“Assimila o que puderes, das verdades destas páginas — e cria em tua alma uma atmosfera propícia para compreenderes mais, com o correr dos anos e tua progressiva evolução espiritual, que consiste essencialmente na abolição do egoísmo em todos os seus aspectos, e na proclamação de um amor sincero e universal para com todas as criaturas de Deus”. — Huberto Rohden

Meu Pensamento Não Quer Pensar


Meu pensamento não quer pensar
ele está com preguiça de se levantar
Depois de um sono tão profundo
é duro acordar e ver que no mundo
tudo é novidade, mas eu já conheço
Então volto a dormir que é pra ver
se me esqueço
Que meu pensamento não quer pensar
e para apreender eu vou ter que apanhar
pois só assim que o ser humano evolui
Só assim serei o que nunca fui
Tudo é tão velho e eu ainda nem nasci
O tempo nunca passou e eu nem percebi
Que o meu pensamento não vai pensar
enquanto eu não fizer seu coração vomitar
toda a consciência que não o deixa em paz
com os mesmos padrões de séculos atrás
com as mesmas paixões por coisas
absolutamente banais.

Até quando você vai fugir de si mesmo?

Nascemos sozinhos, vivemos sozinhos e morremos sozinhos.A solitude é nossa verdadeira natureza, mas não estamos cientes dela. Por não estarmos cientes, permanecemos estranhos a nós mesmos e, em vez de vermos nossa solitude como uma imensa beleza e bem-aventurança, silêncio, paz e um estar à vontade com a existência, a interpretamos erroneamente como solidão.

A solidão é uma solitude mal-interpretada. E, quando se interpreta a solitude como solidão, todo o contexto muda. A solitude tem uma beleza e uma imponência, uma positividade; a solidão é pobre, negativa, escura, melancólica.

A solidão é uma lacuna. Algo está faltando, algo é necessário para preenchê-la e nada jamais pode preenchê-la, porque, em primeiro lugar, ela é um mal-entendido. À medida em que você envelhece, a lacuna também fica maior. As pessoas têm tanto medo de ficar consigo mesmas que fazem qualquer tipo de estupidez. Vi pessoas jogando baralho sozinhas, sem parceiros. Inventam jogos de carta em que a pessoa faz o papel dos dois adversários. 

Aqueles que conhecem a solitude dizem algo completamente diferente. Eles dizem que não existe nada mais belo, mais sereno, mais agradável do que estar só.

A pessoa comum insiste em tentar esquecer sua solidão e o meditador começa a ficar mais e mais familiarizado com a solitude. Ele deixou o mundo, foi para as cavernas, para as montanhas, para a floresta, apenas para ficar só. Ele quer saber quem ele é. Na multidão fica difícil; existem tantas perturbações... E aqueles que conhecem suas solitudes conhecem a maior das bem-aventuranças possíveis aos seres humanos, porque seu verdadeiro ser é bem-aventurado. 

Depois de entrar em sintonia com sua solitude, você pode se relacionar, o que lhe trará grandes alegrias, porque a relação não acontecerá a partir do medo. Ao encontrar sua solitude, você poderá criar, poderá se envolver com tantas coisas quanto quiser, porque esse envolvimento não será mais fugir de si mesmo. Agora ele será a sua expressão, será a manifestação de tudo o que é seu potencial. 

Mas o básico é conhecer inteiramente sua solitude. 

Assim, lembro a você, não confunda solitude com solidão. A solidão certamente é doentia; a solitude é saúde perfeita. Seu primeiro e mais fundamental passo em direção à descoberta do significado e do sentido da vida é mergulhar em sua solitude. Ela é seu templo, é onde vive seu deus, e você não pode encontrar esse templo em nenhum outro lugar. 

O S H O 

Sobre o amigo de caminhada por esta terra sem caminho


Quem é você longe da multidão?

O primeiro ponto a perceber é que, querendo ou não, você está sozinho. A solitude é sua verdadeira natureza. Você pode tentar esquecê-la, tentar não ficar sozinho fazendo amigos, tendo amantes, misturando-se à multidão... Mas tudo o que você fizer fica apenas na superfície. No fundo de você, sua solitude é inatingível, intocável.

Um curioso fato acontece com todo ser humano: quando ele nasce, a própria situação de seu nascimento começa numa família. E não existe outra maneira, porque o recém-nascido humano é o recém-nascido mais frágil em toda a existência. Outros animais nascem completos. O cachorro vai continuar sendo um cachorro durante toda a vida; ele não vai evoluir, não vai se desenvolver. Sim, ele ficará mais velho, mas não ficará mais inteligente, mais consciente, não se tornará iluminado. Nesse sentido, todos os animais permanecem exatamente no ponto em que nasceram; nada de especial muda neles. A morte e o nascimento deles são horizontais — numa só linha.

Somente o ser humano tem a possibilidade de seguir na vertical, para cima, e não apenas na horizontal. Mas a maioria das pessoas se comporta como os outros animais: a vida é apenas um envelhecer, e não um amadurecer. Amadurecer e envelhecer são experiências totalmente diferentes.

O ser humano nasce numa família, entre seres humanos. Desde o primeiro momento, ele não está sozinho; portanto, ele adquire um certo padrão psicológico de sempre permanecer com pessoas. Em solitude, ele começa a ficar com medo... medos desconhecidos. Ele não está exatamente consciente do que está com medo, mas, quando ele se afasta da multidão, algo dentro dele fica pouco à vontade. Quando está com os outros, ele se sente aconchegado, à vontade, confortável.

Por essa razão, ele nunca vem a conhecer a beleza da solitude; o medo o impede. Por ter nascido num grupo, ele continua fazendo parte de um grupo. E, à medida que envelhece, começa a formar novos grupos, novas associações, novos amigos. As coletividades já existentes não o satisfazem — a nação, a religião, o partido político — e ele cria suas próprias novas associações, Rotary Club, Lions Club... Mas todas essas estratégias estão a serviço de um só objetivo: nunca ficar sozinho.

Toda a experiência de vida é a de conviver com outras pessoas. A solitude parece uma morte. De certa maneira, ela é uma morte, a morte da personalidade que você criou na multidão. Esse é um presente das outras pessoas para você. No momento em que você se afasta da multidão, também se afasta da sua personalidade.

Na multidão, você sabe exatamente quem você é; sabe seu nome, sua posição social, sua profissão, sabe tudo o que é necessário para seu passaporte, para sua carteira de identidade. Mas, no momento em que você se afasta da multidão, qual é a sua identidade? Quem é você? De repente, você fica consciente de que você não é seu nome — seu nome foi dado a você. Você não é sua raça — que relação tem a raça com a sua consciência? Seu coração não é hindu ou muçulmano, seu ser não está confinado à fronteira política de uma nação, sua consciência não é parte de alguma organização ou igreja. Quem é você?

De repente, sua personalidade começa a se dispersar. Este é o medo: a morte da personalidade. Agora você precisará começar a descobrir, precisará, pela primeira vez, perguntar quem você é. Você precisará começar a meditar sobre a questão, quem sou eu? — e existe o temor de que você possa não ser absolutamente nada! Talvez você não seja nada, mas uma combinação de todas as opiniões da multidão; nada, exceto sua personalidade.

Ninguém quer ser nada, ninguém quer ser ninguém e, na verdade, todo mundo é um ninguém.

[...] Assim, o primeiro problema do buscador é entender exatamente a natureza da solitude. Ela significa ser ninguém, significa abandonar sua personalidade, que é um presente a você da multidão. Quando você se afasta, quando sai da multidão, não pode levar esse presente com você em sua solitude. Em sua solitude, precisará descobrir de novo, descobrir outra vez, e ninguém pode garantir que você encontrará alguém ali dentro ou não. 

Aqueles que atingiram a solitude não encontraram ninguém lá. Realmente quero dizer ninguém — sem nome, sem forma, mas uma pura presença, uma pura vida, inominável, amorfa. Essa é exatamente a verdadeira ressurreição e ela certamente precisa de coragem. Somente pessoas muito corajosas foram capazes de aceitar com alegria o seu ser ninguém, o seu ser nada. O ser nada delas é o puro ser delas; é uma morte e uma ressurreição, as duas coisas. 

O S H O

Você vive como um leão ou como uma ovelha?

O pensar não pode decidir nada, porque algo pode ser bom em uma situação e a mesma coisa pode ser má numa situação diferente. Às vezes mesmo um veneno pode ser remédio e outras, um remédio pode ser veneno — você tem que compreender o fluxo mutável da vida.

Assim sendo, você não pode decidir pensando. Não é uma questão de decidir por meio de uma conclusão lógica; é uma questão de consciência sem escolhas. Você precisa de uma mente sem pensamentos. Em outras palavras, você precisa de uma não-mente, apenas um puro silêncio, para examinar as coisas diretamente. E dessa clareza, a escolha surgirá por si mesma; você não está escolhendo. Você agirá exatamente como um Buda age. Sua ação terá beleza, terá verdade, terá a fragância do divino. Não há necessidade de escolha. 

Você tem que procurar orientação, porque não sabe que seu guia interior está escondido dentro de você. Você tem que encontrar o guia interior, e isso é o que chamo de sua testemunha, seu dharma, seu Buda intrínseco. Você tem que despertar aquele Buda, e sua vida será uma abundância de bênçãos e graças. Sua vida ficará radiante com tanto bem e religiosidade, mais do que você possa sequer conceber. 

