estrelas são nossas e nós não somos estrangeiros aqui. Nós pertencemos intrinsecamente à existência. Nós somos parte dela, nós somos o coração dela."
( Osho )

Em busca da única coisa necessária

"Prossegue na investigação "Quem sou eu?" perseverantemente. Analisa toda a tua personalidade. Procura descobrir onde começa o pensamento eu. Continua as meditações. Fixa tua atenção no eu íntimo. Um dia a roda do pensamento vai parar e a intuição surgirá misteriosamente. Obedece a essa intuição e deixa o pensamento parar, e a intuição te guiará para a meta." Dos ensinamentos de Maharshi "Se a Suprema Verdade não é conhecida, o estudo das Escrituras é estéril, e, quando a Suprema Verdade é compreendida, o estudo das Escrituras se torna inútil". — De Shri Shankaracharya
A maior parte das pessoas neste mundo não têm fé nos valores espirituais. Para elas, a mente é tudo, e esta as leva a inúmeras reflexões e especulações. Alguns se dizem céticos e ainda outros se orgulham de ser puros materialistas. A Verdade é velada pela nossa própria ignorância e nós não a buscamos com suficiente insistência. Tendo exercitado nosso intelecto até certo limite, pensamos não haver esperança para investigações e descobertas mais amplas. Essa atitude da mente é o resultado do estudo de sistemas de filósofos ocidentais, que, do ponto de vista oriental, é estéril, e não nos conduz a nada, além de especulações e simples conjecturas sobre a Verdade. Mas a filosofia oriental, especialmente o modo de pensar indiano, dá alguma esperança real ao aspirante sério, na vereda da busca da Verdade. Quase todos os pensadores antigos, santos e sábios, indicaram o caminho prático e seguro, e, ao segui-lo, podemos estar livres de toda a dúvida e incerteza e compreender o sentido e a razão de ser da vida. Seu método de busca da Verdade é deveras científico. Eles não dogmatizam nem exigem credulidade em vez de fé. Apontam, simplesmente, o caminho e estabelecem certas condições definidas para alcançá-lo. 

O sucesso final nesse caminho depende unicamente do próprio esforço do aspirante e da auto-investigação. A primeira condição é o desejo sério, a sede insaciável de beber a água da vida. Em resposta a uma pergunta sobre os requisitos para a qualificação de um discípulo, declarou Sri Ramana Maharshi, certa vez: "Ele deve ter o intenso e incessante anseio de libertar-se das misérias da vida e de obter suprema beatitude espiritual: não eve ter o menor desejo por outra coisa". 

Mouni Sahu em, Dias de Grande Paz

Condições para o sucesso no estudo do paradigma holotrópico

Há condições físicas que, até certo ponto, podem contribuir para o bom ou mau êxito de seus esforços neste estudo. Como em tudo, há, naturalmente, casos excepcionais, que não alteram a regra geral. 

vejamos algumas dessas condições:

1) Extrema fraqueza física, resultante de enfermidade ou aborrecimento que afete a força de vontade do principiante, constituí obstáculos a seu esforço interno. Por exemplo: um homem pode dizer: "Compreendo a necessidade de aperfeiçoar meu aparelho pensante e aumentar minha força de vontade, porém, as limitações físicas impedem-me de começar o trabalho, que reconheço ser tão útil". Tal pessoa não pode ter muita esperança de seguir nosso caminho. 

2) Demasiados compromissos diários, que não deixam tempo nem energia para exercícios sistemáticos e contínuos. Para tal pessoa, uma concentração de final de semana, com todos os exercícios, será quase inútil. 

3) A falta de convicção íntima, intuitiva e firme de que um trabalho desta natureza lhe abrirá a porta para uma vida nova e melhor; pois não pode haver imposição num estudo tão sutil como este. Sob tais condições, o homem deve abandonar a empreita, visto faltar-lhe maturidade.

