“Não se pode falar do oceano para um sapo do brejo — criatura de uma esfera mais acanhada. Não se pode falar de um estado isento de pensamento para um pedagogo; sua visão é demasiado restrita”. — Chuang Tzu

Sobre a tensão interna diante da mudança de "moradas de consciência"

Quando a energia interna consegue tocar de modo mais firme as partículas materiais dos corpos de um ser, imprimindo-lhes serena abertura, ocorrem transformações sem que para isso ele faça qualquer esforço ou se preocupe com o processo de cura em ato.
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Em geral, as grandes mudanças na consciência de um ser vêm acompanhadas de situações que exigem dele aplicação do que já foi até então compreendido. Tais situações trazem-lhe alto grau de tensão interna, a ponto de parecer impossível vivê-las corretamente. Porém, se o ser se abre para receber ajudas supra-humanas, avanços inimagináveis podem ocorrer. Ao reconhecer sua incapacidade humana e ao voltar-se para o Desconhecido, de lá recebe energias salvíficas e regeneradoras, que o marcam profundamente, engrandecendo-lhe a fé e impulsionando-o no caminho tanto quanto a inteireza de sua entrega o permita.
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Os homens, em sua maioria, não acolhem serenamente o que os faz sofrer. Porém, vale lembrar que hoje as expressões dessa maioria pouco servem de referência como padrões de conduta a serem seguidos.
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O aprendizado de verdadeiros valores faz-se por meio de uma entrega tão plena que mantenha a consciência em equanimidade perante o deleite e a dor, perante a sublimidade da luz espiritual e a densidade da vida concreta. É, portanto necessário aprender a extrair de cada situação a Fonte de Vida nela ocultada, e a doar-se silenciosamente à sua mais perfeita expressão.
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 Um ponto a ser eliminado da consciência dos que trilham o caminho espiritual é o medo de errar. O erro é gerado por aspectos que distorcem a pureza da energia original. Porém, se existe no indivíduo uma sincera disposição para agir corretamente, o próprio erro é utilizado para romper os véus que o impedem de ver os aspectos a serem transcendidos em si mesmo. Muitas vezes, por tentar manter ocultas suas imperfeições, o indivíduo não permite que sejam removidas.
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É preciso estar disposto a deixar que a luz penetre livremente na consciência, mostrando horizontes de beleza inefável, mas também tornando visíveis facetas malformadas. Que outro motivo, além do orgulho, pode fazer com que um indivíduo que se dedica a uma vida reta e justa envergonhe-se de cometer erros?
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No decorrer dos processos de sublimação das energias em um ser, de lapidação e de purificação dos seus corpos e da própria matéria que os compõe, os aspectos densos são paulatinamente removidos para cederem lugar a vibrações mais sutis.
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No futuro, a humanidade habitará corpos mais sutis e poderá expressar com maior perfeição a imanência do espírito. Vida e forma estarão mais próximas da imagem arquetípica e rumarão, com maior harmonia, à união profunda com a essência criadora.

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Todos os que aderem ao processo evolutivo invariavelmente passam por provas que os levam a confirmar seus votos internos. Quanto mais sua consciência estiver aberta a mudanças, mais poderá usufruir a renovação trazida por esses momentos. Um período de provas é, antes de tudo, um período de ensinamentos; dinamiza intensamente as energias do ser e desperta novas áreas de sua consciência externa. Aprende-se quando se cai, aprende-se quando se consegue superar obstáculos, estando presente a intensão de persistir e de transcender estágios retrógrados. 
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Muitos estão atingindo um estado de maior desligamento das coisas do mundo. No princípio a vivência desse estado traz uma espécie de vazio, que não se plenifica de imediato, mas só quando o ser permite que as energias internas assumam a regência de seus passos. Enquanto essa permissão não é dada, o vazio incomoda. Mas será depois sua própria morada, uma das expressões mais sublimes de sua entrega.
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A personalidade é fruto de todo o passado do ser na superfície da Terra, desde o seu ingresso humano. Tantos são os mecanismos nela presentes, que somente a graça pode redimi-la e elevá-la, conduzindo-a à absorção em um nível superior. 
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É preciso recolhimento para que um trabalho de cura possa transcorrer na sintonia correta, principalmente nas fases em que ele está se plasmando, em que se está formando nos níveis de consciência materiais. A partir de estágios evolutivos mais avançados, quando a consciência externa do ser já se fundiu plenamente em núcleos interiores, os cuidados e precauções pertinentes às primeiras fases não são mais necessários. Todavia, nas etapas iniciais, é preciso dedicação e serena persistência para construir a ligação do que está em cima com o que está embaixo.
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A trajetória evolutiva exige constante renovação do estágio alcançado. É bela poe sua própria natureza renovadora, pois está em permanente atualização. É sábia por considerar toda a existência quando determina os rumos que levarão o ser a acercar-se de núcleos cada vez mais potentes. Enquanto no ser prevalecem aspectos da personalidade, eles ofuscam o fulgor da luz interna e o impedem de ter clareza. Qualquer estágio evolutivo alcançado, por melhor que seja, deve ser ultrapassado quando a vida interior preme por desbravar novas regiões de consciência. Portanto, a energia espiritual procura sempre atualizar todos os níveis de existência do ser. Realiza isso sem estimular os movimentos naturais dos seus corpos densos, sem criar neles ansiedades; transmite-lhe amor, propicia a entrega e também a determinação de avançar.  Em um planeta onde a deterioração do valores conduziu a vida externa a um estado de caos, a energia espiritual não pode ser condescendente com as vibrações dos níveis da personalidade.
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Toda a existência encontra-se sintetizada no momento presente. Tudo o que pode vir a ser é nele construído. Se o indivíduo não tem condições de contatar a energia do momento presente, não está pronto para o toque da eternidade: seria fulminado por esse toque, já que a ilusão na qual se encontra o impede de acolher vibrações de frequências mais elevadas. É preciso amar intensamente a verdade para que ela encontre abertura e possa retirar os véus que encobrem o caminho espiritual. É preciso coragem para assumir um processo de contínua negação do ego, e e encontrar os núcleos internos da consciência que fazem pressão para estender suas energias até a vida material.
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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)