“Não se pode falar do oceano para um sapo do brejo — criatura de uma esfera mais acanhada. Não se pode falar de um estado isento de pensamento para um pedagogo; sua visão é demasiado restrita”. — Chuang Tzu

Energia

O fazer qualquer coisa, por mais insignificante que seja, requer energia, não é verdade? O levantar-se e sair deste pavilhão, o pensar, o comer, o conduzir um carro - toda espécie de ação exige energia. E com a maioria de nós acontece que, quando estamos fazendo alguma coisa, há uma forma de resistência que dissipa energia - a não ser que o que porventura estamos fazendo nos proporcione prazer, caso em que não há conflito, não há resistência na continuidade da energia.

Como disse antes, precisamos de energia, para estarmos completamente atentos, e nessa energia não há resistência,  uma vez que não há distração. Mas, no momento em que surge uma distração - no momento em que desejais concentrar-vos numa coisa e ao mesmo tempo olhar pela janela - há uma resistência , um conflito. Ora, o olhar pela janela é tão importante como o olhar para qualquer outra coisa - e uma vez percebeis essa verdade, não haverá então distração, nem conflito.

Para terdes energia física, deveis naturalmente tomar alimentos adequados, te a justa proporção de repouso, etc. Isto é coisa que vós mesmo podeis experimentar e não há necessidade de discutirmos a esse respeito. Mas há também a energia psicológica, a qual se dissipa de várias maneiras. Para ter essa energia psicológica, a mente busca estímulos. Frequentar a igreja, assistir a partidas de futebol, entregar-se à literatura, ouvi música, assistir a reuniões do gênero desta aqui - todas essa coisas vos estimulam; e se o que desejais e ser estimulado, isso significa que, psicologicamente, sois dependente. A busca de estímulo, em qualquer forma que seja, implica dependência de alguma coisa - de uma bebida, uma droga, um orador, ou de entrar numa igreja; e, por certo, a dependência de estímulo não apenas embota a mente, mas também ocasiona dissipação da energia. Assim, para conservarmos nossa energia, deve desaparecer toda espécie de dependência ou de estímulo; e, para ocorrer o desaparecimento da dependência, precisamos tornar-nos cônscios dela. Se, para ter estímulo, uma pessoa depende de sua mulher ou de seu marido, de um livro, de seu cargo no escritório, de ir ao cinema - qualquer que seja o gênero de estímulo - deve em primeiro lugar, estar cônscia disso. O aceitar simplesmente os estímulos e com eles viver, dissipa energia e deteriora a mente. Mas, se a pessoa se torna cônscia dos estímulos e descobre o significado que tem em sua vida, dessa maneira poderá ficar livre deles. Pelo auto-percebimento - que não é auto-condenação, etc, porém estar simplesmente cônscio, sem escolha, de si próprio - pode um homem conhecer todas as formas de influência, todas as formas de dependência, todas as formas de estímulo; e esse próprio movimento da ação de aprender dá-lhe a energia necessária para libertar-se de todas as dependências e de todos os estímulos.
Krishnamurti - A mente sem medo
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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)