(...) A condição psicológica adequada é o reconhecimento de que você não é a mente, pois esta deveria ser sua serva e não seu amo. Isso foi admiravelmente expresso por Helena P. Blavatski:
"A mente é boa serva, mas cruel senhor". 

Saiba também que o caminho de concentração conduz além da simples habilidade de convergência da mente. O sucesso significa nada menos do que compreender a natureza e origem da mente e, ao mesmo tempo, transcende esses dois fatores. É o acesso a um novo estado de consciência sobre o qual nada se pode saber ou antecipar enquanto não se atingir a dupla realização que acabamos de mencionar. 

Normalmente, as condições para um estudo proveitoso surgem espontaneamente nos que se acham amadurecidos o bastante.

É importante lembrar que a ideia de ampliação da consciência não surgiria se não existisse tal possibilidade. 

Possuímos ouvidos e olhos, é verdade, mas DEVEMOS ter a capacidade de ouvir através desses órgãos, o que NEM TODOS CONSEGUEM. Cristo nos disse, claramente, que há pessoas que têm ouvidos e olhos e, ainda assim, não ouvem e nem veem.

O estudo desses assuntos requer também decisão firme, pois o estudante, uma vez frustrado, se algum dia voltar a eles não o fará com facilidade. Surgir-lhe-ão dúvidas e, estando ainda fraco (o fato de hesitar é prova disso), não poderá opor-se às sugestões de sua própria mente, que o aconselhará a abandonar todas as ideias. 

Será bom aceitar, mesmo teoricamente, o fato (conhecido por muitos de nós) de a mente ser inimiga de qualquer esforço, por parte do homem, para dominá-la. Isso porque a consciência confusa dessa forma sutil de energia nem sempre é idêntica à do homem. Muitas vezes, os interesses de ambos — o homem e sua mente — são opostos

Você pode observar esse fato no seguinte exemplo: frequentemente com você mesmo sua mente-cérebro recusa-se a cooperar quando necessita dela, e, para justificar-se, encontra muitas desculpas, tais como fadiga, falta de tempo, inquietação, etc. Seja como for, o autor beneficiou-se muito desenvolvendo a ideia de separação do homem e sua mente. Aliás, seu mestre espiritual afirmou que tal separação é útil e corresponde rigorosamente à realidade.

Mouni Sadhu em, Concentração

Bem-vindo ao Mundo Real

Vídeo do diretor Jörg Dittmar abordando o tema da iluminação na perspectiva budista.
Adaptação e Legendas: Gaspar Guimarães
Tradução: Denise Kato

Sobre ser "Radical"

Não sei se houve, um professor sequer que, nas primeiras semanas de aula, não tenha usado a palavra 'radical'.

"... mas não devemos ser radicais..." Eles dizem.

Parece que para o senso comum, 'radical' é uma qualidade negativa. E no discurso comum, radical é sempre o outro, e nunca eu mesmo.

Lançando mão do significado comum para essa palavra, a mim me parece que a radicalidade é uma questão completamente relativa.

As minhas escolhas na vida e as minhas opiniões só podem parecer radicais a quem tem escolhas e opiniões diferentes das minhas. Já aos que compartilham meus pontos de vista, as minhas idéias são apenas sensatas.

Não deixo de observar também, que no contexto coletivo da sociedade, radical é quase sempre uma qualidade da minoria.

Os pais que alimentam seus filhos com alimentos industrializados potencialmente cancerígenos não são radicais. Radical é a família que não admite produtos Nestlé em sua mesa.

O sujeito urbanóide que passa 2 horas preso no trânsito, respirando um ar poluído, para chegar ao seu emprego infeliz de 40 horas semanais, é apenas um cara comum. O sujeito bicho-grilo fugido da capital pra viver no meio do mato, nadando pelado e fumando maconha quando quer, é um cara muito radical.

