“Assimila o que puderes, das verdades destas páginas — e cria em tua alma uma atmosfera propícia para compreenderes mais, com o correr dos anos e tua progressiva evolução espiritual, que consiste essencialmente na abolição do egoísmo em todos os seus aspectos, e na proclamação de um amor sincero e universal para com todas as criaturas de Deus”. — Huberto Rohden

Krishnamurti - Sobre a difícil e imprescindível arte de escutar


"Por estarmos, na maioria, condicionados por influências sociais, econômicas, religiosas, etc., somos copistas, imitadores, e por isso não damos importância ao que é novo, chamamo-lo revolucionário (…) Mas se pudermos examiná-lo, se o observarmos com inteira isenção de preconceitos, de limitações, então talvez seja possível compreender-nos mutuamente e comungar uns com os outros. Só há comunhão quando não existe barreira alguma... Em geral ouvimos o que nos convém ouvir com exclusão de tudo que cause perturbação. A toda expressão de uma idéia perturbadora fazemos ouvidos de mercador; e sobretudo quando se trata de matéria profunda, religiosa, de importância na vida, temos a tendência de ouvir superficialmente. Se ouvimos mesmo alguma coisa, ouvimos apenas as palavras, não o seu conteúdo; porque os mais de nós não queremos ser perturbados. Queremos em geral prosseguir em nossos velhos caminhos; porque o alterar, o realizar qualquer modificação, significa perturbação: perturbação em nossa vida diária, perturbação em nossa família, perturbação entre marido e mulher, entre nós e a sociedade. Como em geral não gostamos de ser perturbados, preferimos seguir pelo caminho fácil da existência — se esse caminho conduz ao sofrimento, à confusão e ao conflito, isso, ao que parece, tem muito pouca importância. O que queremos é uma vida fácil: nada de muito incômodo, de muita perturbação, nada de pensar em demasia: e, assim, quando escutamos, não estamos em verdade ouvindo coisa alguma. A maioria de nós tem medo de ouvir profundamente; mas só quando ouvimos profundamente, quando os sons penetram fundo, existe a possibilidade de uma tranformação fundamental completa. Essa transformação não é possível, se vocês ouvem superficialmente; e, se me permitem sugerí-lo, procurem escutar sem resistência, sem preconceito: só escutem. Não façam esforços excessivos para compreender, porque a compreensão não resulta de luta. A compreensão vem rápida, imperceptível, quando o esforço é passivo; só quando o produtor do esforço está silencioso, vem a onda da compreensão... Não façam esforço de imaginação, não façam esforço algum para escutar, fiquem a escutar, apenas. Então, o som nos transmite seu próprio significado, e essa compreensão é muito profunda, muito maior e duradoura, do que a mera compreensão de palavras resultante de esforço intelectual. A compreensão de palavras, chamada compreensão intelectual, é totalmente vã.... Compreensão intelectual é mera compreensão verbal. Ouvir palavras não é assimilar-lhes o conteúdo. A palavra não é a coisa. A palavra não é a compreensão. A compreensão surge quando a mente não faz mais esforço, isto é, quando não mais opõe resistência, não mais tem preconceitos, mas escuta em liberdade e de maneira completa... Então, essa própria observação, esse escutar, comunica um significado extraordinário."  
Krishnamurti - O que estamos buscando - ICK

"Há uma arte no escutar. Escutar, a fim de descobrir se o que se diz tem significação, e depois de escutar, julgar, aceitar, ou rejeitar; mas, antes de tudo, escutar. A questão é que a maioria de nós não escuta. Vimos preparados para ser desfavoráveis ou favoráveis, e não para escutar com neutralidade.  Se vocês escutam neutralmente, só então, certamente, começam a descobrir o que se esconde atrás das palavras. As palavras são meios de comunicação. Tendes de aprender o meu vocabulário, a significação das minhas palavras, para reconhecer a importância do assunto. A coisa de primordial importância é aprender a escutar de maneira apropriada. Se vocês leem um poema de espírito prevenido, como podem compreendê-lo? Para apreciar o que o poeta deseja lhes fazer compreender, devem vir com liberdade para isso."  
Krishnamurti - O que estamos buscando - ICK