É quase como a luz. Seu aposento está escuro, acenda a luz. Até uma pequena vela vai funcionar e toda escuridão desaparecerá. E uma vez que você tenha uma vela, saberá onde está a porta. Você não tem que pensar: "Onde fica a porta?" Só as pessoas cegas pensam a respeito de onde fica a porta. As pessoas que têm olhos e luz disponível não pensam. Você já pensou: "Onde está a porta?" Você simplesmente se levanta e sai. Você nunca tem um único pensamento sobre onde está a porta. Você não começa a tatear procurando a porta ou vai batendo com sua cabeça contra a parede. Você simplesmente a vê, sem nem mesmo uma centelha de pensamento. Você apenas sai. 

Quando você está além da mente, a situação é exatamente a mesma. Quando não existem nuvens e o Sol brilha no céu, você não tem que pensar" Onde está o Sol?" Quando existem nuvens encobrindo o Sol, tem que pensar.

Seu próprio ser está encoberto com pensamentos, emoções, sentimentos e todos são produtos da mente. Basta colocá-los de lado e então, o que quer que você faça, será bom — não que você siga certas escrituras, mandamentos ou certos líderes espirituais. Você é, por seu próprio direito, o guia de sua vida. E essa é a dignidade do homem; ser o guia de sua própria vida. Isso transforma o homem num leão, não numa ovelha, que está sempre procurando alguém que a defenda. 

Mas esse não é um problema só seu, é o problema de quase toda a humanidade. Você tem sido programado por outros sobre o que é certo e o que é errado.

O S H O

O ego celebra a vida uma vez por ano, já o Ser, a cada momento


Na rendição está o portal do desconhecido


Descobrindo o que é o amor


Os alienígenas são reais e estão aqui

A questão para o meditador costumava ser: "Como estar no mundo e não ser do mundo?" Desde a minha saída da comunidade por um tempo e tendo voltado ao mundo, eu me sinto um alienígena diferente, não sendo deste mundo. 

A questão parece ser: "Como estar no mundo?"

Osho: Não, a questão ainda é estar no mundo e não ser do mundo. Estar no mundo não muda a primeira posição.

A primeira posição permite a você estar no mundo, mas não mundanamente. Está perfeitamente bem você se sentir alienígena, não há nada de errado nisso. Você deveria se sentir assim, este mundo onde você deveria estar não é o mundo onde você pode sincronizar com as pessoas, com suas ideias, com suas condutas. Este mundo não é um mundo correto — eu quero dizer um mundo humano. E eu quero que você esteja nele, seja parte dele? Então você tem que ser um cristão em uma sociedade cristã. Então, você tem que ir à igreja, então você tem que acreditar na Bíblia Sagrada. É desta maneira que você quer estar no mundo? Então tudo o que você fez antes foi pura perda de tempo. 

Estar no mundo significa somente que você estará fazendo um trabalho, que estará ganhando o seu pão, que estará vivendo com pessoas que não são a mesma mente que você, que você estará vivendo entre estrangeiros; e naturalmente você se sentirá um alienígena. Mas isso é algo para se ficar feliz. 

Eu não o mandei ao mundo para se perder. Eu o mandei ao mundo para permanecer você mesmo, apesar do mundo. 

E este foi o significado da afirmação original; estar no mundo, mas não ser do mundo. Permanece inalterado. É tão fundamental que permanecerá inalterado. 

O S H O — Além da psicologia

O pico mais alto da consciência

O pico mais alto da consciência é quando você é apenas um ser — não fazendo nada, imóvel, profundamente silencioso, como se você não existisse mais. Subitamente toda a existência começa a derramar flores sobre você. 

O homem é treinado para realizar porque a sociedade necessita dele treinado como trabalhador em diferentes direções, para produção, para a ganância, para a esperteza, para o poder. Ele tem que ser transformado em um escravo cuja vida inteira não seja nada além de fazer desde a manhã até a noite. Ele nem mesmo está rejuvenescido pelo sono e tem que ir trabalhar nas estradas, trabalhar nos campos, trabalhar nos pomares.

A sociedade fez do realizar algo muito proeminente e respeitável. Ela esqueceu completamente que existe outra dimensão na vida. Eu não estou dizendo que você não deve fazer nada. Você tem que comer, tem que se vestir, você necessita de um teto, de modo que algum tipo de realização será necessário. Mas o realizar deve ser apenas utilitário; ele não vai lhe dar as grandes experiências para as quais a vida é uma oportunidade. O seu realizar vai lhe dar a sobrevivência. Mas sobreviver apenas não é estar vivo. Estar vivo significa ter uma dança em seu coração. Estar vivo significa ter cada fibra de seu ser cheia de música celestial. Estar vivo significa experimentar o fluxo eterno da força da vida dentro de suas veias. Isto é possível não pelo realizar; isto é possível apenas através da não-realização. Portanto, a não-realização é o derradeiro valor. Realizar é simplesmente mundano — por necessidade você tem que fazer algo.

Mas existe tempo suficiente, vinte e quatro horas por dia: você pode dedicar cinco ou seis horas para as necessidades ordinárias, e ainda sobrarão dezoito horas. Se você puder encontrar até mesmo duas para a não-realização, você ficará tão enriquecido que não pode conceber antecipadamente — porque quando você não está fazendo nada, você não existe. Então o que existe? Este imenso silêncio da existência, esta imensa beleza das flores, este infinito do céu que cerca você, tudo se torna parte de você. E o toque do eterno e o infinito e o imortal trazem tanto júbilo que mesmo quando você está fazendo, lentamente, lentamente você encontrará mesmo no seu fazer esses júbilos, esses êxtases estarão entrando em seu trabalho.

Então o trabalho não é mais trabalho. Fazer não é mais fazer; torna-se a sua criatividade. O que quer que você faça, você fará com totalidade. E toda a existência o sustentará, encherá você com tanto néctar de modo que você possa derramar esse néctar em suas ações, nos seus afazeres. Subitamente você se torna um mágico. O que quer que você toque se transformará em ouro. Para onde você for, a existência segue lhe dando as boas-vindas, e o que quer que você faça, mesmo que pequeno, se torna parte de sua meditação.

O S H O — Satyam-Shivam-Sundram

Integrando Mente, Coração, Ser

Um homem que está inconsciente de seu próprio ser não pode dizer que está realmente vivo. Ele pode ser um mecanismo útil, um robô...
 Você fala contra a mente, dizendo que nós devíamos abandoná-la, dizer a ela que se cale, que ela não é necessária na busca da verdade. Para que serve a mente? Ela é realmente danosa?

A mente é uma das coisas mais significativas da vida — mas apenas como um servo, não como um mestre. No momento que a mente se torna o mestre, então surgem os problemas; ela substitui seu coração, substitui seu ser, toma posse de você, completamente. Então, em vez de seguir as suas ordens, ela começa a dar ordens a você.

Não estou dizendo para destruir a mente — é o fenômeno mais evoluído da existência. Estou dizendo para ter cuidado para que o servo não se torne o mestre. Lembre-se, o seu ser vem primeiro, seu coração vem em segundo, sua mente vem em terceiro — esta é a personalidade equilibrada de um autêntico ser humano.

A mente é lógica... imensamente útil, e no mercado você não pode existir sem a mente. E eu nunca disse que você não deve usar sua mente no mercado — você deve usá-la. Mas você deve usá-la, não ser usado por ela. E a diferença é enorme... E a mente que lhe tem dado toda a tecnologia, toda a ciência, mas pelo fato de a mente ter lhe dado tanto, ela tem reivindicado o direito de ser o mestre do seu ser. E aqui que começa o erro; ela tem fechado as portas do seu coração, completamente.

O coração não tem utilidade, não tem nenhum propósito a cumprir. É exatamente como uma rosa. A mente pode lhe dar o seu pão, mas não pode lhe dar contentamento. Ela não pode fazer você se regozijar na vida. Ela é muito séria, não pode nem mesmo tolerar o riso. E uma vida sem riso fica abaixo dos padrões humanos, torna-se subumana, porque apenas o homem, em toda a existência, é capaz de rir. O riso indica consciência, em seu mais alto crescimento. Os animais não podem rir, as árvores não podem rir, e as pessoas que permanecem encerradas na mente, os santos, os cientistas, os pretensos grandes líderes — eles não podem rir também. São todos muito sérios, e a seriedade é uma doença, é o câncer de sua alma; é destrutiva. E por estarmos nas mãos da mente, toda sua criatividade tem estado a serviço da destruição; as pessoas estão morrendo de fome, e a mente está tentando empilhar mais armamentos atômicos. As pessoas estão famintas, e a mente está tentando alcançar a lua.

A mente não tem absolutamente nenhuma compaixão. Para a compaixão, para o amor, para o regozijo, para o riso é necessário um coração liberto do aprisionamento da mente.

O coração tem um valor superior. Não tem nenhuma utilidade no mercado, porque o mercado não é o seu templo; o mercado não é o significado de sua vida. O mercado é a mais inferior de todas as atividades dos seres humanos.

Jesus está certo quando diz: "Nem só de pão vive o homem". Mas a mente pode lhe dar apenas o pão. Você pode sobreviver, mas sobrevivência não é vida. A vida necessita de algo mais — uma dança, uma canção, diversão.

Por isso, quero que você coloque tudo no seu devido lugar: o coração deve ser ouvido primeiro, caso exista qualquer conflito entre a mente e o coração. Em qualquer conflito entre amor e lógica, a lógica não pode ser decisiva, o amor tem que ser decisivo. A lógica não pode lhe dar nenhum néctar — ela é seca. Ela é boa para cálculos, para a matemática, é boa para a tecnologia científica. Mas ela não é boa para os relacionamentos humanos, não é boa para o crescimento do seu potencial interior.