A parturiente guiada cegamente a um parto hospitalar convencional, correndo risco de mais de 50% de ser submetida a uma cirurgia desnecessária, 25% de chance de sofrer violência obstétrica, quase 100% de chance de ser submetida a algum procedimento invasivo e não ter o seu protagonismo respeitado, nunca pode ser chamada de radical. Radical é a mulher que escolhe parir em casa.

O grande latifundiário que enche o bolso de sangue indígena, envenena o solo, esgota a água, derruba a floresta, aniquila a biodiversidade, explora os trabalhadores... é só um rico invejado. Radical é o MST.

Não sei se os calouros de agronomia, ciências agrárias ou engenharia agrícola escutam tantas vezes esse termo quanto eu, estudante iniciante de agroecologia.
Agora, abrindo mão do significado dado pelo senso comum e buscando o significado real da palavra, descobrimos que 'radical' vem de 'raiz'. Logo, facilmente interpretamos que radical é aquele que busca a raiz, enxerga a raiz, ou resolve um problema cortando-o pela raiz.

Desde a Revolução Verde a fome aumentou de # a 1 bilhão (?) de pessoas no mundo todo.

Chamamos de agricultura convencional essa que tem exaurido o solo, a água, a biodiversidade e as pessoas no mundo todo.

Mas por que convencional? Se esse modelo surgiu na metade do século XX e nem sequer atingiu os primeiros 100 anos de idade? Enquanto que os sistemas agroecológicos (mesmo que ainda não existisse esse nome) alimentaram a humanidade ao longo de pelo menos # anos.

O agronegócio se alastrou pelo mundo tão rapidamente, não porque fosse mais eficiente que os modelos milenares, mas porque ele aplica não somente as tecnologias originadas nas grandes guerras mundiais, mas também a mentalidade da guerra.

Mentalidade de guerra é enxergar o outro como inimigo, alguém a ser destruído, conquistado ou escravizado.

Os fungos, bactérias, protozoários, insetos e outros animais devem ser destruídos. A terra deve ser conquistada. As pessoas devem ser escravizadas. A natureza e tudo o que dela faz parte, incluindo os animais humanos, são inimigos a serem dominados.

E da mesma forma que só se convence um povo a entrar em guerra, utilizando estratégias muito eficientes de propaganda, o agronegócio só cresce através de muita propaganda.

Graças à grandes magos da publicidade, manipuladores do inconsciente, a agricultura ecológica, sustentável, familiar, milenar, criativa, saudável e produtiva, em poucos anos, deixou de ser convencional e passou a ser alternativa, ou retrógrada, primitiva, pobre, ineficiente... Enquanto que o novo câncer sócio-econômico-ambiental da agricultura de guerra se tornou o convencional.

Digo câncer, porque se somos a Natureza uma coisa só, mas pensamos que somos divididos, nos comportamos de maneira autodestrutiva. Como um câncer.
A Agroecologia é a ciência que nos aponta as raízes desse câncer.

Entendo que a Agroecologia surgiu mais como uma ciência de princípios do que de metodologia definida.

Não sei quem foi o primeiro a juntar 'agro' com 'ecologia', nem sei se houve alguém que tenha escrito algum tratado oficial enumerando os princípios da Agroecologia.

Mas sei que a Agroecologia começou a florescer em mim, não através de estudos do pensamento de algum filósofo ou cientista do final do último século; mas sim, através da absorção, desde a minha primeira infância, das mensagens gritadas pela Natureza.

Vejo a Agroecologia como uma ciência comum a todos os homens e mulheres do planeta que procuram desenvolver a capacidade de sentir o que a Natureza diz. Sejam estes homens e mulheres, doutores ou analfabetos.

Escuto a Natureza me dizer "Quem pensa que a mim submete, mais e mais será a mim submetido."

Escuto a Natureza me dizer " A competição é uma atitude autodestrutiva."

Escuto a Natureza me dizer "A cooperação é a melhor qualidade adaptativa que um indivíduo pode ter."

