“Assimila o que puderes, das verdades destas páginas — e cria em tua alma uma atmosfera propícia para compreenderes mais, com o correr dos anos e tua progressiva evolução espiritual, que consiste essencialmente na abolição do egoísmo em todos os seus aspectos, e na proclamação de um amor sincero e universal para com todas as criaturas de Deus”. — Huberto Rohden

O ser humano pode erradicar por completo o medo?

A maioria das pessoas tem medo, tanto o medo físico quanto o interior. O medo só existe em relação a algo. Tenho medo da doença, da dor física. Eu já passei por isso e tenho medo. Tenho medo da opinião pública. Tenho medo de perder o emprego. Tenho medo de não ser capaz de atingir a plenitude. Tenho medo do escuro, tenho medo da minha própria estupidez, medo da minha insignificância. Temos muitos e diferentes medos e tentamos solucionar esses medos fragmentariamente. Não parecemos capazes de ir além disso. Se acreditamos ter compreendido e solucionado determinado medo, outro medo surge. Quando nos damos conta de que temos medo, tentamos fugir dele, tentamos descobrir a resposta, tentamos descobrir como proceder, ou tentamos reprimi-lo.

Nós, seres humanos, desenvolvemos de modo sagaz uma rede de fugas: Deus, divertimentos, bebida, sexo, tudo. Todas as fugas são a mesma coisa, seja em nome de Deus ou da bebida! Para viver como seres humanos, precisamos resolver esse problema. Viver com medo, consciente ou inconsciente, é o mesmo que viver na escuridão, cheios de conflito interior e de resistência. Quanto maior o medo, maior a tensão, maior a carga neurótica, maior o impulso de fugir. Se não fugirmos, perguntamo-nos: "Como iremos resolver?" Procuramos meios e formas de solucioná-lo, mas sempre dentro do campo do conhecido. Fazemos algo a respeito, e essa ação produzida pelo pensamento é uma ação dentro do campo da experiência, do conhecimento, do conhecido e, portanto, não existe resposta. Isso é o que fazemos, e morremos com medo. Vivemos ao longo de nossas vidas com medo e morremos com medo. Mas, o ser humano pode erradicar por completo o medo? Podemos fazer algo, ou não podemos fazer nada? O nada não significa que aceitemos o medo, que o racionalizemos e que vivamos com ele; não se trata da inação da qual estamos falando.

Fizemos tudo o que podíamos fazer em relação ao medo. Nós o analisamos, mergulhamos nele, tentamos enfrentá-lo, entramos em contato direto com ele, resistimos a ele, fizemos tudo que era possível, e ele permanece. Será possível ter consciência dele, de modo completo, total, e não de um modo meramente intelectual e, ainda assim, não fazer nada a respeito? Precisamos entrar em contato com o medo, mas não o fazemos. A palavra medo produziu o medo. A própria palavra nos impede de entrar em contato com o medo.

Krishnamurti - Paris, 22 de maio de 1966
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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)


O IMPOPULAR DRAMA OUTSIDER — O encontro direto com a Verdade absoluta parece, então, impossível para uma consciência humana comum, não mística. Não podemos conhecer a realidade ou mesmo provar a existência do mais simples objeto, embora isto seja uma limitação que poucas pessoas compreendem realmente e que muitas até negariam. Mas há entre os seres humanos um tipo de personalidade que, esta sim, compreende essa limitação e que não consegue se contentar com as falsas realidades que nutrem o universo das pessoas comuns. Parece que essas pessoas sentem a necessidade de forjar por si mesmas uma imagem de "alguma coisa" ou do "nada" que se encontra no outro lado de suas linhas telegráficas: uma certa "concepção do ser" e uma certa teoria do "conhecimento". Elas são ATORMENTADAS pelo Incognoscível, queimam de desejo de conhecer o princípio primeiro, almejam agarrar aquilo que se esconde atrás do sombrio espetáculo das coisas. Quando alguém possui esse temperamento, é ávido de conhecer a realidade e deve satisfazer essa fome da melhor forma possível, enganando-a, sem contudo jamais poder saciá-la. — Evelyn Underhill