Acima do seu coração está o seu ser. Exatamente como a mente é lógica e o seu coração é amor, o ser é meditação. Ser é conhecer a si mesmo e por conhecer a si mesmo você conhece o significado da sua existência. Conhecer o ser é trazer luz para o seu mundo interior; e a não ser que você seja iluminado por dentro, todas as luzes de fora não têm utilidade. Dentro de você existe apenas escuridão, escuridão abismal, inconsciência, e todas as suas ações surgirão desta escuridão, desta cegueira.

Portanto, quando digo algo contra a mente, não me entenda mal. Eu não estou contra a mente, eu não quero que você a destrua, eu quero que você se torne uma orquestra. O mesmo instrumento pode criar um barulho infernal se você não souber criar uma sinfonia, criar uma síntese, colocar as coisas no lugar. O ser deve ser a sua meta. Não há nada além dele; é parte de Deus dentro de você. Ele lhe dará aquilo que nem a mente, nem o coração podem dar, ele lhe dará silêncio, lhe dará paz, lhe dará serenidade. Ele lhe dará um êxtase total, e finalmente um senso de ser imortal. Conhecendo o ser, a mente se torna uma ficção e a vida decola na eternidade. Um homem que está inconsciente de seu próprio ser não pode dizer que está realmente vivo. Ele pode ser um mecanismo útil, um robô...

Através da meditação, busque seu ser, seu "sendo", sua existência.

Através do amor, do seu coração, compartilhe seu êxtase, isso é o amor: compartilhar sua benção, compartilhar seu regozijo, compartilhar sua dança, compartilhar seu êxtase.

A mente tem sua própria função no mercado, mas quando você vai para casa, a sua mente não deve continuar tagarelando. Exatamente como você tira o paletó, seu chapéu, seus sapatos, você deveria dizer à mente: "Agora fique quieta, este não é seu mundo". Isto não é ser contra a mente. De fato, isto é dar descanso à mente. Em casa, com sua esposa, seu marido, com suas crianças, com seus parentes, com seus amigos não há necessidade da mente. A necessidade é de um coração transbordante. A não ser que haja amor transbordando em uma casa, ela nunca se torna um lar; ela permanece uma casa. E se no lar você pode encontrar alguns momentos para a meditação, para experienciar seu próprio ser, isto eleva o lar ao ponto mais alto de se tornar um templo.

A mesma casa... para a mente é só uma casa; para o coração ela se torna um lar; e para o seu ser ela se torna um templo. A casa permanece a mesma; você é que atravessa as mudanças, a sua visão muda, a sua dimensão muda, a sua maneira de entender e olhar para as coisas muda. E uma casa que não seja todos os três é incompleta, é pobre.

Um homem que não é todos os três em profunda harmonia, a mente servindo ao coração, o coração servindo ao ser e o ser pertencendo à inteligência espalhada por toda a existência... as pessoas têm chamado isso de Deus; gosto de chamá-lo de divindade. Não há nada além dela.

O S H O — O fio da navalha

Para que você acorda todos os dias?


Na retomada do Sopro reinstala-se a Consciência que somos



"Ficai solitário, pois. Porque tendes medo de ficar só? Porque vos defrontais com vós mesmo, tal como sois, e descobris que sois vazio, embotado, estúpido, repulsivo, pecador, ansioso — uma entidade insignificante, sem originalidade. Enfrentai o fato; olhai-o e não fujais dele."

Jiddu Krishnamurti

O Que Há de Errado Com a Nossa Cultura? - Alan Watts


Por que será que não parecemos capazes de nos ajustar ao ambiente físico sem o destruir? Por que será que, de certa forma, isso como cultura, representa, de uma forma única, a lei dos retornos decrescentes? Que o nosso sucesso é um fracasso? Que estamos a construir - por outras palavras - uma enorme civilização tecnológica, que parece prometer o cumprimento de todos os desejos quase ao toque de um botão?

Voz: Alan Watts - O Que Há de Errado Com a Nossa Cultura? (Também conhecido como: Sexo O Castigo Prazeroso)
www.alanwatts.org

Música: Ash Ra Tempel - Reunion (Friendship)
http://www.ashra.com

O trote terrível - Vida e música - by Alan Watts


O paradoxo da experiência religiosa

Eu ouvi dizer..

Um grande Mestre Zen, Sozan, foi interrogado para explicar o ensinamento derradeiro de Buda. Ele respondeu: “Você não irá entendê-lo antes de tê-lo.” Mas, então, qual é o ponto de compreendê-lo? Quando você o tem, você o tem; não há necessidade de compreendê-lo. Quando você não o tem, não pode compreendê-lo, e existe a necessidade de compreendê-lo. Este é o paradoxo: você pode entendê-lo somente quando tem.

Não há jeito de entendê-lo antes de tê-lo; somente a experiência o explicará para você. Nada mais pode fazer este trabalho, nenhum substituto é possível. Mas, então, não há necessidade — quando você tem, você tem. Quando está lá, está lá. Não há nem mesmo um desejo de compreendê-lo; aconteceu, você conheceu, tornou-se você. Exatamente como quando você come: quando você come, não se torna a comida. Você já observou? Do contrário, você teria se tornado uma banana. Você come uma banana; você não se torna uma banana, a banana transforma-se em você.

E exatamente o mesmo acontece quando você conheceu Deus: Deus se torna você. Quando você conheceu a verdade, a verdade torna-se você; digerida, ele corre no seu sangue, torna-se os seus ossos, torna-se o seu tutano, torna-se a sua presença. Não há necessidade de compreendê-la. De fato, não há ninguém para compreendê-la, ninguém é deixado para trás, você tornou-se ela. A sua compreensão tornou-se ela. A necessidade existe porque não compreendemos. Então, continuamos a procurar explicações, e nenhuma explicação pode ser dada.

Este é o paradoxo da experiência religiosa: aqueles que conhecem não precisam de nenhuma compreensão sobre ela. Eles estão tremendamente contentes conhecendo-a; é mais do que suficiente. Eles podem dançar, podem cantar, podem rir, mas não estão, de maneira alguma, procurando explicá-la. Eles podem vivê-la, podem ficar quietos sobre ela — podem sentar silenciosamente ou podem tornar-se loucamente extasiados com ela — mas não se incomodam em explicá-la.

Esta é a razão pela qual todas as grandes escrituras do mundo: os Upainishads, o Tao te Ching, os dizeres de Jesus, o Dhammapada de Buda, são simplesmente colocações, não explicações. Os Upanishads não provam Deus, eles simplesmente afirmam; eles dizem: É assim. Não é um argumento. Não estão propondo nenhuma hipótese, estão simplesmente declarando: É assim. É uma declaração. Não produzem nenhuma prova de porque eles declaram isto, porque declaram que existe. Eles simplesmente dizem: E assim — pegue ou deixe, mas é assim. E não há necessidade de nenhuma prova: eles são a prova.

Mas, para aqueles que ainda estão na noite escura da alma, tropeçando, tateando, alguma explicação é necessária. Estará muito, muito longe da verdade, será uma mentira — mas, ainda assim, é necessária.

Então, os místicos falam. Eles têm que falar, têm que derramar os seus seres, sabendo que isto pode ajudar uns poucos. Ajuda somente umas poucas pessoas. Ajuda somente aquelas pessoas que estão prontas para confiar — do contrário, nunca ajudam. Se você argumenta, está perdido — porque um místico não pode argumentar, não pode convencê-lo.

Nesse sentido, o místico é muito frágil. Nesse sentido, logicamente, ele é muito frágil: ele não pode argumentar e não pode provar. Você pode chegar perto dele, pode sentir o seu ser, pode olhar nos seus olhos, pode pegar na sua mão, pode apaixonar-se no seu amor, pode confiar neste homem louco, o místico pode ir com ele numa jornada desconhecida. Será uma corajosa aventura de confiança. Se você duvida, de repente, é cortado. Se você duvida, então, não há nenhuma possibilidade de uma ponte. A pessoa tem que confiar.

Osho, em "O Caminho do Amor: Discursos Sobre as Canções de Kabir"

Waking Life (acordando para a vida)



Waking Life é uma obra de arte sobre o sentido da vida e a relação entre sonhos e a vida desperta - tradução apropriada para seu título. Em Waking Life encontramos um jovem preso em um sonho em que todas as pessoas conversam sobre o sentido da vida, as relações entre as pessoas e a natureza da realidade.

Cada cena tem o traço de animadores diferentes, uma vez que foi usada a técnica da rotoscopia - desenhar sobre imagens preexistentes - como estética do filme. Os atores estiveram lá e foram filmados em miniDV, mas ganham cores, traços e deformações típicas de desenhos animados caseiros.

Além de uma sensação quase alucinógena causada pelo movimento e pelas cores do desenho, todo o texto do filme contribui para sua conclusão final - não é o que está acontecendo que importa, mas como. Não é o destino, mas a viagem.

Você já desistiu, de fato, de representar um papel na sociedade


Libertando se das tóxicas crenças transgeracionais



"Um homem rico de laços terrestres — ou rico de conhecimento e de crenças — conhecerá somente as trevas e será um centro de desordem e de miséria. Somente o homem plenamente consciente está em estado de meditação. Logo que o eu deixe de existir, a eternidade pode assumir sua existência." — Krishnamurti
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"O homem tem vivido na estupidez porque todas as religiões do mundo enfatizam somente uma coisa: a crença. E a crença é um veneno para a inteligência. O novo homem que eu visualizo, não terá nenhum sistema de crenças e não terá nenhuma fé. Ele será um buscador, um investigador, um questionador. Sua vida será uma vida de descobertas tremendas, descobertas no mundo exterior e descobertas no mundo interior... Se o novo homem não nascer, não haverá esperanças para a humanidade." — Osho

Você está, de fato, preparado para a morte?


