“Assimila o que puderes, das verdades destas páginas — e cria em tua alma uma atmosfera propícia para compreenderes mais, com o correr dos anos e tua progressiva evolução espiritual, que consiste essencialmente na abolição do egoísmo em todos os seus aspectos, e na proclamação de um amor sincero e universal para com todas as criaturas de Deus”. — Huberto Rohden

Você é realmente um indivíduo?

             Que entendemos por indivíduo? Uma pessoa que é controlada e dominada pelos seus temores, suas decepções, suas ansiedades, os quais criam uma certa série de circunstâncias que a escravizam e a forçam a se ajustar a uma estrutura social. É isto o que entendemos por indivíduo. Por meio de nossos temores, nossas superstições, nossas vaidades e nossas ansiedades, criamos certo conjunto de circunstâncias das quais nos tornamos escravos. Quase perdemos nossa individualidade, nossa unicidade. Quando examinardes a vossa ação na vida diária, verificareis que ela é apenas uma reação a um conjunto de padrões, a uma série de idéias.
            Por favor, acompanhai o que estou dizendo e não digais que incito o homem a libertar-se de modo a poder fazer o que bem entender — de modo a produzir ruína e desastre.
            Antes de tudo desejo esclarecer que somos apenas reações a uma série de padrões e idéias que criamos por meio de nosso sofrimento e temor, por meio de nossa ignorância, por meio de nosso desejo de posse. A essa reação chamamos ação individual, mas para mim isto não é absolutamente ação. É uma constante reação em que não há ação positiva.
            Di-lo-ei de outro modo. No presente o homem é apenas vacuidade de reação, nada mais. Ele não age baseado na integridade de sua natureza, na sua plenitude, na sua sabedoria; ele age meramente baseado numa reação. Afirmo que o caos, a completa destruição está tendo lugar no mundo por não agirmos baseados em nossa plenitude, mas em nosso temor, em nossa falta de entendimento. Uma vez que nos tornemos conscientes do fato de que o que chamamos individualidade é apenas uma série de reações nas quais não há plenitude de ação; uma vez que compreendamos que essa individualidade é apenas uma série de reações nas quais há contínuo vazio, um vácuo, então agiremos harmoniosamente.
            Como podereis descobrir o valor de um dado padrão que mantendes? Não o fareis agindo em oposição a esse padrão, mas pesando, comparando o que realmente pensais e sentis com o que ele exige. Verificareis que o padrão exige certas ações, enquanto a vossa ação instintiva tende para outra direção. Que fareis então? Se fizerdes o que pede o vosso instinto, a vossa ação vos conduzirá ao caos, porque nossos instintos - foram pervertidos através de séculos pelo que chamamos educação — educação essa que é inteiramente falsa. O vosso próprio instinto requer um tipo de ação, mas a sociedade, que nós individualmente criamos no decorrer dos séculos, sociedade de que nos tornamos escravos, exige outro tipo de ação. E quando agis de conformidade com a série de padrões exigidos pela sociedade não estais agindo com plenitude de compreensão.
            Refletindo realmente sobre as exigências de vossos instintos e as da sociedade, descobrireis como podereis agir com sabedoria. Essa ação liberta o individuo; não o aprisiona. Mas a libertação do indivíduo exige grande ardor, grande busca na profundeza da ação; não é o resultado da ação oriunda de um impulso momentâneo.
            Assim, tendes de reconhecer o que sois agora. Por melhor que tenhais sido educado, sois apenas parcialmente um verdadeiro indivíduo; a maior parte de vosso ser é determinada pela reação para com a sociedade que criastes. Sois apenas uma engrenagem numa tremenda máquina a que chamais sociedade, religião, política, e, enquanto fordes uma tal engrenagem, a vossa ação será oriunda da limitação; ela vos conduzirá somente à desarmonia e ao conflito. O caos atual resultou de vossa ação. Mas se agísseis partindo de vossa plenitude descobriríeis o verdadeiro valor da sociedade e o instinto que origina a vossa ação; então esta seria harmoniosa, não um compromisso.
            Antes que tudo, portanto, precisais tornar vos consciente dos falsos valores estabelecidos através dos séculos e aos quais vos escravizastes; precisais tornar-vos consciente dos valores para descobrir se são falsos ou verdadeiros, e isto precisais fazê-lo por vós mesmo. Ninguém o poderá fazer por vós — e aí reside a grandeza e a glória do homem. Desse modo, pela descoberta do verdadeiro valor dos padrões, libertais a mente dos falsos padrões transmitidos através do tempo.
            Mas tal libertação não significa ação impetuosa, instintiva, conduzindo ao caos; significa ação nascida da plena harmonia da mente e coração. (...)


