“Não se pode falar do oceano para um sapo do brejo — criatura de uma esfera mais acanhada. Não se pode falar de um estado isento de pensamento para um pedagogo; sua visão é demasiado restrita”. — Chuang Tzu

A confiança onde o "eu" não se torna importante

Por que desejais admiração? Porque o ser admirado vos faz feliz, dá-vos estímulo, faz-vos trabalhar melhor. Desejais que vos estimulem por não vos sentir seguro em vós mesmo, e necessitais, por isso, do amparo dos outros; e sois susceptíveis à crítica porque ela vos revela o que sois.

Tal é a razão porque estais sempre fugindo à crítica e desejoso de admiração, de estímulo, de lisonja; assim, mais uma vez, vos vedes envolvido na batalha do querer e do não querer.

Tudo isso indica, sem dúvida, uma pobreza interior do vosso ser, não é verdade? Não há um sentimento profundo de confiança.

Não me refiro à arrogante confiança da experiência, que é apenas um meio de fortalecer o "eu" e, portanto, sem muita significação. Refiro-me à confiança que resulta de compreenderdes a vós mesmo, do perceberdes todo o significado da admiração, do estímulo, da crítica.

A compreensão de vós mesmo não depende de ninguém; ela se apresentará se estiverdes muito vigilante, atento, encontrando-vos com o que é em cada momento que passa e abstendo-vos de julgá-lo.

O autoconhecimento proporciona uma confiança em que o "eu" não se torna importante. Não é a confiança do "eu" que acumulou considerável experiência, ou do "eu" que possui um grande depósito no banco, ou do "eu" que tem um vasto cabedal de conhecimentos. Nisso não existe confiança e, sim, só é sempre, temor.

Entretanto, quando a mente começa a tornar-se cônscia de si mesma e das suas reações, quando percebe todas as suas atividades, momento por momento, sem inclinação para a comparação ou o julgamento, então, desse conhecimento, resulta uma confiança inteiramente livre do "eu".

Essa mente não busca a admiração nem evita a crítica; já não lhe importa nem uma nem outra coisa, pois a cada momento encontra libertação na compreensão do que é. O que é é a reação, a réplica, o impulso, o desejo da mente, em qualquer momento dado; e se observardes realmente o que é, se vos tornardes cônscios de todo o seu conteúdo, sentireis a presença de uma liberdade extraordinária, manifestando-se sem que a mente a tenha procurado.

Quando a mente busca a liberdade, o que está querendo é livrar-se de alguma coisa, e isso não é liberdade nenhuma, senão, unicamente, uma reação semelhante à revolução política, que é uma reação contra o regime vigente.

A liberdade surgida com a compreensão do que é, não representa reação contra alguma coisa; é uma libertação criadora e, por conseguinte, completa em si mesma.

Mas a compreensão do que é exige muito discernimento, muita tranquilidade mental. A liberdade não resulta de nenhuma espécie de compulsão, de nenhuma atração, de nenhum desejo; pode manifestar-se, apenas, quando a mente percebe sem julgamento, sem escolha, de modo que a cada momento se vê a si mesma tal como é.

A mente que busca liberdade nunca a encontrará, pois procurar liberdade significa barrar, afastar o que é; mas, quando a mente começa a compreender o que é, sem escolha, essa própria compreensão produz uma descarga criadora, que é liberdade.

A liberdade é impar, ela é a verdadeira individualidade, e nela se encontra a bem-aventurança.

Krishnamurti — Percepção Criadora

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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)