Temos medo de morrer! Para acabar com o medo da morte nós temos que entrar em contato com ela, não com a imagem que o pensamento criou da morte, mas nós devemos realmente nos sentir neste estado. Caso contrário, não existe o fim deste medo, porque a palavra morte gera o medo, e nós nem sequer queremos falar sobre isso. Estando saudável, normal, com a capacidade raciocinar claramente, de pensar objetivamente, de observar, é possível entrarmos totalmente em contato com este fato? O organismo, pelo uso, pelas doenças, eventualmente morrerá. Se somos saudáveis, devemos compreender o que é a morte. Isso não é um desejo mórbido, porque talvez através da morte, compreenderemos a vida. A vida, como está agora, é uma tortura, um interminável tumulto, uma contradição, e, portanto existe conflito, miséria e confusão. O ir cotidianamente ao escritório, a repetição do prazer com suas dores, a ansiedade, o tatear, a incerteza – isso é o que nós chamamos de vida. Fomos acostumados a esse tipo de viver! Aceitamos, envelhecemos e morremos com nele. Para descobrir o que é viver, bem como para descobrir o que é morrer, é preciso entrar em contato com a morte, ou seja, é preciso terminarmos todos os dias com tudo que é conhecido. É preciso acabar com a imagem que se construiu sobre si mesmo, sobre a família, a cerca de uma relação, a imagem que foi construída através de um prazer, através de uma relação da sociedade, tudo. Isso é o que vai acontecer quando a morte chegar.
Autor: Krishnamurti - O Livro da Vida

Sobre o medo de não corresponder as expectativas alheias


Abrindo o pacote pessoal de condicionamentos



"Temos medo de morrer! Para acabar com o medo da morte nós temos que entrar em contato com ela, não com a imagem que o pensamento criou da morte, mas nós devemos realmente nos sentir neste estado. Caso contrário, não existe o fim deste medo, porque a palavra morte gera o medo, e nós nem sequer queremos falar sobre isso. Estando saudável, normal, com a capacidade raciocinar claramente, de pensar objetivamente, de observar, é possível entrarmos totalmente em contato com este fato? O organismo, pelo uso, pelas doenças, eventualmente morrerá. Se somos saudáveis, devemos compreender o que é a morte. Isso não é um desejo mórbido, porque talvez através da morte, compreenderemos a vida. A vida, como está agora, é uma tortura, um interminável tumulto, uma contradição, e, portanto existe conflito, miséria e confusão. O ir cotidianamente ao escritório, a repetição do prazer com suas dores, a ansiedade, o tatear, a incerteza -- isso é o que nós chamamos de vida. Fomos acostumados a esse tipo de viver! Aceitamos, envelhecemos e morremos com nele. Para descobrir o que é viver, bem como para descobrir o que é morrer, é preciso entrar em contato com a morte, ou seja, é preciso terminarmos todos os dias com tudo que é conhecido. É preciso acabar com a imagem que se construiu sobre si mesmo, sobre a família, a cerca de uma relação, a imagem que foi construída através de um prazer, através de uma relação da sociedade, tudo. Isso é o que vai acontecer quando a morte chegar."

Krishnamurti - O Livro da Vida

Egoconhecimento: benção ou maldição?



"Estamos empenhados em várias atividades, alternadamente - ganhar a vida, criar filhos; ou assumimos certas responsabilidades perante várias organizações; estamos tão cheios de compromissos, de diferentes espécies, que dificilmente encontramos tempo para a reflexão sobre nós mesmos, para observarmos e estudarmos. Assim com efeito, a responsabilidade da reação é nossa, e de mais ninguém. Andar pelo mundo em busca de gurus e de seus sistemas, ler os livros mais recentes sobre esta ou aquela matéria, etc., parece-me completamente vão, completamente fútil. Podemos percorrer toda a Terra, mas teremos de voltar a nós mesmos. E, visto que em geral nos desconhecemos totalmente, é dificílimo começarmos a ver com clareza o processo do nosso pensar, sentir e agir."

Krishnamurti - A Primeira e Última Liberdade - Cultrix

Treze toques sobre autoconhecimento

O autoconhecimento não pode ser aprendido de outrem. Eu não posso dizer-vos o que ele é. Mas pode-se ver como a mente opera, não apenas a mente que está ativa todos os dias, porém a totalidade da mente — a mente consciente e a mente oculta. Todas as numerosas camadas da mente têm de ser percebidas, investigadas, mas não pela introspecção. A auto-análise não revela a totalidade da mente, porque há sempre a separação entre o analista e a coisa analisada. Mas se puderdes observar as operações de vossa mente, sem tendência para julgar, avaliar, sem condenação ou comparação — observar, simplesmente, como se observa uma estrela, desapaixonadamente, tranquilamente, sem ansiedade — vereis então que o autoconhecimento não depende do tempo, não é processo de penetração do inconsciente com o fim de remover todos os "motivos" ou de compreender os vários impulsos e compulsões. O que cria o tempo é a comparação, não resta dúvida; e porque nossa mente é resultado do tempo, só pode pensar em termos de mais - sendo isso o que chamamos progresso.(1)

Já se disse que conhecer a si próprio é a mais alta sabedoria, mas mui poucos dentre nós têm cuidado disso. Falta-nos a necessária paciência, intensidade ou paixão, para descobrirmos o que somos. Nós temos a necessária energia, mas valemo-nos da energia de outros; precisamos que outros nos digam o que somos.(2)

Liberdade significa não condenardes nada do que vedes em vós mesmo. Em geral condenamos, ou explicamos, justificamos. Nunca olhamos sem justificação ou condenação. Por conseguinte, a primeira coisa que cumpre fazer — e esta é talvez a última coisa — é observar sem nenhuma espécie de condenação. Isso vai ser muito difícil, porque é nossa cultura, nossa tradição, comparar, justificar ou condenar o que somos. Dizemos "isto é certo e isso é errado; isto é verdadeiro e isto é falso, isto é belo, etc.", e isso nos impede de observar o que realmente somos.(3)

Estamos empenhados em várias atividades, alternadamente — ganhar a vida, criar filhos; ou assumimos certas responsabilidades perante várias organizações; estamos tão cheios de compromissos, de diferentes espécies, que dificilmente encontramos tempo para a reflexão sobre nós mesmos, para observarmos e estudarmos. Assim com efeito, a responsabilidade da reação é nossa, e de mais ninguém. Andar pelo mundo em busca de gurus e de seus sistemas, ler os livros mais recentes sobre esta ou aquela matéria, etc., parece-me completamente vão, completamente fútil. Podemos percorrer toda a Terra, mas teremos de voltar a nós mesmos. E, visto que em geral nos desconhecemos totalmente, é dificílimo começarmos a ver com clareza o processo do nosso pensar, sentir e agir.(4)

Quanto mais uma pessoa se conhece, tanto mais clareza existe. O autoconhecimento é infinito; nunca se chega a um remate, nunca se chega a uma conclusão. É um rio sem fim. Estudando-o e penetrando-o mais e mais, encontramos a paz. Só quando a mente está tranquila — em virtude do autoconhecimento e não da autodisciplina — só então, nessa tranquilidade, nesse silêncio, pode manifestar-se a realidade. Só então pode haver bem-aventurança, ação criadora. E se, sem termos esta compreensão, esta experiência, pomo-nos a ler livros, a assistir conferências, a fazer propaganda, isto me parece extremamente infantil, uma simples atividade sem muita significação. Mas se, ao contrário, o indivíduo for capaz de compreender a si mesmo e, por conseguinte, de fazer nascer aquela felicidade criadora, aquele experimentar de algo não produzido pela mente, então talvez possa haver transformação imediata das relações, ao redor de nós, e, por conseguinte, no mundo em que vivemos.(5)

Somos criados com a ideia de que o guru é essencial, porque é um homem que sabe e irá dizer-nos o que devemos fazer; estamos completamente imbuídos desta tradição e cumpre cortar-lhe imediatamente a raiz, para que sejamos capazes de compreender as questões que vamos examinar. Vede, senhores, temos medo de ficar privados dos nossos guias, porque nos achamos sumamente confusos; e quando agimos, em meio à nossa confusão, aumenta-se a confusão. Mas a confusão só pode ser dissipada por cada um de nós, sendo esta a razão por que tanto importa o indivíduo compreender a si mesmo. Com a compreensão vem uma ação que não é confusa nem causadora de confusão. O autoconhecimento, portanto, é essencial, mas não o autoconhecimento que se ensina nos livros, porque isso não é autoconhecimento, de modo nenhum, e sim, meramente, vã repetição.(6)

Preciso conhecer a mim mesmo, não como ideologicamente gostaria de ser, mas como realmente sou, bonito ou feio, ciumento, invejoso, ganancioso. Mas é muito difícil ver-nos tal qual somos sem desejar mudar, e esse mesmo desejo de mudança é outra forma de condicionamento; e assim prosseguimos, de condicionamento a condicionamento, nunca chegando a algo que esteja além do que é limitado.(7)

No momento, somos meros gramofones repetidores, eventualmente trocando gravações quando pressionados mas, em geral, tocando as mesmas melodias para todas as ocasiões. E é esse repetir constante, esse perpetuar da tradição, a origem do problema com todas as suas complexidades. Parecemos incapazes de escapar da conformidade, embora saibamos substituir a atual conformidade por uma outra, ou até mesmo sejamos capazes de tentar mudar o modelo atual. Trata-se de um processo constante de repetição, de imitação... e a repetição, seguramente, não irá solucionar os problemas humanos... por meio do autoconhecimento, é possível livrar-se desse eterno repetir.(8)