            (...) O homem em geral vê a vida apenas pela tradição do tempo, que traz em sua mente e coração; enquanto para mim a vida é fresca, renovadora, movente, nunca estática. A mente e o coração do homem estão sobrecarregados com o inquestionado desejo de conforto, que, necessariamente, deve originar autoridade. Pela autoridade ele enfrenta a vida e assim é incapaz de compreender o pleno significado da experiência, o único que pode libertá-lo do sofrimento. Ele se consola com os falsos valores da vida e se torna simplesmente máquina, uma engrenagem na estrutura social ou no sistema religioso. Não se pode descobrir o que é valor verdadeiro enquanto a mente está à procura de consolo; e desde que a maioria das mentes estão procurando consolo, conforto, segurança, não podem descobrir o que a verdade é. Assim a maioria das pessoas não são indivíduos; são meras engrenagens de um sistema. Para mim, indivíduo é uma pessoa que por meio do interrogar, descobre valores verdadeiros; e só se pode realmente interrogar quando se está em sofrimento. Quando sofreis, percebeis que a vossa mente se torna aguda, sensível; nesse momento não sois teórico; e apenas neste estado da mente podeis interrogar qual o verdadeiro valor dos padrões da sociedade, a religião e a política erigiram em torno de nós. Apenas neste estado podemos interrogar, e quando interrogamos, quando descobrimos verdadeiros valores, então somos indivíduos verdadeiros. Nunca antes. Isto é, não somos indivíduos enquanto estamos inconscientes dos valores a que nos acostumamos pelas seguranças, pelas religiões, pela busca de crenças e ideais. Somos simplesmente máquinas, escravos da opinião pública, escravos dos inúmeros ideais que as religiões colocaram ao nosso redor, escravos dos sistemas econômicos e políticos que aceitamos. E desde que todos são dentes de engrenagem nesta máquina, jamais podemos descobrir verdadeiros valores, valores duradouros, os únicos em que reside a eterna felicidade, a eterna realização da verdade.

Krishnamurti – 8 de julho de 1933 – 2ª Palestra em Stresa – Do livro: Palestras e Respostas a perguntas feitas por KRISHNAMURTI – Itália e Noruega - ICK

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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)


O IMPOPULAR DRAMA OUTSIDER — O encontro direto com a Verdade absoluta parece, então, impossível para uma consciência humana comum, não mística. Não podemos conhecer a realidade ou mesmo provar a existência do mais simples objeto, embora isto seja uma limitação que poucas pessoas compreendem realmente e que muitas até negariam. Mas há entre os seres humanos um tipo de personalidade que, esta sim, compreende essa limitação e que não consegue se contentar com as falsas realidades que nutrem o universo das pessoas comuns. Parece que essas pessoas sentem a necessidade de forjar por si mesmas uma imagem de "alguma coisa" ou do "nada" que se encontra no outro lado de suas linhas telegráficas: uma certa "concepção do ser" e uma certa teoria do "conhecimento". Elas são ATORMENTADAS pelo Incognoscível, queimam de desejo de conhecer o princípio primeiro, almejam agarrar aquilo que se esconde atrás do sombrio espetáculo das coisas. Quando alguém possui esse temperamento, é ávido de conhecer a realidade e deve satisfazer essa fome da melhor forma possível, enganando-a, sem contudo jamais poder saciá-la. — Evelyn Underhill