Escuto a Natureza me dizer "Não há homens donos de terra; nem homens donos de outros homens; nem homens ou mulheres, maiores ou menores; nem homens donos de mulheres. Quem vive em mim nasceu para amar livremente e não para possuir."

Escuto a Natureza me dizer "Nos diversos ecossistemas há espaço para todos os seres dotados do dom do ciclo da vida-morte-e-vida. E se confiares em mim, nada te faltará."

Escuto a Natureza me dizer "Não és tu quem precisa de um movimento de humanos sem terra, sou eu quem faço o movimento da terra sem humanos. 

Tragam-me de volta o Homo sapiens ou Adão e Eva! Pois tu és uma espécie dispersora de sementes, e tu és uma espécie manifestadora da autoconsciência do Universo." 

Nossa, como eu escrevo de forma exagerada! E quanto poder eu me rogo, ao ponto de até querer falar em nome da Natureza!

Sim, sim. Podem dizer. Eu sou mesmo uma menina muito radical (e bastante prepotente). Assim como eu acho que a Agroecologia é radical por definição.
Pois ser radical não é ser desrespeitoso. Ser radical não é ser violento. Ser radical não é ser sectário.

E falando em sectário...

Numa das pausas que fiz durante a escrita desse texto, abri o meu mais recente livro adquirido, Pedagogia do Oprimido. E já nas Primeiras Palavras, Paulo Freire, como se em 1968 já se sentisse solidário ao meu conflito, me vem com essa:

"[...]
É que a sectarização é sempre castradora, pelo fanatismo de que se nutre. A radicalização, pelo contrário, é sempre criadora, pela criticidade que a alimenta.
Enquanto a sectarização é mítica, por isso alienante, a radicalização é crítica, por isso libertadora.

Libertadora porque, implicando o enraizamento que os homens fazem na opção que fizeram, os engaja cada vez mais no esforço de transformação da realidade concreta, objetiva.

[...]
O radical, comprometido com a libertação dos homens, não se deixa prender em "círculos de segurança", nos quais aprisione também a realidade. Tão mais radical quanto mais se inscreve nesta realidade para, conhecendo-a melhor, melhor poder transformá-la.

Não teme enfrentar, não teme ouvir, não teme o desvelamento do mundo. Não teme o encontro com o povo. Não teme o diálogo com ele, de que resulta o crescente saber de ambos. Não se sente dono do tempo, nem dono dos homens, nem libertador dos oprimidos. Com eles se compromete, dentro do tempo, para com eles lutar. Se a sectarização, como afirmamos, é o próprio do reacionário, a radicalização é o próprio do revolucionário."

Então, irmãos e irmãs, só posso concluir dizendo que radical pra mim é elogio.
Gratidão.

Lua Multieterno"
Texto de Luane Muliterno, caloura de agroecologia em Campina Grande, Paraíba
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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)


O IMPOPULAR DRAMA OUTSIDER — O encontro direto com a Verdade absoluta parece, então, impossível para uma consciência humana comum, não mística. Não podemos conhecer a realidade ou mesmo provar a existência do mais simples objeto, embora isto seja uma limitação que poucas pessoas compreendem realmente e que muitas até negariam. Mas há entre os seres humanos um tipo de personalidade que, esta sim, compreende essa limitação e que não consegue se contentar com as falsas realidades que nutrem o universo das pessoas comuns. Parece que essas pessoas sentem a necessidade de forjar por si mesmas uma imagem de "alguma coisa" ou do "nada" que se encontra no outro lado de suas linhas telegráficas: uma certa "concepção do ser" e uma certa teoria do "conhecimento". Elas são ATORMENTADAS pelo Incognoscível, queimam de desejo de conhecer o princípio primeiro, almejam agarrar aquilo que se esconde atrás do sombrio espetáculo das coisas. Quando alguém possui esse temperamento, é ávido de conhecer a realidade e deve satisfazer essa fome da melhor forma possível, enganando-a, sem contudo jamais poder saciá-la. — Evelyn Underhill