“Não se pode falar do oceano para um sapo do brejo — criatura de uma esfera mais acanhada. Não se pode falar de um estado isento de pensamento para um pedagogo; sua visão é demasiado restrita”. — Chuang Tzu

Sobre a Simplicidade Voluntária.

Porque atribuímos tamanha importância às manifestações exteriores da simplicidade? Porque começamos sempre, invariavelmente, pelo lado errado? Porque não começamos pelo lado certo, que é o psicológico? Sem dúvida, precisamos começar pelo lado psicológico para descobrir o que é vida simples, pois é o interior que cria o exterior. É a insuficiência interior que faz as pessoas se apegarem a seus haveres, a suas crenças; é esse sentimento de insuficiência interior que nos força a acumular bens, roupas, saber, virtude. Evidentemente, por esse caminho só havemos de criar muito mais malefícios e muito mais dano. É extraordinariamente difícil ter uma mente simples — não a chamada mente intelectual dos eruditos, mas a simplicidade que nasce quando compreendemos uma coisa, aquela simplicidade que percebe o problema do que é. Positivamente, não podemos compreender coisa alguma quando nossa mente é complexa. Não sei se já notastes que quando estais preocupados com um problema, preocupado com qualquer coisa, não percebeis coisa alguma com clareza, tudo fica fora de foco. Só quando a mente é simples e vulnerável é possível ver as coisas claramente, em suas exatas proporções. Assim, a simplicidade da mente é essencial à simplicidade da vida. O mosteiro não constitui solução. Surge a simplicidade quando a mente não tem apego, quando a mente não está adquirindo, quando a mente aceita o que é. Isso significa, realmente, estar livre do fundo (background), do conhecido, da experiência adquirida. Só então a mente é simples, e só então é possível ser livre. Não pode haver simplicidade enquanto o individuo pertence a uma religião, a uma certa classe ou sociedade, a um dogma, da esquerda ou da direita. Ser simples interiormente, estar esclarecido, ser vulnerável, é ser como uma chama sem fumo; e por isso não se pode ser simples sem amor. O amor não é uma idéia, o amor não é um pensamento. É só no cessar do pensar que existe a possibilidade de se conhecer aquela simplicidade que é vulnerável.

Krishnamurti – 22 de janeiro de 1950 – Do livro: Nosso Único Problema
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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)