É essencial para um homem de paz, para um homem de pensamento, compreender a si mesmo. Pois sem autoconhecimento, seus esforços só criarão mais confusão e desgraças. Tome ciência do processo total de você mesmo. Você não precisa de gurus, de livros, para entender a cada novo momento o seu relacionamento com as coisas.(9)

Nós somos a sociedade. Se querem que a sociedade seja algo diferente, os senhores tem de começar, tem de por suas casas em ordem, as casas que são os senhores.(10)

Autoconhecimento não significa conhecer-se, mas conhecer a atividade do pensamento. Porque o eu é pensamento, a ideia. Portanto, observe cada movimento do pensamento, não deixando nunca que um pensamento passe sem se certificar do que ele é. Tente. Faça isso e você verá o que acontece. Isso revigora o cérebro. Veja: o pensamento é medo, o pensamento é prazer, o pensamento é tristeza. E o pensamento não é amor. O pensamento não é compaixão.(11)

Tendes que ser "impiedosos" com vós mesmos e viver no "verdadeiro estado de investigação". A menos que vos investigueis profundamente, em vosso interior, não tendes a possibilidade de descobrir o que é verdadeiro. Ninguém vos pode levar a esse descobrimento — ninguém! — e, por consequência, nenhum sistema. A verdade não é uma coisa estática, que fica à vossa espera, enquanto seguis um sistema uniforme, enquanto praticais dia a dia um certo método, enquanto aprimorais a vossa mente e o vosso coração para alcançar aquele estado a que chamais "a verdade". A Verdade não espera por vós!(12)

Se você achar difícil estar atento, então experimente escrever todo pensamento e sentimento que surge ao longo do dia, anote suas reações de ciúme, inveja, vaidade, sensualidade, as intenções atrás de suas palavras, e assim por diante. Reserve algum tempo antes do café para escrever isto – o que pode exigir sair mais cedo da cama e abandonar alguma atividade social. Se você anota estas coisas sempre que pode, e à noite antes de adormecer olha tudo que escreveu durante o dia, estuda e examina isto sem julgamento, sem condenação, você começará a descobrir as causas ocultas de seus pensamentos e sentimentos, desejos e palavras. ... Agora, o importante nisto é estudar com a inteligência livre tudo que você escreveu, e estudando isto você se dará conta de seu próprio estado. Na chama da autoconsciência, do autoconhecimento, as causas do conflito são expostas e consumidas. Você deveria continuar a escrever seus pensamentos e percepções, intenções e reações, não uma vez ou outra, mas por um número considerável de dias até que você possa estar imediatamente atento a eles ... Meditação não é só autoconsciência constante, mas abandono constante do ego. Além do pensamento de comum conhecido, existe a meditação, da qual provém a tranqüilidade da sabedoria, e na serenidade algo maior acontece. Ao escrever o que a pessoa pensa e sente, os seus desejos e suas reações, propicia a consciência interior, a cooperação do inconsciente com o consciente, e isto por sua vez conduz em troca à integração e à compreensão.(13)

(1)   Krishnamurti - Da solidão à Plenitude Humana - ICK
(2)   Krishnamurti - Fora da Violência - Ed. Cultrix
(3)   Krishnamurti - Fora da Violência - Ed. Cultrix
(4)   Krishnamurti - A Primeira e Última Liberdade - Cultrix
(5)   Krishnamurti - A Primeira e Última Liberdade - Cultrix
(6)   Krishnamurti - Da solidão à Plenitude Humana - ICK
(7)   Krishnamurti - Sobre Deus - Ed. Cultrix
(8)   Krishnamurti - Sobre Relacionamentos - Ed. Cultrix
(9)   Krishnamurti - Sobre Relacionamentos - Ed. Cultrix
(10) Krishnamurti - O Futuro é Agora - Cultrix
(11) Krishnamurti - Diálogos sobre a visão intuitiva - Cultrix
(12) Krishnamurti - Uma Nova Maneira de Agir 
(13) Krishnamurti - O Livro da Vida

Descondicionando as faculdades da lógica e da razão


"O que diferencia o homem de um animal estúpido não é a racionalidade nem o volume de conhecimentos que detém, mas a nobreza de seus propósitos. A mídia e a parceira psicologia estão dispostas a vender a alma e a se render ao fascínio capitalista, à lógica do lucro a qualquer custo. A questão central não é, e nem nunca foi, se os meios utilizados são lícitos ou ilícitos, mas a maquiavélica suposição de que "os fins justificam os meios". A realidade se resume ao dinheiro, à sede de glória e poder, ao esvaziamento de sentido. O tempo e a contumácia geram o hábito, e o hábito produz a cegueira. A apregoada liberdade capitalista, não devidamente conduzida, levou ao esfacelamento da razão. E ainda há psicólogos escritores que são suficientemente insensatos para tecerem em seus livros comentários irônicos a respeito de conceitos universais da Filosofia, quando a Filosofia aparenta ser a única ciência que ainda não se rendeu ao fascínio capitalista."
— Afonso do Carmo — Guaxupé - MG.

"Hoje, o homem tornou-se tão materialista que ele teme qualquer experiência, exceto a dos sentidos. Ele acredita que somente aquilo que ele pode experimentar por meio dos sentidos é uma experiência verdadeira, e que aquilo que não é experimentado por meio dos sentidos é alguma coisa desequilibrada, alguma coisa que deve ser temida; isso significa penetrar em águas profundas, algo anormal, pelo menos um caminho inexplorado. Com muita freqüência o homem teme cair num transe, ou ter um sentimento que é incomum, e pensa que aqueles que vivenciaram tais coisas são fanáticos que perderam a razão. Mas não é assim. O pensamento pertence à mente, o sentimento, ao coração. Por que alguém deveria acreditar que o pensamento está certo e o sentimento, errado?"
— O CORAÇÃO DO SUFUISMO - Ed. Cultrix — Sufi Hasrat Inayat Khan

Na rendição da Tormenta do Ser pula-se do barco dos contentes


Samadhi: a completa renovação da mente e a transformação do caráter

O conhecimento obtido do estudo e de conclusões a partir das escrituras é de determinado tipo. Mas o conhecimento obtido do samadhi é de natureza muito superior.

Neste ponto, descreve Patanjali dois tipos de conhecimento: o conhecimento obtido através da mediação dos sentidos e da razão, e o conhecimento obtido pela experiência direta, superconsciente. O conhecimento comum chega-nos pela percepção dos sentidos e através da interpretação dessa percepção pela nossa razão. É, portanto, um conhecimento necessariamente limitado aos “objetos ordinários”; ou seja, àquelas espécies de fenômenos que estão ao alcance de nossas percepções sensoriais. Quando o conhecimento ordinário tenta lidar com o extraordinário, revela-se de imediato sua incapacidade.

Temos, por exemplo, as diversas escrituras e livros que nos falam da existência de Deus. Podemos lê-los e aceitar-lhes os ensinamentos — até certo ponto. Não podemos, porém, pretender que conhecemos Deus pelo fato de os termos lido. Quando muito, podemos afirmar que sabemos que tais livros foram escritos por pessoas que afirmavam conhecer Deus. Por que haveríamos de acreditar nelas? É certo que nossa razão pode sugerir-nos que existe a probabilidade de os autores serem honestos e confiáveis, nem iludidos nem dementes, levando-nos, portanto, a acreditar no que nos dizem. Essa crença, entretanto, será apenas parcial e passageira: inteiramente insatisfatória, não chegando por certo a ser um conhecimento.

Assim, restam-nos duas alternativas: ou concluir que existe um só tipo de conhecimento, limitado aos objetos de contato sensorial, e resignar-nos, consequentemente, a um agnosticismo permanente no que tange aos ensinamentos das escrituras; ou admitir a possibilidade de outro conhecimento, um tipo superior que se situa além do nível sensorial, e por isso capaz de confirmar a verdade desses ensinamentos, através da experiência direta. Trata-se do conhecimento alcançado pelo samadhi. E cada um de nós precisa encontrá-lo por si próprio.

“A realização” — diz Swami Vivekananda — “é a religião verdadeira; tudo o mais não passa de preparação palestras ouvidas, livros lidos ou a reflexão são apenas a base preparatória; isso não é a religião. A concordância ou discordância intelectuais não são a religião”. A religião é, de fato, uma espécie de busca rigorosamente prática e empírica. Não se toma nada de boa fé. Aceita-se somente a própria experiência. Avança-se sozinho, passo a passo, como o explorador numa floresta virgem, para se ver o que se vai encontrar. Tudo o que Patanjali ou outro qualquer pode fazer por nós é estimular-nos a buscar a exploração e oferecer-nos algumas sugestões e alertas que nos ajudem na caminhada.

Diz-nos Patanjali que no estado de samadhi nirvichara a mente se torna “pura e plena de verdade”. Diz-se que a mente fica pura porque, nesse estado, as ondas menores de pensamento foram engolidas pela onda maior da concentração sobre um objeto único. É certo que existem ainda dentro dessa onda as “sementes” de apego, mas é apenas num estado de morte aparente. Pelo menos por ora não podem causar dano, e muito provavelmente jamais se tomarão outra vez férteis pois, havendo progredido tanto, é-nos relativamente fácil chegar ao ponto final capaz de aniquilá-las.

