“Assimila o que puderes, das verdades destas páginas — e cria em tua alma uma atmosfera propícia para compreenderes mais, com o correr dos anos e tua progressiva evolução espiritual, que consiste essencialmente na abolição do egoísmo em todos os seus aspectos, e na proclamação de um amor sincero e universal para com todas as criaturas de Deus”. — Huberto Rohden

Krishnamurti - Nada novo no front da insatisfação com as teorizações


Não existe nenhum movimento de aprender quando existe aquisição de conhecimento, os dois são incompatíveis, eles são contraditórios. O movimento do aprender implica um estado em que a mente não tem nenhuma experiência prévia acumulada como conhecimento. O conhecimento é adquirido, ao passo que o aprender é um movimento constante, não é um processo aditivo, nem aquisitivo, portanto, o movimento do aprender implica um estado em que a mente não tem nenhuma autoridade. Todo conhecimento indica autoridade, e uma mente que é entrincheirada na autoridade do conhecimento não tem possibilidade de aprender. A mente só pode aprender quando o processo aditivo cessou completamente. É bastante difícil a maioria de nós diferenciarmos entre aprender e adquirir conhecimento. Com a experiência, pela leitura, pelo escutar, a mente acumula conhecimentos, é um processo aquisitivo, um processo de adicionar algo ao que já se sabe, e deste fundo acumulado de conhecimento nós funcionamos. Atualmente, o que geralmente chamamos aprender é esse processo de adquirir novas informações e adicioná-las ao acumulado de conhecimentos que já temos. Mas falo sobre algo inteiramente diferente! Por aprender que eu não quero dizer adicionar algo ao que você já conhece. Só se pode aprender quando não existe nenhum apego ao passado como conhecimento, isso é, quando se vê algo novo e não o traduz em termos do conhecido. A mente que aprende é uma mente inocente, ao passo que a mente que meramente adquire conhecimento é velha, estagnada, corrompida pelo passado. Uma mente inocente percebe instantaneamente, aprende todo o tempo sem nada acumular, e só tal mente é madura.
(...)
Para  acontecer a completa mutação na consciência você deve negar a análise e a busca, e não ficar sob qualquer influência – que é extremamente difícil. A mente, vendo o que é falso, afasta completamente o falso, não sabendo o que é a verdade. Se você já sabe “o que é verdade”, então você está apenas trocando o que é falso para aceitar o que você imagina ser a verdade. Não existe nenhuma renúncia, se você conhece para onde você está indo, e o que vai receber em troca. Existe a renúncia apenas, quando você deixa de lado alguma coisa, não sabendo o que vai acontecer. Esse estado de negação é totalmente necessário. Por favor, siga isto cuidadosamente, porque se você tem ido tão longe você vai ver que, em estado de negação você descobre o que é a verdade, pois, a negação é o esvaziamento da consciência do conhecido. Afinal, a consciência é baseada no conhecido, na experiência, na herança racial, na memória, nas coisas que a pessoa experimentou. As experiências são sempre do passado, operam no presente, sendo modificada no presente e continuam no futuro. Tudo isso é a consciência, todo o acumulado dos séculos. Só tem a sua utilidade na vida mecânica. Seria absurdo negar a todos os conhecimentos científicos adquiridos através dos tempos passados. Mas, para acontecer uma mutação na consciência, a uma revolução em toda esta estrutura, deve haver um completo vazio. E esta vacuidade só é possível quando existe a descoberta, vendo a realidade do que é falso. Então, você vai ver, se você tem ido tão longe, que o vazio traz em si uma completa revolução na consciência: ela aconteceu.
(...)
A maioria de nós nunca está só. Você pode se retirar nas montanhas e viver como um monge, mas enquanto fisicamente independente, você terá consigo todas as suas idéias, suas experiências, suas tradições, seu conhecimento do que foi. O monge cristão em uma cela do mosteiro não está só, ele está com o seu conceito de Jesus, com a sua teologia, com as crenças e os dogmas do seu condicionamento pessoal. Do mesmo modo, o sannyasi na Índia, que se retira do mundo e vive em isolamento, não está só, porque também ele vive com as suas memórias. Eu estou falando de uma solidão na qual a mente é totalmente livre do passado, e só tal mente é virtuosa, pois apenas na solidão existe inocência. Talvez você diga, "Isso é pedir muito, uma pessoa não pode viver assim neste mundo caótico, onde tem de ir ao escritório todo dia, ganhar o sustento, suportar as crianças, agüentar as impertinências da esposa ou do marido, e tudo o mais". Mas eu penso que o que está sendo dito está diretamente relacionado à vida diária e ação, caso contrário, não tem nenhum valor. Você vê, desta solidão surge uma virtude que é vigorosa e que traz um senso extraordinário de pureza e bondade. Não importa se a pessoa comete erros, isso é de muito pouca importância. O que importa é ter esta percepção de estar completamente só, incontaminado, pois é tão somente uma mente assim pode conhecer ou pode estar atenta ao que está além da palavra, além do nome, além de todas as projeções da imaginação.

Uma mente quieta não está buscando qualquer tipo de experiência. E se não está buscando, portanto está completamente silenciosa, sem qualquer movimento do passado e livre do conhecido, em seguida você encontrará se for profundamente que existe um movimento do desconhecido que não é reconhecido, que não é traduzível, que não pode ser colocado em palavras – então você descobrirá um movimento que é imenso. Esse movimento é atemporal porque nele não existe tempo, nem espaço, nem algo para experimentar, nem algo para ganhar, alcançar. Desta forma a mente conhece o que é criação¹ – não a criação do pintor, do poeta, do orador; mas aquela criação que não tem nenhum motivo, que não tem nenhuma expressão. Aquela criação é amor e morte². Tudo isso do começo ao  fim é meditação. O homem que quer meditar precisa se conhecer! Sem autoconhecimento não se pode ir longe. Embora você tente ir longe, só pode ir tão distante quanto a sua própria projeção³, e sua própria projeção está muito perto, muito próxima, não o conduz a nenhum lugar. Meditação é aquele processo de derrubar as bases imediatamente, instantaneamente, e criar – naturalmente, sem qualquer esforço – aquele estado de quietude. E só então existe uma mente que está além do tempo, além de experiência, e além do conhecido
Krishnamurti – O Livro da Vida
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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)


O IMPOPULAR DRAMA OUTSIDER — O encontro direto com a Verdade absoluta parece, então, impossível para uma consciência humana comum, não mística. Não podemos conhecer a realidade ou mesmo provar a existência do mais simples objeto, embora isto seja uma limitação que poucas pessoas compreendem realmente e que muitas até negariam. Mas há entre os seres humanos um tipo de personalidade que, esta sim, compreende essa limitação e que não consegue se contentar com as falsas realidades que nutrem o universo das pessoas comuns. Parece que essas pessoas sentem a necessidade de forjar por si mesmas uma imagem de "alguma coisa" ou do "nada" que se encontra no outro lado de suas linhas telegráficas: uma certa "concepção do ser" e uma certa teoria do "conhecimento". Elas são ATORMENTADAS pelo Incognoscível, queimam de desejo de conhecer o princípio primeiro, almejam agarrar aquilo que se esconde atrás do sombrio espetáculo das coisas. Quando alguém possui esse temperamento, é ávido de conhecer a realidade e deve satisfazer essa fome da melhor forma possível, enganando-a, sem contudo jamais poder saciá-la. — Evelyn Underhill