“Assimila o que puderes, das verdades destas páginas — e cria em tua alma uma atmosfera propícia para compreenderes mais, com o correr dos anos e tua progressiva evolução espiritual, que consiste essencialmente na abolição do egoísmo em todos os seus aspectos, e na proclamação de um amor sincero e universal para com todas as criaturas de Deus”. — Huberto Rohden

Quando a mente se liberta do velho, vê tudo de maneira nova

Pergunta: Quando escuto o senhor, tudo parece claro e novo, mas, quando vou para casa, a velha e aborrecida inquietação volta a me dominar. O que há de errado comigo?

Krishnamurti: O que é, realmente, que acontece em nossa vida? Estamos enfrentando desafios constantes e reagindo a eles. A vida é assim, não é? O desafio é sempre novo, e a reação, sempre velha. Você e eu nos encontramos ontem, e hoje você vem me ver. Você está diferente, mudou, é novo, mas tenho na mente sua imagem de ontem, então faço com que o velho absorva o novo. Não o vejo de uma maneira nova, então reajo de acordo com sua imagem de ontem, de modo que minha reação ao desafio é condicionada. Aqui nesta reunião, por exemplo, as pessoas não são brâmanes, hindus, ou cristãs, não pertencem a esta ou aquela casta. Aqui, elas esquecem tudo isso. estão apenas escutando, absortas, tentando descobrir alguma coisa. Mas, quando retornam ao cotidiano, ao trabalho, à família, ao sistema, voltam a ser as velhas pessoas de antes. O novo está sempre sendo absorvido pelo que é velho, pelos velhos hábitos, costumes, idéias, tradições, lembranças. Nunca existe o novo, porque as pessoas estão sempre encontrando o que é novo por meio do que é velho. O problema, exposto pela pergunta que me fizeram, é sabermos como livrar o pensamento do que é velho, para que haja o novo o tempo todo. Quando vemos uma flor, um rosto, o céu, uma árvore, um sorriso, como podemos vê-los de maneira nova? Por que o velho absorve o novo? Por que o novo desaparece quando você vai para casa?

A reação velha brota do pensador, e o pensador é sempre o velho. Como o seu pensamento é fundamentado no passado, quando você encontra o novo, na realidade é o velho, a experiência de ontem, que o está encontrando. Então, voltamos ao mesmo problema por um caminho diferente: como livrar a mente – o pensador – de si mesma? Como erradicar a memória, não a memória factual, mas a psicológica, que é a acumulação de experiências? Enquanto houver resíduo de experiência, o novo não pode ser recebido. Libertar-nos do processo do pensamento, de modo a podermos receber o novo, é trabalho árduo. Porque todas as nossas crenças, tradições, todos os nossos métodos educativos são baseados na imitação, na cópia, na memorização, na formação do reservatório da memória. Essa memória está sempre reagindo ao novo. Essa reação é o que chamamos de pensamento, e é esse pensamento que enfrenta o novo. Então, como pode haver o novo? Só quando não há resíduo de memória é que pode haver o novo, e há resíduo quando a experiência não está concluída, isto é, quando a compreensão da experiência é incompleta. Quando a experiência está concluída, não há resíduo, e essa é a beleza da vida. O amor não é resíduo, não é experiência; é um estado de ser. O amor é eternamente novo. Portanto, a questão é: podemos encontrar o novo constantemente, mesmo estando em casa? É claro que podemos. Para isso, é preciso fazer uma revolução nos pensamentos e sentimentos. Só somos livres quando cada uma de nossas reações é completamente compreendida, não apenas examinada de modo casual e posta de lado. Nos libertamos da memória acumuladora quando cada pensamento e cada sentimento são completados, totalmente compreendidos. Em outras palavras, quando cada pensamento e sentimento é compreendido, quando está terminado, há um final, e, entre esse final e o pensamento ou sentimento seguinte, há um intervalo. Nesse intervalo silencioso, ocorre a renovação, surge uma nova criatividade.

Isso não é teórico, não é impraticável. Se você tentar compreender completamente cada pensamento e cada sentimento, descobrirá que isso é de uso notavelmente prático na vida diária, porque você estará novo, e o que é novo dura eternamente. Ser novo é ser criativo, e ser criativo é ser feliz. Um homem feliz não se preocupa por ser rico ou pobre, não se importa com a classe social ou o país a que possa pertencer. Não tem líderes, deuses, templos, igrejas e, dessa maneira, não se envolve em disputas, não tem inimigos.

Esse, sem dúvida, é o meio mais prático de resolver os problemas com que nos deparamos neste mundo atual de caos, não é? Pelo fato de não sermos criativos, no sentido em que estou usando a palavra “criativos”, é que somos tão antissociais em todos os diferentes níveis de nossa consciência. Para sermos práticos e eficientes em nosso relacionamento com todas as coisas, precisamos ser felizes. Não pode haver felicidade se não há um término, se continuamos em um constante processo de nos tornamos alguma coisa. Com o término, vêm a renovação, o renascimento, a inovação, o frescor, a alegria.

O novo é absorvido pelo velho, que o destrói, quando existe o passado, quando a mente – o pensador – é condicionada pelo pensamento. Para nos libertarmos do passado, das influências condicionadoras, da memória, é preciso estarmos livres da continuidade. Há continuidade enquanto pensamentos e sentimentos não têm uma conclusão definitiva. Concluímos um pensamento ou sentimento quando o seguimos até ele chegar a seu fim, e assim, de um em um, damos uma conclusão a todos eles. O amor não é um hábito, algo da memória, o amor é sempre novo. Só é possível encontrar o novo quando a mente é renovada, e isso não pode acontecer quando há resíduos da memória. A memória é factual e também psicológica. Não estou falando da factual, mas da psicológica. Enquanto uma experiência não é totalmente compreendida, há resíduo, e esse resíduo é o velho, é do ontem, do passado. O passado está sempre absorvendo e destruindo o novo. Quando a mente se liberta do velho, vê tudo de maneira nova, e isso é alegria.

Krishnamurti
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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)


O IMPOPULAR DRAMA OUTSIDER — O encontro direto com a Verdade absoluta parece, então, impossível para uma consciência humana comum, não mística. Não podemos conhecer a realidade ou mesmo provar a existência do mais simples objeto, embora isto seja uma limitação que poucas pessoas compreendem realmente e que muitas até negariam. Mas há entre os seres humanos um tipo de personalidade que, esta sim, compreende essa limitação e que não consegue se contentar com as falsas realidades que nutrem o universo das pessoas comuns. Parece que essas pessoas sentem a necessidade de forjar por si mesmas uma imagem de "alguma coisa" ou do "nada" que se encontra no outro lado de suas linhas telegráficas: uma certa "concepção do ser" e uma certa teoria do "conhecimento". Elas são ATORMENTADAS pelo Incognoscível, queimam de desejo de conhecer o princípio primeiro, almejam agarrar aquilo que se esconde atrás do sombrio espetáculo das coisas. Quando alguém possui esse temperamento, é ávido de conhecer a realidade e deve satisfazer essa fome da melhor forma possível, enganando-a, sem contudo jamais poder saciá-la. — Evelyn Underhill