Diz-se que a mente está plena de verdade no samadhi nirvichara porque ela prova agora o conhecimento direto supersensorial. Quem já meditou sobre algum Ideal Escolhido ou personalidade espiritual experimentou o contato direto com essa personalidade, não mais como algo imaginado subjetivamente, e sim como alguma coisa objetivamente conhecida. Se você se puser a meditar em Krishna, em Cristo ou em Ramakrishna e buscar figurá-los para si mesmo na mente, descobrirá que a imagem se dissolve na realidade de uma presença viva. E, ao conhecer essa presença, verá que a imagem que dela você fez era imperfeita e diferente do original vivo. Os que passaram por essa experiência comparam-na à ação de um ímã. No estágio inicial da meditação, parece que todo o esforço parte de nós próprios; esforçamo-nos para manter a mente fixa em seu objeto. Logo, porém, tomamos consciência de uma força externa, de um poder magnético de atração que puxa nossa mente na direção desejada, de tal modo que o esforço já não é mais nosso. Isso é conhecido como graça.

Como nos assegurar de que as revelações alcançadas através do samadhi são revelações verdadeiras, e não algum tipo de auto-ilusões ou de auto-hipnose? O bom senso indica diversos testes. Por exemplo, é óbvio que o conhecimento obtido dessa força não deve contrariar o conhecimento já alcançado por outras pessoas: são muitas as pessoas que conhecem, mas há uma só verdade. É também evidente que tal conhecimento deve pretender algo que não se pode conhecer de outro modo — isto é, que não pode ser conhecido através da nossa experiência sensorial ordinária. Finalmente, é preciso que essa experiência traga consigo renovação completa da mente e transformação do caráter. "A relação correta entre a prece e o comportamento" — escreve o arcebispo Temple — "não está no fato de que o comportamento é extremamente importante e a prece pode ajudar a este respeito; e sim no fato de que a prece é extremamente importante e o comportamento o confirma". E se isso é verdadeiro nas fases preliminares da vida espiritual, deverá ser ainda mais marcadamente evidenciado no estado final e unitivo do samadhi. Ao atingi-lo, a pessoa torna-se santa.
 
Swami Prabhananda e Cristopher Isherwood,
em "Como Conhecer Deus - Aforismos iogues de Patanjali"

Solução para os nossos conflitos — I

Acho muito importante que sejamos sinceros no mais alto grau. Aqueles que vêm às nossas reuniões, aqueles que freqüentam várias reuniões desta natureza julgam-se muito sinceros e interessados. Mas eu gostaria de saber o que se entende por ser sincero, ter interesse. Há interesse, há sinceridade, em irmos de um conferencista ou orador para outro, em passarmos de um guia para outro, em freqüentarmos grupos diferentes ou passarmos por diferentes organizações, na busca de alguma coisa? Assim, pois, antes de começar a verificar o que significa estar interessado, precisamos saber o que estamos procurando.

Que procura a maioria de nós? Que é que cada um nós deseja? Principalmente neste mundo inquieto, no qual todos querem encontrar paz e felicidade de alguma espécie, em que todos buscam um refúgio, muito importa, por certo, averiguar o que queremos procurar, o que queremos descobrir. Não achais? A maioria de nós, provavelmente, anda à procura de alguma espécie de paz, de felicidade; num mundo atormentado de agitações, guerras, disputas, lutas, todos querem um refúgio onde se encontre um pouco de paz. Penso que é isso o que deseja a maioria de nós. E saímos, assim, em busca do que desejamos, indo ora a um guia, ora a outro, ora a uma organização religiosa, ora a outra, ora a um instrutor, ora a outro.

Pois bem; buscamos a felicidade, ou buscamos apenas alguma espécie de satisfação, a qual esperamos nos proporcione a felicidade? Existe, por certo, uma diferença entre felicidade e satisfação. Pôde-se procurar a felicidade? É possível, talvez, achar-se a satisfação, mas é impossível achar-se a felicidade. A felicidade é um derivado, um subproduto de uma outra coisa. Nessas condições, antes de aplicarmos a mente e o coração a uma coisa que exige grande soma de empenho, de atenção, pensamento, cuidado, precisamos verificar o que é que procuramos, se a felicidade ou a satisfação. Parece que a maioria de nós está à procura de satisfação. Queremos sentir-nós satisfeitos, encontrar um sentimento de plenitude, no fim de nossa busca.

Ora bem, pode-se procurar alguma coisa? Por que razão compareceis a estas reuniões? Por que estais aqui á escutar-me? Seria muito interessante averiguar por que estais aqui escutando, por que vos dais o incômodo de percorrer longas distâncias, em dias de calor, para ouvir-me falar. E com que propósito escutais? Estais procurando uma solução para vossas dificuldades, e é isso o que vos faz ir de um conferencista para outro, passar por várias organizações religiosas, ler livros, etc., etc.,? Ou quereis descobrir a causa de todas as dificuldades, aflições, disputas e lutas? Isso, por certo, não exige que leiais muitos livros, que freqüenteis inúmeras reuniões, ou que andeis à procura de um instrutor. O que se requer é clareza de propósito, não é verdade? Afinal de contas, quem busca a paz, pode encontrá-la mui facilmente. Qualquer um é capaz de devotar-se cegamente a uma causa, uma idéia, e nela abrigar-se. Mas isso, naturalmente, não resolve o problema. O mero isolamento e enclausuramento numa idéia não é libertação do conflito. Assim, pois, precisamos — não é verdade? — achar o que cada um de nós tanto interior, como exteriormente. Se temos clareza a tal respeito, não é, então, necessário irmos a parte alguma, a nenhum instrutor, nenhuma igreja, nenhuma organização. Nossa dificuldade, pois, é a de termos clareza em nós mesmos, quanto ás nossas intenções. Podemos ter esta clareza? E vem-nos ela como resultado da busca, procurando descobrir o que outros dizem, do instrutor mais sublime ao pregador medíocre da igreja mais próxima? Precisais recorrer a alguém para descobrirdes alguma coisa? É isso, entretanto, o que estamos fazendo, não é? Lemos livros e mais livros, freqüentamos muitas reuniões, tomamos parte em discussões, filiamo-nos a várias organizações, tentando por essa maneira achar um remédio para o conflito, para as atribulações de nossa vida. Ou, se não fazemos isso tudo, pensamos que já achamos o que procurávamos; isto é, dizemos que uma dada organização, um determinado instrutor ou livro nos satisfaz; encontramos nele o que desejávamos, e ai fica cristalizados e fechados.

Temos, assim, de chegar ao ponto em que nos perguntamos, com real interesse e profundeza, se a paz, a felicidade, a realidade, Deus, ou o que quer que seja, nos pode ser dado por uma outra pessoa. Pode essa busca incessante, essa constante aspiração, dar-nos aquele extraordinário senso da realidade, aquele Ser criador, que se manifesta quando verdadeiramente compreendemos a nós mesmos? Vem-nos o autoconhecimento como resultado de nossa busca, do seguirmos outra pessoa, do pertencermos a uma dada organização, do lermos livros, etc? Afinal de contas esta é a questão principal, isto é, que, enquanto eu não compreender a mim mesmo, me faltará base para o pensamento e a minha busca será inteiramente baldada. Posso refugiar-me em ilusões, fugir de todas as lutas e disputas; posso render culto a outro indivíduo, procurar a salvação através de outra pessoa. Mas enquanto desconhecer a mim mesmo, enquanto desconhecer o processo total de minha consciência, não terei base alguma para o pensamento, para o afeto, para a ação.

No entanto, o que menos desejamos é conhecer a nós mesmos. E essa é, positivamente, a única base sobre a qual podemos construir. Mas antes que possamos construir, antes que possamos transformar, que possamos condenar ou destruir, precisamos saber o que somos.

Assim sendo, o sairmos a procurar, trocando de instrutores, de gurus, praticando a ioga, fazendo exercícios respiratórios, celebrando ritos, seguindo mestres, etc., é coisa de todo inútil, não achais? Nenhuma significação tem isso, ainda que as próprias pessoas que seguis vos digam que deveis estudar a vós mesmos. Porque, o que somos, o mundo é. Se somos mesquinhos, invejosos, vaidosos, ambiciosos, assim também é o que criamos em torno de nós, assim também a sociedade em que vivemos.

Parece-me, portanto, que antes de encetarmos a jornada para encontrar a realidade, para encontrar Deus; antes que possamos agir, ter relações uns com os outros — o que constitui a sociedade — é, sem dúvida essencial que, em primeiro lugar, comecemos a compreender a nós mesmos. E considero deveras interessada a pessoa que dá importância, em primeiro lugar, a isso, e não a alcançar um determinado alvo. Porque, se vós e eu não compreendermos a nós mesmos, como poderemos, com a nossa ação promover qualquer transformação na sociedade, nas relações, em tudo o que fazemos. Mas isso não significa, é claro, que o autoconhecimento esteja em oposição à vida de relação ou separado dela. Não implica a exaltação do individuo, do “eu”, como oposto da coletividade ou de outro individuo. Não sei se algum de vós já empreendeu a sério o estudo de si mesmo, observando cada palavra e as correspondentes reações; observando cada movimento do pensamento e do sentimento — observando, simplesmente, mantendo-vos cônscio das reações corporais, quer a ação proceda dos centros físicos, quer de uma idéia, cônscio de como reagis às condições do mundo. Não sei se já alguma vez examinastes seriamente essa questão. Talvez o tenhais feito, alguns de vós, esporadicamente, como último recurso, depois de tudo falhar e por sentirdes enfadados.

Ora, sem conhecerdes a vós mesmos, sem conhecerdes a vossa própria maneira de pensar, e a razão por que pensais certas coisas, sem conhecerdes o fundo do vosso condicionamento, e sem saberdes por que tendes certas crenças acerca da arte, da religião, de vossa nação, de vosso semelhante, e acerca de vós mesmo, como podeis pensar corretamente a respeito de algo? Sem conhecerdes o vosso fundo, sem conhecerdes a substância do vosso pensamento e de onde ele procede, vossa busca é por certo completamente inútil e vossas ações nenhuma significação tem. Não é verdade isso? Nada significa, tão pouco, que sejais americano ou hindu, nem qual seja a vossa religião.