"Como você escuta? Você escuta com suas projeções, com sua ideologia, com suas ambições, desejos, medos, ansiedades, com atenção somente ao que você quer ouvir, somente atenta para o que será satisfatório, ao que gratifica, ao que dará o conforto, ao que no momento pode aliviar seu sofrimento? Se você escutar através da tela de seus desejos, então você escuta obviamente sua própria voz; você está escutando seus próprios desejos. E há alguma outra forma de escutar? Não é importante encontrar uma forma como escutar não somente o que está sendo dito, mas a tudo, ao ruído nas ruas, à algazarra dos pássaros, ao ruído das ondas do mar agitado, à voz de seu marido, a sua esposa, a seus amigos, ao grito de um bebê? Escutar tem a importância somente quando não está projetando unicamente os próprios desejos de quem escuta. Podemos por de lado todos estes filtros através de qual escutamos e escutar realmente?"

"Escutar é uma arte que não se aprende facilmente, mas há nela beleza e uma grande compreensão. Nós escutamos com as várias profundidades de nosso ser, mas nosso escutar é sempre com uma percepção de um ponto particular da vista. Nós, simplesmente nada escutamos; há sempre um filtro dos nossos próprios pensamentos intervindo, conclusões, e preconceitos. Escutar exige quietude interior, uma liberdade da tensão de adquirir, uma atenção relaxada. Neste alerta, contudo, em estado passivo, pode-se ouvir o que está além da conclusão verbal. As palavras confundem; são somente meios de comunicação externos; mas para perceber além do ruído das palavras, deve haver um escutar, um passivo alerta. Assim se pode escutar o amor; mas é extremamente raro encontrar um ouvinte. A maioria de nós somos o acumulado, o conseguindo, os objetivos; nós estamos sempre acrescentando e conquistando, e assim não há nenhum escutar. É somente nesse escutar que se escuta a canção das palavras."

"Quando você faz um esforço para ouvir, você está ouvindo? Não é esse esforço uma distração que impede o escutar? Você faz um esforço quando você escuta alguma coisa que lhe delicia?... Você não está consciente da verdade, você não vê o falso como o falso, enquanto sua mente está de alguma forma ocupada com esforço, com a comparação, com a justificação ou condenação... Escutar isso adequadamente é um ato completo, o próprio ato de ouvir produz sua própria liberdade! Mas você realmente está interessado em escutar, ou em alterar sua confusão interior? Se você deseja ouvir, senhor, no sentido de estar atento de seus conflitos e contradições sem os forçar em qualquer padrão particular de pensamento, talvez eles possam cessar completamente. Você vê, nós constantemente estamos tentando ser isto ou aquilo, alcançar um estado particular, obter um tipo de experiência e evitar outras, assim a mente está permanentemente ocupada com algo, nunca está silenciosa para escutar o ruído de suas próprias lutas e dores. Seja simples... e não tente tornar-se algo ou adquirir alguma experiência." 
Krishnamurti - O Livro da Vida

