“Não se pode falar do oceano para um sapo do brejo — criatura de uma esfera mais acanhada. Não se pode falar de um estado isento de pensamento para um pedagogo; sua visão é demasiado restrita”. — Chuang Tzu

Vocês sabem o que é a vida?

Que tipo de educação você têm agora?

“Ah, estamos na faculdade, e aprendemos as coisas habituais que são necessárias para determinada profissão”, ele respondeu. “Eu serei engenheiro; meus amigos aqui estudam física, literatura e economia, respectivamente. Estamos cursando o plano de estudos prescrito e lendo os livros indicados, e quando temos tempo, lemos um ou outro romance; mas, afora os esportes, estudamos a maior parte do tempo.”

Vocês acham que isso é suficiente para terem boa educação para a vida?

“Pelo que o senhor disse, não”, replicou o segundo. “Mas isso é tudo que temos, e achamos que, de modo geral, estamos sendo educados de modo geral.”

Aprender a ler e escrever apenas, cultivar a memória e passar em algumas provas, adquirir certas capacidades ou habilidades para conseguir um emprego — isso é educação?

“Mas isso não é necessário?”

Sim, preparar-se para ter um meio correto de ganhar o sustento é essencial; mas não é o todo da vida. Há também o sexo, a ambição, a inveja, o patriotismo, a violência e muitas outras coisas. Vocês estão sendo educados para encarar essa coisa chamada vida?

“Quem pode nos educar?”, perguntou o terceiro. “Nossos mestres e professores parecem indiferentes. Alguns são inteligentes e cultos, mas nenhum dedica qualquer pensamento a esse tipo de coisa. Somos empurrados para frente, e teremos sorte se conseguirmos obter diplomas; tudo está se tornando bem difícil.”

“Exceto por nossos impulsos sexuais, que são bastante definidos”, disse o primeiro, “não sabemos nada da vida; todo o resto parece vago e remoto. Ouvimos nossos pais reclamando de falta de dinheiro, e percebemos que eles estão presos em certas rotinas pelo resto de seus dias. Assim, quem pode nos ensinar sobre a vida?”

Ninguém pode lhes ensinar, mas você pode aprender. Há uma vasta diferença entre aprender e ser ensinado. Aprender acontece ao longo da vida, ao passo que ser ensinado acaba dentro de algumas horas ou anos — e depois, pelo resto de sua vida, vocês repetirão aquilo que lhes foi ensinado, que logo se torna cinzas mortas; e assim a vida, que é algo vivo, torna-se um campo de batalha de esforços vãos. Você são atirados na vida sem tranquilidade ou oportunidade para compreende-la; antes, que saibam qualquer cosia sobre a vida, já estão bem no meio dela, casados, amarrados a um emprego, com a sociedade implacavelmente esbravejando a seu redor. Deve-se aprender sobre a vida desde a mais tenra infância, e não no último instante; quando já estão chegando à idade adulta, é quase tarde demais.

Vocês sabem o que é a vida? Ela se estende do momento em que nascem ao momento em que morrem, e talvez além. A vida é um todo vasto e complexo; é como uma casa em que tudo está acontecendo a um só tempo. Vocês amam e odeiam;são cobiçosos, invejosos e, ao mesmo tempo, sentem que não deveriam ser. São ambiciosos, e há frustração ou sucesso, seguindo o rastro da angústia, do medo e da crueldade; e, cedo ou tarde, chega o sentido de futilidade de tudo isso. E há os horrores e a brutalidade da guerra, e a paz pelo terro; há o nacionalismo e a soberania, que apoiam a guerra; há a morte ao fim da estrada da vida, ou em algum ponto ao meio dela. Há a busca por Deus, com suas crenças em conflito e as disputas entre as religiões organizadas. Há o esforço para conseguir e manter um emprego; há casamento, filhos, doença e o jugo da sociedade e do Estado. A vida é tudo isso, e muito mais; e vocês são atirados nessa bagunça. Em geral, afundam nela, infelizes e perdidos; e se vocês sobrevivem subindo até o alto da escala, ainda são parte da bagunça. Isso é o que chamamos vida; perpétuo esforço e dor, com um pouco de alegria ocasional. Quem lhes ensinará tudo isso? Ou melhor, como vocês aprenderão sobre ela? Mesmo que tenham capacidade e talento, são atormentados por ambição, pelo desejo de fama, com suas frustrações e infelicidades. Tudo isso é a vida, não é assim? E ultrapassar tudo isso também é vida. 

“Felizmente, ainda sabemos pouquíssimo sobre toda essa luta”, prosseguiu o primeiro, “mas o que o senhor menciona já está potencialmente em nós. Eu quero ser um engenheiro famoso, quero vencer todos os outros; portanto, tenho de trabalhar duro e conhecer as pessoas certas; preciso planejar, calcular o futuro. Devo abrir meu caminho na vida.”

Aí está. Todos dizem que devem abrir seu caminho pela vida cada um por si, seja em nome dos negócios, da religião ou do país. Você quer ser famoso, e o mesmo quer o seu vizinho, e o mesmo quer o vizinho dele; e é assim com todos, desde o mais alto ao mais baixo na Terra. Assim, construímos uma sociedade baseada em ambição, inveja e aquisição, em que cada homem é inimigo do outro; e vocês são “educados” para se conformar a essa sociedade em desintegração, para se encaixar em sua estrutura perversa.

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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)