Nessas condições, antes de podermos descobrir qual é a finalidade da vida, qual o significado de tudo o que vemos — as guerras, os antagonismos nacionais, os conflitos, a confusão geral — precisamos começar por descobrir a nós mesmos, não achais? Isso parece tão simples e, no entanto, extremamente difícil. Porque, para observar a si mesmo, ver como funciona o seu próprio pensamento, precisa um homem estar extraordinariamente vigilante: logo que uma pessoa começa a perceber melhor os meandros do próprio pensar, de suas reações e sentimentos, começa, igualmente, a ter um melhor conhecimento, não só de si mesma, mas também daqueles com quem está em relação. Conhecer a si mesmo, é estudar a si mesmo em ação, o que é relação. Mas a dificuldade está em sermos muito impacientes, em querermos ir por diante, chegar a um alvo. E, assim, falta-nos tempo e ocasião para darmos a nós mesmos uma oportunidade de estudar-nos e observar-nos. Ou, ainda, obrigamo-nos a desempenhar várias atividades — ganhar o nosso sustento, criar os nossos filhos — ou assumimos certos deveres perante várias organizações: tomamos tantos compromissos, em diferentes sentidos que quase não nos sobra tempo para a reflexão nós mesmos, para a observação e o estudo de nós mesmos. Assim sendo, a responsabilidade da reação cabe, com efeito, ao próprio individuo, e não a outro. E esse interesse que se observa, tanto na América do Norte como no mundo inteiro, pelos gurus e seus sistemas, pela leitura dos livros mais recentes sobre este ou aquele assunto, etc., etc., me parece profundamente vazio; podeis percorrer a terra toda, mas tereis de voltar a vós mesmos. E visto que, em geral, estamos completamente alheados de nós mesmos, é extremamente difícil começarmos a perceber claramente o processo do nosso pensar, sentir e agir. E este é o assunto de que vou tratar nas semanas vindouras.

Quanto mais conheceis a vós mesmos, tanto mais clareza há. O autoconhecimento não tem fim; não se chega a uma realização final, não se chega a uma conclusão. É um rio infinito. E, ao estudá-lo, ao penetrá-lo mais e mais, encontra o homem a paz. Só quando a mente está tranqüila — em virtude do autoconhecimento e não de uma disciplina imposta — só então, nessa tranqüilidade, nesse silêncio, pode a realidade despontar. Só então pode haver a felicidade suprema, a ação criadora. E a mim me parece que, sem esta compreensão, sem esta experiência, se formos apenas ler livros, assistir a conferências, fazer propaganda, procederemos de maneira infantil, pois não tem grande significação a nossa atividade. Mas, se formos capazes de compreender a nós mesmos e de, com essa compreensão, fazer nascer àquela felicidade criadora, aquela experiência de algo que não procede da mente, então, talvez, se operará uma transformação nas nossas relações imediatas e, conseqüentemente, também no mundo em que vivemos.

(Conferências, com perguntas e respostas, realizadas em Ojai, Califórnia, de 16 de julho a 6 de agosto de 1949).
Tradução de HUGO VELOSO
Título da edição original norte-americana
KRISHNAMURTI’S TALKS Ojai – Califórnia 1949



No olho do furação do sofrimento psicológico


Fique com suas inquietações e salte através delas

[...]Como você pode alcançar o êxtase se não conhece a agonia? Se você alcançar o mundo do êxtase sem saber o que é a agonia, não será capaz de reconhecê-lo. O reconhecimento é impossível. Somente através da escuridão se pode reconhecer a luz. Você pode estar vivendo na luz mas, se não conhece a escuridão, não pode saber que está vivendo na luz. Um peixe do mar não pode saber que o mar existe. Somente se o peixe for lançado fora do mar é que poderá reconhecê-lo. Se for jogado outra vez para dentro do mar, esse peixe será totalmente diferente e o mar também será totalmente diferente. A partir de então o peixe será capaz de reconhecê-lo. Sansar, o mundo, é apenas um local de aprendizado. Você precisa entrar profundamente na matéria. Só assim poderá retornar ao outro pólo, ao pico da consciência.

[...]O silêncio real, autêntico, ocorre somente depois de você ter passado pela tormenta. Apenas quando cessa a tormenta é que o silêncio pode explodir dentro de você; nunca antes. Você pode criar uma quietude falsa, antes da tormenta; mas nesse caso estará apenas se iludindo. Você pode criar uma quietude - artificial, cultivada, imposta a partir do exterior - mas ela não será espontânea, não pertencerá ao seu ser interior.

[...]A quietude autêntica surge somente depois da tormenta.

Não force a tormenta a desaparecer. Antes, viva-a; permita que ela aconteça. Traga-a para fora, expulse-a. Permita que a tormenta o abandone, deixe que ela se dissipe. Não a reprima. Reprimida, ela permanecerá em você. Reprimida no inconsciente, ela persistirá; aguardará o momento certo para explodir. Você sempre receará sua explosão, precisará combatê-la continuamente. E você nunca sairá vitorioso, pois aquilo que é reprimido precisa ser combatido repetidas vezes, precisa ser reprimido muitas vezes. Sua quietude estará assentada sobre um vulcão e, a qualquer momento, o vulcão poderá entrar em erupção.

Então você sempre temerá a vida, porque a vida pode criar situações nas quais o vulcão poderá entrar em erupção. Você negará a vida, tentará fugir dela. Desejará ir para Himalaia, pois ali não haverá ninguém que lhe forneça uma oportunidade para que seu vulcão entre em erupção. Mas o vulcão ainda estará aí e o Himalaia não poderá ajudar, a menos que o vulcão seja expulso.

E é bom expulsá-lo. Você está perdendo uma experiência básica, a de expulsar completamente o vulcão, de liberar totalmente a loucura, de trazer para fora tudo o que se encontra ali: a tormenta interior. Deixe-a sair e não resista, não reprima. Deixe-a sair totalmente. Então chegará o momento em que a tormenta passará.

Nesse momento, a quietude real acontece em você. Real no sentido de que, agora, não é cultivada; é espontânea. O rio está fluindo. Não se trata de algo que você criou; não é algo que está acontecendo devido ao seu esforço. Pelo contrário, você não está aí. Apenas a quietude está. E essa quietude é destemida. Nada pode perturbá-la, porque aquilo que poderia ser distúrbio foi expulso. A tormenta se dissipou.

Por isso é que insisto, e insisto bastante para que você expulse a sua loucura. Dentro, ela é perigosa. Expulse-a e ela desaparece. Seu coração torna-se vazio; um certo espaço é criado. Somente nesse espaço a quietude pode acontecer. Então você tem um lugar para ela, está pronta para ela, aberto para ela.

Espere a flor desabrochar na quietude que sucede à tormenta: não se adiante. O que é a flor?

O florescimento do seu ser só ocorrerá quando a quietude real acontecer em você; nunca antes. Você não pode forçar a flor a se abrir. Ela se abre por si mesma. Você não pode forçar o seu ser a se abrir; isso é impossível. Você não pode violentá-lo, não pode ser violento com ele. Ele será simplesmente destruído.

A flor se abre por si mesma. O único solo necessário é a quietude autêntica, real e espontânea. A partir de uma quietude cultivada, a flor nunca se abrirá. Com uma quietude cultivada, você simplesmente se tornará entorpecido. Seu ser ficará menos vivo, apenas isso. Com menos vida, você estará menos inquieto. Isso parece bem, mas lembre-se de que a inquietude é um aprendizado. Você não deve tentar ter menos inquietações. Fique com as suas inquietações e mova-se através delas. Não as abandona, não fuja delas. Chegará um momento em que você terá ido além delas, mas só se atinge esse momento passando-se através delas. Passe através da tormenta e permita que surja uma verdadeira quietude. Só então seu ser florescerá, nunca antes.

[...]Não pense que a tormenta é sua inimiga. Ela não é. Essa tormenta é a sua maior amiga, pois sem ela não haverá quietude, sem ela não haverá florescimento, sem ela não haverá liberação. Assim, nunca pense em termos de inimizade. Não há nada que seja seu inimigo; a existência inteira é amiga. Até mesmo aquilo que parece estar contra você - até mesmo isso não é seu inimigo. Jesus diz: “Ame o seu inimigo.” O verdadeiro inimigo que você precisa amar não é o seu vizinho ou o inimigo do seu país. Eles não são seus verdadeiros inimigos. Seus verdadeiros inimigos são a tormenta, o mundo, o mal. A sexualidade, a raiva, a paixão, o ódio - estes são os seus verdadeiros inimigos.

Jesus diz: “Ama a teus inimigos como a ti mesmo.” Por quê? O cristianismo nunca pôde entender isso. [...] Jesus é muito esotérico. Quando diz: “Ama a teus inimigos como a ti mesmo”, quer dizer: através do pólo oposto, através do inimigo, alcança-se o amigo supremo. Viva o inimigo em sua totalidade para que possa transcendê-lo. Qualquer experiência total torna-se transcendental. Qualquer experiência, eu disse. Viva com a sua totalidade e terá ido além dela. Ela nunca ficará presa a você; você terá ido acima dela. Terá passado através dela, terá aprendido tudo a seu respeito. Esse conhecimento é revolucionário. Cria uma mutação; transforma você.

[...] Não pense que a tormenta é sua inimiga, pois enquanto ela prossegue embaixo da terra, oculta na escuridão, a flor se desenvolverá.