"A maioria de nós nunca estamos em comunhão com ninguém. Não estamos diretamente em comunhão com os nossos amigos, com nossas esposas, com os nossos filhos. Por certo, para compreender o sofrimento, você tem que ama-lo, não? Quer dizer, você precisa estar em comunhão direta com ele. Para você compreender qualquer coisa – seu vizinho, sua esposa, ou qualquer relação – para compreender profundamente algo, você necessita manter contato direto com isso. Você tem que abordar esta relação sem qualquer objeção, preconceito, condenação ou rejeição, tem que ser assim, não? Se é para haver compreensão, não posso ter nenhum preconceito a seu respeito. Eu devo ser capaz de olhar para você, sem barreiras, sem projetar meus preconceitos e condicionamentos. Preciso estar em comunhão com você, ou seja, preciso amá-lo. Do mesmo modo, para compreender o sofrimento, eu tenho que amá-lo, tenho que estar em comunhão com ele. Não posso fazer isso se estou fugindo dele através de explicações, teorias, esperanças, protelando, porque  tudo isso são processos de verbalização. Assim as palavras impedem que eu esteja em comunhão com o sofrimento. As palavras me impedem – palavras como explicações, racionalizações são ainda palavras, que são o processo mental – de estar diretamente em comunhão com o sofrimento. É somente quando estou em comunhão com o sofrimento que eu o compreendo”. 
Krishnamurti - O Livro da Vida

"Uma revolução em toda a psique do homem não é realizável por meio da vontade, que é desejo, determinação, por meio de um plano de vida conducente à paz. Ela só é possível quando o cérebro pode estar quieto e ao mesmo tempo ativo, para observar sem criar imagens de acordo com sua experiência, conhecimentos e prazer. A paz é essencial, porque só na paz pode o indivíduo florescer em bondade e beleza. Essa possibilidade só existe quando somos capazes de escutar o todo da existência, com todas as suas agitações, aflições, confusão e angústias - escutá-lo, simplesmente, sem nenhum desejo de alterá-lo. O próprio ato de escutar é a ação que operará a revolução." 
Krishnamurti - Encontro com o eterno - ICK

"Se houver apenas cinco pessoas que queiram escutar, que queiram viver, que tenham a face voltada para a eternidade, será o suficiente. De que servem milhares que não compreendem, completamente imbuídos de preconceitos, que não desejam o novo(...)? Gostaria que todos os que queiram compreender sejam livres, não para me seguir, não para fazer de mim uma gaiola, que se torne uma religião, uma seita. Deverão estar livres de todos os temores (...), do medo da espiritualidade, do medo do amor, do medo da morte, do medo da própria vida."
Krishnamurti - Discurso da dissolução da Ordem estrela 

"É muito importante estar judiciosamente atentos, mas nunca formular um julgamento; porque no instante em que formulamos um julgamento, já temos uma conclusão. Vocês não estão judiciosamente atentos. No momento em que chegam numa conclusão, está morta a capacidade de observação judiciosa de vocês... Deus ou a verdade, não podem ser pensados. Se pensam nela, não é a verdade. A verdade não pode ser procurada; ela vem a nós. Só podemos procurar o que é conhecido. Quando a mente não é torturada pelo conhecido, pelos efeitos do conhecido, só então pode a verdade revelar-se... A verdade só pode manifestar-se na mente que está livre do conhecido." 
Krishnamurti - O que estamos buscando - ICK

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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)


O IMPOPULAR DRAMA OUTSIDER — O encontro direto com a Verdade absoluta parece, então, impossível para uma consciência humana comum, não mística. Não podemos conhecer a realidade ou mesmo provar a existência do mais simples objeto, embora isto seja uma limitação que poucas pessoas compreendem realmente e que muitas até negariam. Mas há entre os seres humanos um tipo de personalidade que, esta sim, compreende essa limitação e que não consegue se contentar com as falsas realidades que nutrem o universo das pessoas comuns. Parece que essas pessoas sentem a necessidade de forjar por si mesmas uma imagem de "alguma coisa" ou do "nada" que se encontra no outro lado de suas linhas telegráficas: uma certa "concepção do ser" e uma certa teoria do "conhecimento". Elas são ATORMENTADAS pelo Incognoscível, queimam de desejo de conhecer o princípio primeiro, almejam agarrar aquilo que se esconde atrás do sombrio espetáculo das coisas. Quando alguém possui esse temperamento, é ávido de conhecer a realidade e deve satisfazer essa fome da melhor forma possível, enganando-a, sem contudo jamais poder saciá-la. — Evelyn Underhill