[...] Quando a tormenta cessar, a flor desabrochará. Mas ela já estava se preparando durante a tormenta. Através da tormenta, ela estava se preparando para desabrochar. Estava acumulando energia, vida, vitalidade. Estava se aprontando para explodir. A tormenta é o solo. Sem ela, a flor não pode desabrochar.

[...] Somente passando pela tormenta é que você poderá alcançar uma calma em seu interior, semelhante àquela que, num país tropical, sucede à chuva intensa. Lembre-se disso profundamente, pois lhe será de grande ajuda.

Com cada sofrimento, você está criando a possibilidade de algum êxtase. Após cada sofrimento, o êxtase se seguirá imediatamente. Mas se você estiver muito preso ao sofrimento, poderá perder o êxtase. Se você estiver doente, um momento de saúde, um momento de bem-estar virá a você após essa doença. Mas você pode estar tão preocupado com a doença que, quando o momento vier, poderá perdê-lo — estará muito envolvido com a doença que não existe mais. O momento é instantâneo; você pode perdê-lo facilmente. Após cada dor, o momento vem e visita você.

Após cada sofrimento, o êxtase vem bater à sua porta; mas você continua perdendo-o porque o passado é muito intenso. A doença já passou, mas você continua doente. Ela permanece na memória, cobrindo sua mente de névoas, e você perde esse momento fugaz.

Lembre-se disto: sempre que você estiver deprimido, espere pelo momento em que a depressão for embora. Nada permanece eternamente; a depressão irá embora. E quando ela o deixar, espere — fique atento e alerta — porque após a depressão, após a noite, virá a aurora e o Sol nascerá. Se você puder estar alerta nesse momento, ficará feliz por ter estado deprimido. Ficará grato por ter estado deprimido, porque somente por intermédio dessa depressão é que esse momento de felicidade tornou-se possível.

Mas o que é que fazemos? Movemo-nos numa regressão infinita. Ficamos deprimidos. Então, ficamos deprimidos por causa da depressão; segue-se uma segunda depressão. Se você está deprimido, ótimo. Não há nada de errado nisso. É bom, pois através da depressão você aprenderá e amadurecerá. Mas você se sente mal. “Por que estou deprimido? Não quero ficar deprimido.” Então começa a lutar com a depressão. A primeira depressão é boa, mas a segunda depressão é irreal. E essa depressão irreal cobrirá sua mente de névoas. Você perderá o momento que se seguiria à depressão real.

Quando estiver deprimido, continue deprimido. Simplesmente, continue deprimido. Não fique deprimido por causa da sua depressão. Não lute, não procure se desviar, não force a depressão a ir embora. Apenas permita que ela aconteça; ela irá embora por si mesma. A vida é um fluxo; nada permanece o mesmo. Você não é requisitado; o rio move-se por si mesmo, não precisa que você o empurre. Se está tentando empurrá-lo, você está sendo tolo. O rio fluir por si mesmo. Deixe-o fluir.

Quando a depressão se manifesta, permita que ela se manifeste. Não fique deprimido por causa dela. Se você quiser afastá-la cedo demais, ficará deprimido. Se lutar com ela, você criará uma depressão secundária que é perigosa. A primeira depressão é boa, uma dádiva divina. A segunda depressão é criação sua. Não é uma dádiva divina; não é mental. Então você entrará em esquemas mentais, e eles são infinitos.

Se você ficar deprimido, fique feliz por estar deprimido e permita que a depressão se manifeste. Então, de repente, a depressão desaparecerá e surgirá um espaço, uma brecha. Não haverá nuvens e o céu estará claro. Por um único momento, o céu se abrirá para você. Se você não estiver deprimido por causa de sua depressão, poderá entrar em contato, estar em comunhão, atravessar o portão celeste. E quando o conhecer, terá aprendido uma das leis supremas da vida: que a vida usa o oposto como um professor, como uma base ou trampolim.

[...] Olhe a vida deste modo, e não estará distante o momento em que o sofrimento desaparecerá completamente, em que a dor desaparecerá completamente, em que a morte desaparecerá completamente. Aquele que sabe que a agonia existe em benefício do êxtase não ficará agoniado. Aquele que sabe, sente e compreende que o sofrimento existe em benefício da felicidade, jamais sofrerá. É impossível. Ele usa o próprio sofrimento para ser mais feliz, usa a própria agonia como um degrau para o êxtase. Vai além do domínio do mundo, salta para fora da roda de sansar.

O S H O — A Nova Alquimia

Diga-me quem é seu mestre e saberei quem és

"ouvir a voz do silêncio é compreender que a única orientação verdadeira vem do interior." Quando você está silencioso, verdadeiramente silencioso — depois que a tormenta passou, quando você entrou espontaneamente, no silêncio — você não o cultivou; ele veio até você, manifestou-se espontaneamente em você — nesse silêncio, você sentirá, compreenderá e saberá que agora a orientação verdadeira é possível a partir do âmago do seu ser. Agora, o mestre, o mestre interior se revelará a você. 

Seu próprio centro mais profundo é o seu mestre verdadeiro. O mestre exterior pode ajudar, mas sua ajuda é fundamentalmente dirigida para a descoberta do mestre interior. E quando o mestre interior é descoberto, não há mais necessidade do mestre exterior. Você tornou-se mestre por direito próprio. 

Mas isso só acontece quando você consegue realizar um total silêncio interior, sem quaisquer pensamentos, sem quaisquer palavras, sem nenhuma imaginação, sem ondulações de qualquer tipo. Quando você tiver compreendido e sentido um silêncio sem ondulações, sem pensamentos, um silêncio imóvel — esse silêncio tornar-se-á seu mestre interior. Agora, a partir desse silêncio, a orientação lhe será dada. 

"Pois, quando o discípulo está pronto, o Mestre também está pronto." Quando você está pronto para receber a orientação interior, a orientação interior surge naturalmente, automaticamente. Mas o discípulo precisa estar pronto. 

O que significa dizer-se que o discípulo está pronto? Significa que ele tornou-se totalmente receptivo, humilde, sem ego, entregue, sem resistência. Quando você não diz nada, mas apenas está receptivo para ouvir, quando não impõe nenhuma teoria a verdade — você está nu, vazio e disposto a permitir que a verdade se revele à sua maneira; você não está, de modo algum, consciente ou inconscientemente, impondo alguma coisa à verdade; você parou de impor; está pronto para ser levado a qualquer parte que a verdade o conduzir — então, você é um discípulo. 

Há uma diferença entre um estudante e um discípulo. O estudante deseja informação. O discípulo não anseia por informação. Sua busca é pelo conhecimento, pela experiência autêntica. Não está interessado no que os outros dizem. Está interessado naquilo que pode sentir. O estudante coletará informação; treinará sua memória. E quanto mais sua memória for treinada, quanto mais informação for acumulada, mais egoísta ele se tornará. O estudante nunca poderá ser humilde, o erudito nunca poderá ser humilde. Sua busca básica é egoísta. 

Uma pessoa acumula riqueza e outra acumula conhecimento. Não há nenhuma diferença. Qualquer acúmulo alimenta o ego. Seja o que for que você acumule — quanto maior a quantidade, mais egoísta você se sentirá. Dessa maneira, um estudante ou um erudito não são discípulos. A própria dimensão é diferente. Um discípulo não está em busca de acumulação; pelo contrário, está disposto a se livrar de todas as acumulações. Se a verdade só se manifesta no vazio, ele está pronto a jogar fora todas as acumulações, todo o conhecimento. 

[...] As pessoas ignorantes sempre afirmam que sabem. Quanto mais ignorantes, mais afirmam que sabem. Isso faz parte da ignorância. Um estudante, um erudito — estão sempre declarando que conhecem. Eles não são discípulos. 

E, lembre-se, se você é um estudante, pode tornar-se um professor, mas nunca um mestre. Somente um discípulo pode tornar-se mestre. Se você é um estudante, um erudito, pode tornar-se um professor — nunca um mestre. Somente um discípulo pode tornar-se mestre. Ser discípulo significa entregar-se sem ego. E uma vez que você se entregou, seu eu mais profundo é revelado a você. Esse é o mestre que está à sua espera. Ele tem estado à sua espera por muitas vidas. 

Em algum momento de entrega, o mestre lhe será revelado. E esse mestre não é uma pessoa. Ele é o seu eu mais profundo, é o seu próprio atman. Desse modo, pode-se realmente dizer: quando você é um discípulo perfeito, tornou-se um mestre. Você não é mais um discípulo. Tendo se tornado um discípulo, você se transforma num mestre.

O S H O — A Nova Alquimia 

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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)


O IMPOPULAR DRAMA OUTSIDER — O encontro direto com a Verdade absoluta parece, então, impossível para uma consciência humana comum, não mística. Não podemos conhecer a realidade ou mesmo provar a existência do mais simples objeto, embora isto seja uma limitação que poucas pessoas compreendem realmente e que muitas até negariam. Mas há entre os seres humanos um tipo de personalidade que, esta sim, compreende essa limitação e que não consegue se contentar com as falsas realidades que nutrem o universo das pessoas comuns. Parece que essas pessoas sentem a necessidade de forjar por si mesmas uma imagem de "alguma coisa" ou do "nada" que se encontra no outro lado de suas linhas telegráficas: uma certa "concepção do ser" e uma certa teoria do "conhecimento". Elas são ATORMENTADAS pelo Incognoscível, queimam de desejo de conhecer o princípio primeiro, almejam agarrar aquilo que se esconde atrás do sombrio espetáculo das coisas. Quando alguém possui esse temperamento, é ávido de conhecer a realidade e deve satisfazer essa fome da melhor forma possível, enganando-a, sem contudo jamais poder saciá-la. — Evelyn Underhill